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Política

Distância afasta brasileiros que vivem no exterior das urnas e eleva abstenção

Mais de 62% dos inscritos para votar não compareceram no primeiro turno para presidente

3 min de leitura
Política — imagem padrão

A distância do centro de votação é um dos principais fatores que afastam o eleitor brasileiro no exterior das urnas para a votação para presidente, a única da qual se pode participar fora do Brasil.

No primeiro turno destas eleições, no último dia 4, 62,7% dos aptos a votar no exterior se ausentaram das urnas, um aumento de seis pontos percentuais em relação a 2022.

São mais de 574 mil pessoas. O número é quase o triplo do da abstenção em território brasileiro —21%.

Apatia com a política e esquecer de transferir o título de eleitor também são ingredientes importantes para esse resultado. Mas funcionários consulares, especialistas e, em especial, os próprios eleitores, elencam a distância das urnas como o fator preponderante.

O Brasil organiza votações para presidente no exterior desde 1989, ano em que ao redor de 18,5 mil brasileiros estavam aptos a votar fora do país. Hoje esse número chega a 916,5 mil.

As eleições são organizadas por 146 postos (consulados, embaixadas) em 167 locais de votação.

Mas muitas vezes acessar a urna se torna uma tarefa custosa, em tempo e em dinheiro. A escritora e professora universitária Bruna Dantas Lobato, 35, natural de Natal (RN), vive nos Estados Unidos desde 2011.

Para votar, Bruna precisa ir ao estado vizinho de Illinois, na cidade de Chicago. São ao redor de dez horas de carro na estrada, ida e volta, além dos custos com pedágio, gasolina, alimentação e eventual hospedagem.

Votar para ela é uma maneira de exercer a cidadania e de se conectar com a nacionalidade. "Como imigrante, já me sinto muito de fora, ações como essa são a minha chance de fazer parte do meu povo, reafirmar e exercitar meus valores políticos é muito importante", diz.

Mas Bruna sabe que essa possibilidade, de empregar tempo e dinheiro, não é uma realidade para todos. Compartilhando desse sentimento, o brasileiro Pedro Morel Rosa, 27, carioca que vive em Paris, criou uma plataforma pública chamada "Voto Lá Fora.

Trata-se de um site que conecta pessoas que querem oferecer caronas para ir ao centro de votação e mesmo hospedagem em suas casas para aqueles que vêm de longe votar.

Até a última quarta-feira (14), quando ele falou com a reportagem, mais de 900 pessoas já haviam se cadastrado.

Pedro diz que foi motivado pelo que viu na hora de votar: pessoas chegando com malas, porque haviam acabado de sair da estação de trem, vindo de longe, e amigos oferecendo suas casas para que brasileiros possam se hospedar no segundo turno.

Em números

  • São mais de 574 mil pessoas
  • Hoje esse número chega a 916,5 mil
  • Até a última quarta-feira (14), quando ele falou com a reportagem, mais de 900 pessoas já haviam se cadastrado

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