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Política

Indiciado na máfia do INSS negocia cargos no governo Cleitinho para voltar à Câmara

Deputado Euclydes Petterson diz que informação

3 min de leitura
Política — imagem padrão

Indiciado pela Polícia Federal por suposta participação na máfia do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) negocia cargos no governo de Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais, para poder continuar na Câmara dos Deputados na próxima legislatura.

Pettersen concorreu à reeleição, mas perdeu e ficou como primeiro suplente. A Folha presenciou a negociação nesta quarta-feira (7), durante o ato em que o Republicanos anunciou o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência.

A reportagem conversava com o deputado federal Gilberto Abramo (Republicanos-MG) quando Pettersen o abordou no estacionamento para oferecer um cargo no governo e disse que o parlamentar poderia escolher "qualquer secretaria" para assumir.

Escolhe qualquer uma, qualquer uma", disse.

Ele explicou que ele próprio poderia ocupar uma secretaria no governo do estado, mas que preferia continuar em Brasília como deputado federal.

O deputado reeleito respondeu que poderiam conversar sobre isso, ao que Pettersen –que é presidente do Republicanos em Minas– insistiu que ele poderia escolher qualquer secretaria.

Ele viu Cleitinho entrando no carro, deu um grito para chamar o futuro governador e levou Abramo para encontrar com ele.

Procurado pela Folha, Pettersen negou que esteja negociando cargo. "Não procede essa informação, quem tem legitimidade de indicar alguém é o Governador eleito", disse.

O afastamento de Abramo do mandato para ocupar uma secretaria estadual faria com que Pettersen, que é suplente, assumisse como deputado federal. Outros eleitos pelo partido são Bruno Farias e um irmão de Cleitinho, Gleidson Azevedo.

A Polícia Federal indiciou Pettersen em julho pelos crimes de corrupção passiva, lavagem e organização criminosa. O pedido está com o Ministério Público, a quem cabe fazer a denúncia à Justiça.

Pettersen afirmou em nota na época que é inocente, que o indiciamento não é uma condenação e que a investigação não teria "examinado uma única linha da defesa" antes de tirar suas conclusões.

Não tenho qualquer participação nos fatos apurados na operação Sem Desconto e nunca indiquei ninguém para o cargo no INSS", disse.

Ele também teria atuado de forma continuada como o principal fiador político do grupo no Congresso Nacional e no INSS, chancelando a indicação de procuradores e diretores corrompidos para garantir a manutenção das fraudes.

Os recursos teriam sido lavados, ainda segundo o documento da PF, na pecuária em Aripuanã, no Mato Grosso, com o desmatamento químico de fazendas, e na ocultação de aeronaves.

Em planilhas obtidas na investigação, ele é tratado como "herói.

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