Delegado e policiais suspeitos de desviar cocaína apreendida são alvos de operação em MS.
- 2014 — Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa ingressou na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (PCMS) como delegado. Antes disso, trabalhou por cinco anos como escrivão de polícia em Goiânia (GO).
- 2014 a 2019 — Atuou em Costa Rica e na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Piratininga, em Campo Grande.
- 2019 a fevereiro de 2026 — Passou a atuar na Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), unidade responsável por investigações relacionadas ao tráfico de drogas. Ele chegou a assumir a titularidade da delegacia.
- 10 de fevereiro de 2026 — Foi designado para assumir a titularidade do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), em Campo Grande.
- Junho de 2026 — Deixou o comando do Garras e foi removido para a 6ª Delegacia de Polícia de Campo Grande.
- 24 de setembro de 2026 — Hoffman se tornou alvo da Operação Infiltrados, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Ele foi alvo de mandado de prisão preventiva e de busca e apreensão em uma investigação que apura a suspeita de participação de policiais em um esquema de desvio de drogas.
- Nelson Ricardo Barros de Oliveira — Policial Civil (defesa ainda aguarda acesso aos autos para se manifestar).
- Matheus Gabriel Machado Bezerra — empresário (defesa ainda aguarda acesso aos autos para se manifestar).
- Neverson Vieira de Araújo — Policial Civil.
- Augusto Torres Galvão Florindo — Preso em flagrante no dia 28 de novembro de 2025 ao receber R$ 130 mil em espécie como pagamento por mercadorias desviadas por ele do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros).
- Roberto Palmeira da Silva — Policial Civil (tem mandado de prisão, não foi encontrado e a defesa afirmou que deve se apresentar ainda nesta quinta).
- Weslei Benítez — Amigo próximo de LK. Defesa nega qualquer envolvimento.
- Heberti Barbosa — Defesa não foi localizada.
- Kayon Lucas Leodoro da Silva — Acusado de atentado que feriu cinco pessoas no Portal Caiobá, era monitorado por tornozeleira eletrônica e agora está preso. Defesa acompanha a situação.
O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, da 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, se entregou à Corregedoria da Polícia Civil na tarde desta quinta-feira (24) e foi preso como alvo da Operação “Infiltrados”, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Ele é suspeito de usar a função pública para desviar drogas apreendidas em ocorrências policiais e repassá-las a uma organização criminosa.
Conforme apurado pelo g1, Hoffman chegou à sede da Corregedoria por volta das 17h, acompanhado do advogado. Outros dois policiais investigados também se entregaram e permanecerão presos.
Antes de ser transferido para a 6ª Delegacia, em junho deste ano, Hoffman foi titular da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e do Grupo de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras).
Ele foi removido do Garras antes de assumir a 6ª Delegacia.
O advogado do delegado Hoffman, Amilton Ferreira de Almeida, confirmou que o cliente não estava em casa durante o cumprimento dos mandados na residência.
Procurada, a defesa do delegado informou que vai ingressar com um pedido de revogação da prisão na Justiça na próxima segunda-feira (28).
A operação investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais. Ao todo, são cumpridos 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Até o momento, o Gaeco confirmou a prisão de nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal. Os mandados continuam em cumprimento, e o número de presos pode aumentar ao longo da operação.
Ao longo de 12 anos, Hoffman passou por delegacias de Costa Rica e Campo Grande, atuou no combate ao tráfico de drogas e chegou a comandar o Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras).
Entre os presos também estão os civis Weslei Benítez, Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK” e Kayon Lucas Leodoro da Silva e Heberti Barbosa.
A defesa de Weslei afirmou que ele é inocente e que ainda busca esclarecer o motivo pelo qual ele é alvo do mandado de prisão. Segundo o advogado, Weslei era amigo próximo de Kayon e, como ele já havia sido preso anteriormente, a relação entre os dois teria motivado a inclusão de Weslei na investigação.
A defesa também afirmou que ele não tem relação com os policiais presos na operação.
A defesa de Heberti afirmou que ainda não teve acesso aos documentos do caso e não sabe detalhes sobre a investigação. O g1 não localizou a defesa de Kayon.
Policiais são investigados por desvio de drogas.
As investigações começaram em outubro de 2025, a partir de provas descobertas durante as Operações Traquetos e Blindspot, também do Gaeco. Segundo o Ministério Público, as apurações apontaram a participação de policiais em um esquema de desvio de drogas, principalmente cocaína.
Conforme o MPMS, os policiais investigados usavam as funções públicas para desviar drogas apreendidas em ocorrências. Segundo a investigação, o esquema ocorria de duas formas: pela omissão de parte dos entorpecentes nos registros oficiais ou pela retirada da droga diretamente dos depósitos das delegacias.
Ainda segundo a investigação, a droga desviada era repassada a traficantes ligados à organização criminosa, que a colocavam novamente no mercado ilegal.
Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirmou que os servidores das forças de segurança já eram investigados pelas corregedorias por tráfico de drogas e outros crimes.
Segundo a secretaria, três deles já haviam sido presos anteriormente e um foi exonerado recentemente, mas os nomes não foram informados. Veja a nota na íntegra ao final da reportagem.
A operação tem apoio das corregedorias das polícias Civil e Militar, do Batalhão de Choque, do Bope e da Polícia Institucional do Ministério Público Federal. A Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB/MS) também acompanha as diligências na residência de uma advogada.
O nome da operação, “Infiltrados”, faz referência, segundo o MPMS, à presença de integrantes da organização criminosa em órgãos de segurança pública e ao uso de funções e estruturas destinadas ao combate ao crime para a prática dos delitos investigados.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informa que a Operação “Infiltrados”, deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) juntamente com as Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Militar visa o cumprimento de mandados de busca e apreensão e prisão de investigados por tráfico de drogas e outros crimes.
A operação envolve servidores das forças de segurança pública que já eram investigados pelas respectivas Corregedorias, sendo que três deles já haviam sido presos anteriormente e um inclusive exonerado recentemente.
A Sejusp e as forças de segurança de Mato Grosso do Sul não compactuam com qualquer desvio de conduta ou prática ilícita por parte de seus integrantes. Eventuais desvios serão apurados com rigor, observando a legislação vigente, o devido processo legal e as garantias individuais dos investigados.
A Secretaria reafirma seu compromisso com a legalidade, a máxima transparência e o fortalecimento dos mecanismos de controle e correição das instituições que a integram.
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…