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Política

Após Bachelet desistir de concorrer à ONU, Brasil defende que região tem mulheres 'à altura do cargo'

País vem defendendo que mulher latina assuma cargo de secretária-geral da ONU no lugar do português António Guterres. Lula discursará nesta terça (22) na ONU e

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Após Bachelet desistir de concorrer à ONU, Brasil defende que região tem mulheres 'à altura do cargo'

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) divulgou uma nota na qual reforçou que a região tem mulheres “à altura” de assumir o comando da Organização das Nações Unidas (ONU).

  • reforçar a defesa do chamado multilateralismo.
  • criticar guerras e conflitos pelo mundo.
  • defender a soberania brasileira, num momento em que integrantes do governo veem uma tentativa americana de influenciar as eleições presidenciais deste ano.
  • Qual o papel do cargo? O secretário-geral da ONU é o principal representante da organização e atua como uma espécie de chefe administrativo e diplomata-chefe.

A nota foi divulgada após a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ter anunciado a retirada de sua candidatura, que contava com o apoio do governo brasileiro.

Bachelet desistiu de concorrer ao cargo no sábado (19), após perder apoio do Chile (entenda mais abaixo).

O Brasil vem defendendo que, pelo critério de rotatividade, cabe à América Latina indicar o próximo secretário-geral da entidade, sucedendo o português Antonio Guterres, cujo mandato acaba neste ano.

A candidatura de Bachelet foi anunciada num contexto em que o Chile era governado por Gabriel Boric, de esquerda.

Em março, quando Antonio Kast, de direita, já havia assumido como novo presidente do país, o governo chileno retirou o apoio ao nome da ex-presidente, e sua candidatura foi bancada pelo Brasil e pelo México, dois países governados por presidentes de esquerda (Lula e Cláudia Sheinbaum).

Duas vezes Chefe de Estado de seu país, ex-Ministra da Saúde e ex-Ministra da Defesa, primeira Diretora da ONU Mulheres e ex-Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet é uma prova de que nossa região conta com mulheres à altura do cargo e plenamente comprometidas com a Carta das Nações Unidas e com a promoção do diálogo e do entendimento entre os Estados Membros da Organização", afirmou o Itamaraty.

A nota não cita quem o Brasil apoiará com a desistência de Bachelet. De acordo com integrantes da diplomacia brasileira, ainda não há definição desse nome.

Conforme a nota, contudo, o perfil a ser apoiado pelo Brasil na eleição da ONU deve ser o de alguém comprometido com os princípios da ONU, entre os quais, a paz e a segurança.

O presidente Lula está em Nova York (EUA), onde discursará nesta terça no debate-geral da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Segundo interlocutores do presidente, ele deverá usar seu discurso diante de chefes de Estado para, entre outros pontos.

Ainda segundo esses interlocutores, Lula deverá se valer de uma linguagem polida no discurso, isto é, capaz de enviar recados, mas sem criar embates com outros chefes de Estado.

Nesse cenário, Lula deverá criticar investidas dos EUA, por exemplo, mas sem citar o nome do presidente Donald Trump.

O secretário-geral da ONU é eleito pela Assembleia Geral após recomendação do Conselho de Segurança para um mandato de cinco anos com possibilidade de uma reeleição.

O atual líder da organização, António Guterres, deixa o cargo neste 31 de dezembro, após exercer dois mandatos consecutivos.

Ele coordena o trabalho da ONU, participa de negociações internacionais, pode mediar conflitos e chamar a atenção do Conselho de Segurança para crises que ameaçam a paz.

Apesar de sua influência diplomática, não tem poder para impor decisões aos países por conta própria.

A votação do Conselho de Segurança realizada em agosto situou como favorita a ex-chanceler da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, com oito votos favoráveis.

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