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Polícia

Preso em desmanche com 260 peças de motos, empresário diz ter notas fiscais

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Preso em desmanche com 260 peças de motos, empresário diz ter notas fiscais

Funcionário detido relata que patrão levava componentes à loja e mandava que ninguém mexesse.

Mais de 260 peças e componentes de motocicletas foram apreendidos pela Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos) durante a operação que revelou um desmanche clandestino em Campo Grande, nesta terça-feira (22).

Preso na ação, o empresário Phellipe Rodrigues Nunes de Carvalho, dono da PH Moto Forte, negou ter adquirido materiais de origem criminosa e alegou possuir notas fiscais e documentos que comprovam a procedência de boa parte das peças.

Entre o material recolhido estão 65 motores de motocicletas, 16 tanques, 28 escapamentos, 36 rodas, 58 bandejas de suspensão, 35 carenagens, dois garfos de suspensão e um quadro de motocicleta, além de duas motocicletas com sinais de identificação apagados.

Phellipe também assumiu a propriedade da pistola Glock G25, calibre . 380, encontrada durante as buscas na residência, e fez questão de afastar a esposa, Emely Caroline Stopa Lourenço, de qualquer relação com a arma.

Além da pistola, foram apreendidos três carregadores e 21 munições intactas, três chaves do tipo micha e aparelhos celulares.

Os componentes foram encontrados em imóveis ligados ao empresário. Na residência de Phellipe, os policiais localizaram 14 motores em um cômodo próximo à escada.

Outros 51 estavam no imóvel vizinho, apontado pela investigação como local utilizado para desmontar motocicletas e separar as peças.

Durante as buscas, os investigadores encontraram uma passagem atrás de um freezer, ligando diretamente a casa do empresário ao imóvel usado como desmanche. Segundo a polícia, a estrutura dava acesso aos dois endereços, onde havia motocicletas desmontadas e componentes em diferentes estágios de separação.

Phellipe negou, porém, que o espaço fosse uma passagem criada para esconder materiais. Segundo ele, o cômodo funcionava como depósito da empresa por falta de espaço na loja.

Ele explicou que colocou uma geladeira em frente à abertura para não deixar o local exposto e afirmou que havia outros objetos armazenados no cômodo, como sofá e material de construção.

O empresário contou ainda que adquiriu a empresa há alguns anos e já recebeu o estabelecimento com grande quantidade de peças antigas. Segundo ele, materiais que deixavam de ter saída comercial eram retirados da loja e armazenados no imóvel.

Motores - Sobre os motores e componentes apreendidos, Phellipe negou ter comprado material proveniente de furtos ou roubos. Segundo ele, boa parte dos itens foi adquirida legalmente em lojas, leilões ou estabelecimentos que comercializam sucatas para retirada de peças.

O empresário afirmou trabalhar com motores considerados inservíveis e alegou que parte deles já chega com a numeração raspada por ter sido destinada à prensa após leilões.

Questionado se possuía nota fiscal de todos os objetos apreendidos, Phellipe admitiu que não tinha documentação individual de todas as peças, mas afirmou que conseguiria comprovar a origem.

Segundo ele, motores e motocicletas provenientes de sucata são vendidos para oficinas para desmontagem e reaproveitamento de componentes internos. As carcaças numeradas, conforme o empresário, não teriam aproveitamento e seriam descartadas.

Durante o interrogatório, o delegado informou que as equipes encontraram motores com sinais de adulteração que, segundo a investigação, não correspondiam apenas a veículos baixados pelo Detran.

Phellipe contestou a conclusão e afirmou que a origem dos materiais poderá ser comprovada durante a investigação.

Entre os veículos encontrados estavam uma Honda Twister 300 com a numeração de identificação retirada e uma Yamaha Fazer 250 com o número do chassi apagado. Também foram apreendidos dois motores cujas identificações apresentavam sinais de adulteração.

Questionado especificamente sobre as duas motocicletas encontradas inteiras, Phellipe afirmou que eram sucatas ainda não desmontadas. Disse ter comprado os veículos em um ferro-velho, mas admitiu que não recebeu nota fiscal diretamente pela aquisição.

Segundo ele, o estabelecimento que vendeu as motocicletas possui a documentação que comprova a origem. “Ele tem a nota das motos que comprou. Eu não fiquei com comprovante porque comprei confiando na nota dele”, afirmou.

O delegado questionou a ausência de documentação apresentada pelo empresário e apontou os sinais de adulteração nos veículos. Phellipe negou que isso caracterizasse receptação e insistiu que a polícia poderia procurar o estabelecimento onde teria comprado as motos para confirmar a origem.

O empresário também afirmou que parte das motocicletas seria proveniente de leilões destinados à prensa e que os veículos seriam vendidos posteriormente como sucata para retirada de peças.

Estoque - Phellipe afirmou ainda que costuma comprar mercadorias em São Paulo (SP) e armazená-las fora da loja devido à falta de espaço.

Ele disse possuir notas fiscais dessas compras e afirmou que poderia apresentar os documentos durante a investigação.

Na PH Moto Forte, os policiais recolheram dois notebooks, quatro máquinas de cartão, uma CPU, um equipamento Denso ECU Programmer, uma câmera de segurança e dois motores com sinais de adulteração nas identificações.

No imóvel utilizado como desmanche, também foi localizado um bloqueador de sinais, conhecido como jammer. Conforme a investigação, o equipamento poderia ser utilizado para dificultar o rastreamento de motocicletas furtadas ou roubadas antes do transporte e desmontagem.

A operação também resultou na apreensão de três veículos de passeio ligados aos investigados: um Honda Civic, uma Toyota Hilux e um Volkswagen Up.

Todo o material foi encaminhado para perícia, que deverá auxiliar na identificação da origem das peças e de possíveis veículos relacionados aos crimes investigados.

Preso durante a operação, o funcionário Rhaul Anntony Vidal de Souza, que trabalhava como mecânico na loja desde março, também negou participação no esquema.

Em depoimento, afirmou que Phellipe era o proprietário do estabelecimento e responsável pela venda das peças. Questionado sobre componentes que poderiam ser provenientes de furtos ou roubos, disse que o empresário levava peças para a loja e determinava que ninguém mexesse nelas.

Rhaul negou, porém, ter atuado em conjunto com Phellipe ou participado de qualquer atividade criminosa. Também afirmou nunca ter presenciado o empresário raspando ou adulterando números de identificação de veículos.

Sobre a residência de Phellipe, contou que já esteve algumas vezes no imóvel, mas afirmou nunca ter visto os motores armazenados no cômodo próximo à escada e desconhecia a existência da passagem escondida.

O funcionário também foi questionado sobre Emely. Disse conhecê-la e saber que ela possui uma loja de roupas, mas afirmou desconhecer qualquer envolvimento dela com atividades criminosas.

Phellipe também afirmou que a esposa possui atividade comercial própria e que os negócios e as finanças dos dois são independentes. “Minha esposa tem o comércio dela e eu tenho o meu.

O dinheiro dela é dela e o meu é meu. Ela não tem ciência do que estava guardado”, declarou.

Segundo o empresário, Emely não participou da compra, armazenamento ou comercialização dos motores, motocicletas e peças apreendidos.

Ao final do depoimento, o empresário manteve a versão de que os materiais encontrados possuem origem em compras feitas para a atividade comercial da Moto forte e que a procedência poderá ser demonstrada por notas fiscais, registros de leilões e informações dos fornecedores.

Phellipe, Emely e Rhaul foram presos durante o cumprimento dos mandados e levados para a Defurv. A investigação apura a participação individual de cada um em crimes de receptação, adulteração de sinais identificadores, desmanche e comercialização de peças de motocicletas.

Os três passarão por audiência de custódia nesta quarta-feira (23), na qual será analisada a manutenção ou não das prisões.

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