Ir para o conteúdo
Política Revisado por ULTRA AI

Etiqueta de dinheiro, bilhete e foto de carro: autor de homicídio no Maranhão entregou à PF supostas provas

Condenado por homicídio em São Luís entregou à PF documentos que, segundo ele, podem ajudar a comprovar a participação do grupo do governador Carlos Brandão (MD

5 min de leitura
Etiqueta de dinheiro, bilhete e foto de carro: autor de homicídio no Maranhão entregou à PF supostas provas

Gilbson Cutrim Júnior – condenado por um homicídio em São Luís que trouxe à tona suspeitas de um esquema de desvio de dinheiro público no Maranhão – entregou à Polícia Federal (PF) documentos que, segundo ele, podem ajudar a comprovar a participação do grupo do governador Carlos Brandão (MDB) em crimes.

um papel escrito à mão com números de processos; a etiqueta que acompanhava um maço de dinheiro vivo; e o vídeo de um carro estão entre as supostas provas.

De acordo a defesa de Gilbson Júnior, o governador e familiares combinaram com ele a "cobrança de processos referentes a recebíveis de gestões passadas e o transporte de valores para o escritório da família" Brandão.

O esquema, segundo Gilbson Júnior, consistia em procurar empresas que tinham valores a receber de governos anteriores e combinar o pagamento, na atual gestão, desde que os empresários devolvessem uma parte do dinheiro.

Gilbson Júnior foi condenado por matar um homem a tiros em agosto de 2022, em um centro comercial de São Luís, o Tech Office. Inicialmente, a Polícia Civil do Maranhão concluiu que o homicídio, à luz do dia, resultou de uma briga pessoal.

Em 2024, ele foi condenado sozinho pelo crime a uma pena de 13 anos de prisão.

Depois, porém, a PF entrou no caso e apontou que o assassinato tinha relação com um suposto desentendimento devido à divisão de propinas oriundas de contratos públicos.

Na última terça (18), o g1 revelou um depoimento que Gilbson Júnior prestou à PF. Ele afirmou que teve várias reuniões com o governador Carlos Brandão dentro do Palácio dos Leões, sede do Executivo maranhense, e transportava dinheiro para o local.

Na segunda-feira (17), o ministro Flávio Dino, relator das investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu afastar do cargo o presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), Daniel Brandão — que é sobrinho do governador.

Daniel é suspeito de envolvimento nos crimes e estava presente na reunião no Tech Office que culminou no homicídio.

Dino afasta presidente do Tribunal de Contas do Maranhão por 180 dias.

Antes de Gilbson Júnior e seus familiares decidirem contar sua versão e implicar políticos nos crimes, o assassino teria recebido pagamentos mensais, em dinheiro vivo, para ficar em silêncio, de acordo com sua defesa.

Em um dos encontros para recebimento do dinheiro em espécie, foi retirada uma foto do carro usado", disse a defesa, com o objetivo de identificar o proprietário a partir da placa.

Ainda segundo a defesa, em um dos pagamentos mensais, "foram entregues maços de dinheiro com etiqueta identificável do Banco do Brasil.

A família de Gilbson Júnior tirou uma foto da etiqueta que teria vindo no maço de dinheiro e a apresentou aos investigadores.

A ideia é ajudar a polícia a identificar a agência bancária para chegar em quem sacou aquelas notas.

A defesa do assassino confesso também entregou à PF prints de contatos telefônicos e o recibo do pagamento feito pela empresa que gerou a briga que resultou no homicídio em 2022.

Daniel Brandão, afastado do TCE-MA, afirmou em nota no início da semana que vai comprovar sua "absoluta inocência". Ele disse estar "à disposição das autoridades e do Poder Judiciário para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

O governador Carlos Brandão negou as suspeitas e afirmou que é "revoltante que o depoimento de um réu confesso" seja visto com credibilidade.

Veja a nota do governador na íntegra.

Recebo com indignação a acusação de que eu seria chefe de uma organização criminosa, e de que recebi valores de um criminoso dentro do Palácio. Isso é inadmissível.

É revoltante ver que o depoimento de um réu confesso, que cumpre pena por um assassinato em local público e que mudou a versão sobre o caso, está pautando a discussão, sem qualquer questionamento sobre sua credibilidade ou veracidade.

Não há sequer uma prova de todas essas inverdades que estão sendo ditas.

Tenho 35 anos de vida pública e até antes do rompimento entre grupos políticos, nunca tinha respondido a nenhum processo. Foi só depois disso que passei a ser alvo de acusações e ações judiciais.

Tudo que construí na vida – minha trajetória, minha família, meu patrimônio – foi com muito trabalho. Não aceito que queiram jogar minha história na lama.

Destaco que minha defesa continua não tendo acesso à integralidade dos autos do inquérito. Mesmo assim, seletivamente, foram publicizadas três decisões.

Destas, me chamou atenção o fato de que a própria Procuradoria-Geral da República se manifestou no sentido de que este caso não deve ser conduzido pelo Supremo Tribunal Federal.

Tenho serenidade de que a verdade vai prevalecer. Inclusive, enquanto governador, tenho mais de 70% de aprovação. Por isso, sigo focado no que sempre fiz ao longo de toda a minha vida pública: trabalhar muito pelo povo do Maranhão.

Fontes

Informação baseada em material público de G1 Política, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • G1 Políticalink

Leia também

Mais em Política
Política — imagem padrão
Política

Ciro Gomes lidera disputa pelo governo do Ceará, diz Ipsos-Ipec

Levantamento da Ipsos-Ipec, divulgado na 5ª feira (20.ago. 2026), mostra que Ciro Gomes (PSDB) lidera a disputa pelo governo do Ceará com 50% das intenções de voto em um eventual 2º turno contra o petista Elmano de Freit

Em Política