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Política

Aliados de Lula tentam neutralidade do PSD no segundo turno e buscam ponte com Cury

Principais adversários do presidente se posicionam no antipetismo

5 min de leitura
Política — imagem padrão

Com o provável cenário de segundo turno entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prenunciado nas pesquisas eleitorais, articuladores políticos do chefe de governo vislumbram a possibilidade de obter ao menos uma neutralidade do PSD na etapa decisiva e buscam estabelecer alguma relação política com o grupo do também candidato Augusto Cury (Avante).

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Meses atrás, petistas avaliavam ser possível impulsionar Lula para uma vitória no primeiro turno. Agora, faltando pouco mais de uma semana para a eleição, o cenário se mostra inviável —Flávio Bolsonaro ganhou espaço nas pesquisas e até aparece numericamente à frente do petista em algumas simulações de segundo turno.

Uma dificuldade que o próprio Lula constatou antes mesmo de a campanha se iniciar é que seus principais adversários estão no campo antipetista, tornando quase impossível angariar apoios de candidatos a presidente derrotados na primeira votação.

A tendência é que a maior parte dos eleitores desses políticos migre para Flávio Bolsonaro.

Um dos adversários de Lula que se coloca nessa posição é Ronaldo Caiado (PSD), que apareceu na última pesquisa Datafolha com 4% das intenções de voto —o levantamento tem margem de erro de 2 pontos percentuais.

Aliados do petista acham muito difícil um acordo com Caiado, mas acreditam ser possível obter uma neutralidade de seu partido, o PSD.

Nesse caso, a conversa seria com o presidente da sigla, Gilberto Kassab, vice na chapa de Caiado. Se a legenda adotar uma neutralidade nacional, seria mais fácil para Lula cultivar alianças com líderes locais pessedistas —parte dos quais apoia o candidato à reeleição já no primeiro turno.

Entre articuladores do presidente da República, também há a avaliação de que uma parte do eleitorado de Caiado é de uma direita tradicional que não gosta de Lula, mas que também rejeita Flávio Bolsonaro.

Seria possível, de acordo com esse cálculo, obter alguns votos de segundo turno desse grupo com base na rejeição ao adversário.

Terceiro colocado nas pesquisas, Augusto Cury tem dito que não apoiará nem Lula nem Flávio Bolsonaro. O Datafolha mostrou Cury com 6% das intenções de voto.

Articuladores do presidente da República buscam estreitar conversas com o grupo próximo a Cury, ainda que aliados do candidato do Avante avaliem que ele provavelmente ficará neutro no segundo turno.

Lula tem setores do Avante dentro de sua aliança política. Por exemplo: o presidente do partido na Bahia, o deputado estadual Ronaldo Carletto, é o primeiro suplente na candidatura de Rui Costa (PT) a senador.

Costa é um dos aliados mais poderosos de Lula. Foi ministro da Casa Civil no atual governo, deixando o posto apenas para se candidatar ao Senado. Sua eleição como senador é dada como certa na Bahia.

Se Lula também for reeleito, provavelmente Costa será ministro de novo. Ou seja, existe a possibilidade de o primeiro suplente assumir o mandato de senador.

Os demais candidatos a presidente da República ou fazem ataques muito diretos a Lula ou têm intenção de voto muito baixa. Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) também são vocais representantes do antipetismo, assim como seus partidos.

Eles apareceram com 3% e 2% no último Datafolha, respectivamente.

Há candidatos de partidos menores de esquerda, mas nenhum deles obteve mais de um 1% das intenções de voto na pesquisa.

Como mostrou a Folha, no conjunto formado por eleitores de Cury, Caiado, Renan e Zema, Flávio Bolsonaro capta 43% das intenções de voto no segundo turno, contra 30% de Lula.

Outros 26% optam pelo voto branco, nulo ou nenhum.

Meses atrás, o grupo político de Lula e articuladores do governo federal agiram para afastar de Flávio Bolsonaro partidos como União Brasil, PP e Republicanos. O esforço foi bem sucedido: o adversário se lançou na disputa com apoio formal apenas do próprio partido, o PL, e o petista ficou com o maior tempo de TV na campanha de primeiro turno.

As conversas foram facilitadas pelo favoritismo que Lula tinha na época. De lá para cá, Flávio Bolsonaro avançou nas pesquisas. Agora, grupos políticos do Centrão discutem aderir à candidatura bolsonarista no segundo turno.

O cenário de dificuldade para ampliar a aliança em segundo turno é inédito para Lula.

Em 1989, quando disputou a Presidência pela primeira vez, Lula foi para o segundo turno contra Fernando Collor (então no PRN) e recebeu o apoio de políticos como Leonel Brizola (PDT) e Mário Covas (PSDB), que tinham sido derrotados na primeira votação.

Collor venceu o petista naquela disputa.

Em 1994 e 1998, Lula perdeu para o tucano Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno.

Lula venceu a eleição de 2002, quando disputou o segundo turno contra José Serra (PSDB). Na etapa decisiva, recebeu o apoio de Anthony Garotinho (então no PSB, hoje no Republicanos) e Ciro Gomes (então no PPS, hoje no PSDB).

Em 2006, contra o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB, à época no PSDB), o petista não recebeu apoios formais, mas absorveu eleitores que tinham votado no primeiro turno em Heloísa Helena (então no PSOL, hoje na Rede) e Cristovam Buarque (então no PDT, hoje no PSB), ambos do campo da esquerda.

Em sua mais recente eleição, em 2022, Lula obteve o apoio de Simone Tebet (então no MDB, hoje no PSB) para o segundo turno. Além disso, o PDT aderiu à candidatura do petista na reta final, mas sem seu então candidato, Ciro Gomes, participar da campanha lulista.

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