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Em 19 de agosto de 2026, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo deferiu parcialmente os pedidos da Casas Bahia e determinou a realização de uma perícia prévia para avaliar as condições financeiras e operacionais da companhia.
O pedido de recuperação judicial, porém, ainda não foi deferido pela Justiça.
No mesmo mês, como parte da 2ª fase de seu plano de transformação, a empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e uma nova rodada de cortes no quadro de funcionários.
Cerca de 1. 900 trabalhadores foram demitidos de 13 a 17 de agosto, mas a Justiça do Trabalho suspendeu provisoriamente os desligamentos.
Parte relevante da perda, porém, não representa saída imediata de caixa. O resultado foi afetado por uma série de eventos não recorrentes.
Isso significa que a empresa tinha mais obrigações de curto prazo do que recursos de curto prazo para cobri-las. Já o patrimônio líquido negativo indica que o total de suas obrigações superava o valor de seus ativos.
O pedido ainda está em fase inicial. A Justiça de São Paulo determinou uma constatação prévia, procedimento usado para avaliar as condições da empresa e verificar se estão presentes os requisitos para o processamento da recuperação judicial.
A medida significa que a Casas Bahia ainda não está oficialmente em recuperação judicial. O processamento do pedido dependerá da conclusão da análise determinada pela Justiça.
A varejista já havia passado por uma reestruturação de dívidas. Em 2024, a companhia realizou uma recuperação extrajudicial, com renegociação de passivos com credores.
A operação tinha como objetivo reduzir a pressão financeira e dar condições para a execução de um plano de transformação.
A estratégia, no entanto, não foi suficiente para eliminar o problema de endividamento.
A deterioração se dá em um ambiente de juros elevados e crédito mais caro, cenário especialmente relevante para uma empresa que atua na venda de bens duráveis.
Produtos como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos dependem, em grande parte, de parcelamentos e financiamentos. Com o custo do crédito elevado, o consumidor tende a reduzir ou adiar esse tipo de compra.
Ao mesmo tempo, o custo financeiro pesa diretamente sobre empresas endividadas. A Casas Bahia tem parte relevante de suas obrigações financeiras atrelada a taxas de juros, em um cenário de Selic a 14% ao ano em agosto de 2026, o que mantém o Brasil entre os países com as maiores taxas de juros reais do mundo.
Isso aumenta as despesas para manter a dívida.
A combinação de menor capacidade de consumo, crédito mais restrito e custo financeiro elevado dificultou a recuperação da companhia mesmo depois das medidas de reestruturação adotadas nos últimos anos.
A crise é resultado de um processo que se acumulou ao longo dos últimos anos. A companhia vem tentando reduzir custos, diminuir o tamanho da operação e melhorar o fluxo de caixa desde 2023.
A medida recuperação extrajudicial de 2024 permitiu alongar prazos e alterar condições de determinados passivos, mas não eliminou a exposição da companhia ao custo elevado do endividamento.
Em 2026, a pressão voltou a aumentar. A administração tentou executar uma nova etapa do plano de transformação enquanto buscava alternativas para melhorar a estrutura de capital.
A companhia enfrenta dificuldades simultâneas: endividamento elevado, despesas financeiras, necessidade de capital de giro, pressão sobre o consumo e redução da estrutura operacional.
O pedido de recuperação judicial é mais um capítulo de um processo de reestruturação que já dura anos.
Há ainda uma investigação da Polícia Federal sobre uma possível fraude no sistema de metas. A empresa é suspeita de ter alterado dados financeiros para reduzir ou evitar o pagamento de bônus e premiações a gerentes de lojas.
O desempenho das ações na semana mostra como o mercado recebeu o agravamento da crise. A varejista terá de executar essa reestruturação enquanto mantém lojas, centros de distribuição e comércio eletrônico funcionando.
Fontes
Informação baseada em material público de Poder360, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.