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Política

Governo do Iêmen anuncia ofensiva contra rebeldes houthis no Mar Vermelho

Operação busca recuperar territórios sob controle do grupo apoiado pelo Irã; escalada pode afetar navegação no Mar Vermelho e agravar crise humanitária

4 min de leitura
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O governo do Iêmen, apoiado pela Arábia Saudita, anunciou o início de uma grande operação militar para conter os recentes avanços do grupo rebelde houthi, apoiado pelo Irã.

No mês passado, os houthis realizaram uma ofensiva-relâmpago pela costa do Mar Vermelho, assumindo o controle de um importante porto e aumentando a preocupação com a segurança da navegação internacional na região.

O presidente do Conselho Presidencial do Iêmen, Rashad al-Alimi, afirmou em um discurso televisionado neste domingo (4) que as operações militares têm como objetivo recuperar os territórios ainda controlados pelos houthis e restaurar a autoridade do Estado em todo o país.

Uma ofensiva já era amplamente esperada após dezenas de ataques aéreos sauditas contra posições dos houthis e novos avanços do grupo no sul do Iêmen. Al-Alimi afirmou que a decisão de iniciar a operação foi tomada após a “mobilização, escalada e ataques contínuos das milícias houthis, assim como suas ameaças contra civis, instalações, países vizinhos e rotas marítimas internacionais”.

Os houthis relataram ataques aéreos sauditas contra a capital, Sanaa, no sábado (3) e novamente no início deste domingo. A coalizão liderada pela Arábia Saudita não confirmou os ataques.

Em retaliação a mais de 50 ataques aéreos contra Sanaa e outras localidades, os houthis afirmaram neste domingo que atingiram instalações estratégicas de energia na Arábia Saudita.

As autoridades sauditas não se manifestaram sobre os ataques reivindicados. A retomada dos combates já obrigou dezenas de milhares de pessoas a deixar suas casas.

Os próximos acontecimentos podem alterar o equilíbrio de poder no Iêmen, prejudicar ainda mais a navegação pelo Mar Vermelho e agravar uma crise humanitária que já é considerada grave.

Três em cada quatro famílias em algumas áreas do Iêmen estão passando fome devido ao aumento dos combates, segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), que fez o alerta na semana passada.

No início de setembro, os houthis tomaram uma extensa área da costa do Mar Vermelho até o sul, chegando à região do estratégico estreito de Bab al-Mandeb, um ponto de passagem fundamental para o comércio marítimo em direção ao Oceano Índico.

O grupo anunciou que navios sauditas que tentarem utilizar o estreito serão alvos, aumentando a pressão sobre as rotas globais de comércio e energia. Desde o fim de julho, os houthis lançaram mísseis balísticos e drones contra diversos alvos na Arábia Saudita, incluindo instalações industriais e de energia.

Grande parte dos combates recentes ocorreu na região sul de Taiz, onde os houthis tentam isolar as forças governistas na capital regional. Neste domingo, o grupo afirmou ter tomado uma importante rodovia que liga Taiz a Áden, sede do governo iemenita.

Taiz é a terceira maior cidade do Iêmen, com uma população de várias centenas de milhares de pessoas. A região também abriga milhares de soldados das forças governistas.

Mais a leste, na região de Al-Jawf, os houthis afirmaram neste domingo ter causado pesadas baixas às forças do governo com uma série de ataques de mísseis e drones enquanto elas se reposicionavam para a nova ofensiva.

As forças do governo iemenita, apoiadas por ataques aéreos sauditas e por um bloqueio das áreas controladas pelos houthis, combatem o grupo há mais de uma década.

Na segunda-feira (5), autoridades da Arábia Saudita se reunirão com representantes da Turquia e do Paquistão, em Riad, para discutir os acontecimentos na região.

A reunião faz parte do Comitê Estratégico e Político de Defesa, um pacto de defesa inspirado na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), criado em agosto e voltado à cooperação militar e de segurança na região.

O Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou que o acordo “não representa uma tentativa de estabelecer um eixo militar ou um bloco sectário”. A guerra no Iêmen, iniciada em março de 2015, havia provocado 377 mil mortes até o fim de 2021, incluindo vítimas de causas diretas e indiretas, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

Mais de 150 mil dessas mortes foram resultado direto do conflito armado, enquanto outras ocorreram em decorrência da fome e de doenças provocadas pela crise humanitária causada pela guerra.

Uma trégua mediada pela ONU em 2022 levou a um período de relativa redução das hostilidades entre os dois lados, até que a violência voltou a aumentar em agosto.

https://stories.cnnbrasil.com.br/internacional/entenda-impactos-do-bloqueio-dos-houthis-a-arabia-saudita-no-mar-vermelho/.

Operação busca recuperar territórios sob controle do grupo apoiado pelo Irã; escalada pode afetar navegação no Mar Vermelho e agravar crise humanitária.

Em números

  • A guerra no Iêmen, iniciada em março de 2015, havia provocado 377 mil mortes até o fim de 2021, incluindo vítimas de ca
  • Mais de 150 mil dessas mortes foram resultado direto do conflito

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