Sem o acerto de uma conversa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com Donald Trump e também de reabertura de negociações, o governo Lula decidiu iniciar oficialmente o processo de reciprocidade contra o novo tarifaço para mandar um recado aos Estados Unidos.
Não vai ficar parado diante da decisão do governo Trump de só retomar negociações após as eleições deste ano no Brasil.
Na avaliação da equipe de Lula, o governo Trump quer esperar o resultado das eleições por entender que, numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro, terá condições de obter mais vantagens nas tratativas com o Brasil.
Se Lula for reeleito, as negociações seguirão mais duras e com menor espaço para Trump impor seus desejos ao governo brasileiro.
Por isso, o início do processo de reciprocidade foi mais um ato político num ano eleitoral, para mostrar internamente que o Brasil não se curva às pressões americanas que acabam prejudicando o empresariado brasileiro e trabalhadores do país.
Esse tema será usado por Lula na sua campanha presidencial, buscando associar Flávio Bolsonaro a uma postura favorável a Donald Trump.
Segundo integrantes do Itamaraty, a embaixada do Brasil vai notificar ainda nesta sexta-feira (14) o Departamento de Estado, o Departamento de Comércio e o USTR sobre a decisão do governo acerca da Lei da Reciprocidade.
Este é o caminho definido na lei como "consultas diplomáticas". O objetivo é tentar um diálogo com as autoridades americanas antes de tomar uma decisão sobre implementar ou não a lei.
Conforme diplomatas, o anúncio do Palácio do Planalto representa um movimento necessário para o Brasil implementar a lei, mas não quer dizer que a decisão esteja tomada.
Isso porque o processo de consultas pode levar meses.
Um dos objetivos com o movimento do Planalto, segundo relatos, é o governo brasileiro passar a mensagem de que tem o instrumento à disposição e garantir que, se ao final do processo de consultas o governo eventualmente decidir pela reciprocidade, poderá argumentar que ouviu os diferentes setores do próprio governo, agentes privados e, ainda, autoridades americanas.
Acrescentou, ainda, que não cabe chegar a eventuais conclusões “quando se está dando apenas o primeiro passo”.
Fontes
Informação baseada em material público de G1 Política, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.