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Política

Brasil de instituições em ruína e mal-estar econômico facilita projetos autoritários

Desgosto antissistêmico, que vem desde 2013, piora com notícias de crime no poder

3 min de leitura
Política — imagem padrão

O Brasil prepara a cama para quem venha a tentar uma solução autoritária? Para um autocrata eleito pela coalizão dos desesperados com os espertos do status quo.

Imagine-se uma situação em que seja extensa a sensação de baderna e descontrole, de expansão do crime e de ameaça a valores que constituem a identidade de seu grupo; um ambiente de notícias de corrupção, de padecimento socioeconômico e de cinismo em relação ao sistema de governo, sentimentos então exacerbados por pânicos político-morais manejados de modo a dar sentido a tudo isso.

Em escala menor, havia ingredientes dessa lista entre os mal-estares que precederam a revolta de 2013. Nenhum grupo político deu consequência imediata às insatisfações de então, de resto voltadas contra os partidos que estavam ali.

No entanto, passou a se organizar um movimento que viria a se valer do desgosto antissistêmico, aprofundado pela Grande Recessão. Tal movimento chegou ao poder em 2018, com Jair Bolsonaro.

Desde então conta com o apoio de um terço a metade do eleitorado.

O risco de autoritarismo vai além daquele representado pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), que em parte se baseia na ideia de restauração de Bolsonaro 1 e, pois, de negação de que houve tentativa de golpe e de afirmação do plano de controlar instituições como polícia e Justiça.

Além disso, tal candidatura elogia autocratas, de Bukele a Orban, passando por Trump, ou a eles se associam.

Para certos grupos sociais, o bolsonarismo seria apenas um Cavalo de Troia no qual galopariam para defender reformas ou interesses econômicos —em vez de cavalcantes, podem ser cavalgados.

Não é destino. Graças, artimanhas e reconfigurações da política e até do ambiente econômico podem dar em resultados diversos. Mas o campo arruinado está aberto para aventuras políticas diversas.

O Supremo, quase metade sob suspeita de corrupção, está dividido entre grupos que disputam a maioria de votos pelo poder de controlar a política, seus acordões, favores empresariais e o que passa por Justiça —o conflito vai além desta eleição.

A disputa eleitoral de 2026 também é corrida para subverter ainda mais o STF.

O crime das facções entranhou-se no poder em estados como o Rio de Janeiro e infiltra-se em cidades como São Paulo. Domina a amazônia, aproveitando-se da destruição, e por ali também organiza a empresa bandida (associada a empresas "legais") de drogas, armas, minérios, gado e madeira.

Entrincheirou-se nos combustíveis e tem domínios na finança, a mesma que administra o dinheiro da corrupção política e empresarial. O Congresso é disputa de feudos para a apropriação de recursos estatais a fim de eternizar dinastias e grupos políticos, empresariais ou puramente criminais.

A facilidade com que Daniel Vorcaro comprou a elite no poder reforça a ideia de que o comércio político seja ainda mais extenso.

O país passará no mínimo por um período de dificuldades econômicas. Parte da solução do problema envolve a disputa mais acirrada pelo Orçamento —no curto prazo, perdas e ganhos, embora vá muito além disso, o que a desinformada esquerda não entende.

O cinismo ou a revolta em relação ao sistema político não vai diminuir em tempos de dureza econômica e instituições destruídas. Diante da paisagem arruinada e do conflito sociopolítico, a ideia de solução autocrática pode atrair adeptos das piores intenções ou das piores ilusões.

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