O assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o "Escudo das Américas" lançado presidente Donald Trump tenta impor um "cerco" e uma "dominação absoluta" contra o Brasil sob o argumento "falso" de combater o crime organizado.
- de 25%: diante do entendimento de que o Brasil adota práticas desleais contra empresários americanos em áreas como PIX, etanol, propriedade intelectual e desmatamento.
- de 12,5%: diante do entendimento americano de que dezenas de países, incluindo o Brasil, falharam ao coibir importação de mercadorias produzidas em locais onde há trabalho forçado.
A coalização reúne presidentes de países latino-americanos mais alinhados a Trump, a exemplo de Javier Milei (Argentina), Abelardo de la Espriella (Colômbia) e Nayib Bukele (El Salvador).
No mês passado, após um pedido do governo Trump, o grupo assinou um acordo para designar formalmente facções criminosas como "ameaças compartilhadas" e torná-las alvos de sanções.
As facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) estão entre os 24 grupos citados como alvos da proposta.
Auxiliares diretos do presidente Lula afirmam que a medida do "Escudo das Américas" foi "muito grave", representando uma "porta de entrada" para ações militares na região, a exemplo do que aconteceu na Venezuela e na Colômbia.
Para integrantes do Palácio do Planalto, os países da região querem, de um modo geral, manter boa relação com o Brasil, mas, por diferentes motivos, decidiram apoiar a iniciativa do governo americano.
Isso porque, dizem, enquanto Milei, Bukele e Espriella assinaram o documento por alinhamento automático a Trump, países como Equador, Paraguai e Panamá participaram por estratégia política, como buscar recursos financeiros e evitar ações militares americanas em seus territórios.
Neste ano, o governo Trump decidiu classificar as facções PCC e CV como organizações terroristas, o que foi criticado por integrantes do governo Lula, que argumentaram que a "rotulação" não resolve o problema do crime organizado.
Para Amorim, os Estados Unidos também utilizaram o tarifaço contra produtos brasileiros vendidos no mercado americano para tentar "intimidar" o presidente Lula em meio ao processo eleitoral brasileiro.
Ao todo, a Casa Branca anunciou dois tarifaços contra produtos brasileiros.
Segundo negociadores brasileiros, a avaliação é que os tarifaços tiveram motivação política, uma vez que os negociadores americanos desconsideraram os dados apresentados e se valeram de informações improcedentes, como a de que os EUA têm déficit com o Brasil - enquanto, na verdade, a relação é superavitária para os Estados Unidos.
O tarifaço não foi uma medida econômica, tanto que eles tiveram que voltar atrás de algumas porque a própria Suprema Corte disse que eram ilegais. O tarifaço foi uma medida de intimidação.
A gente procura tentar levar isso de uma maneira como se fosse para poder negociar alguma coisa, mas na realidade é uma medida de intimidação", afirmou Amorim.
É que o Lula e o Alckmin não têm medo de tarefas difíceis, eles enfrentam. Essa é a questão. E eles [EUA] querem alguém que se acomode e faça o que eles querem, pra ser um grande Porto Rico, com todo respeito ao povo de Porto Rico", completou o assessor de Lula.
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