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TikTok é usado por criminosos para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram; g1

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Criminosos estão usando publicações no TikTok para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil. A divulgação ocorre nos comentários das postagens, em que os criminosos usam códigos para driblar a fiscalização da plataforma e direcionar os interessados ao material anunciado.

  • 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1.
  • a negociação é feita em conversas com um bot (robô), embora uma pessoa também possa intervir para responder às perguntas dos compradores.
  • a negociação ocorre diretamente com o criminoso, em uma conversa privada.
  • Para quem produz ou vende esse material, a pena passou a ser de 4 a 10 anos de reclusão, além de multa.
  • Para quem adquire, possui ou mantém o conteúdo, a punição é de 3 a 6 anos de reclusão e multa.
  • Polícia Militar - 190: quando a criança está correndo risco imediato.
  • Samu - 192: para pedidos de socorro urgentes.
  • Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres.
  • Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa.
  • Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e à polícia.
  • Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Não é a primeira vez que o TikTok é usado por criminosos dessa forma. No início deste ano, o g1 mostrou que grupos supremacistas usavam a rede social para exaltar Hitler e o nazismo por meio de códigos e publicações explícitas.

Antes de concluir a venda, eles costumam oferecer amostras gratuitas para conquistar a confiança do comprador e comprovar que têm o material anunciado.

O acesso, a produção e a divulgação de conteúdo de abuso sexual infantil são crimes no Brasil, reforça Ana Cláudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana, ONG voltada à proteção dos direitos das crianças.

Tanto os responsáveis por esse tipo de conteúdo quanto as plataformas podem ser responsabilizados. (veja abaixo as penas).

A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital tem como base o artigo 227 da Constituição Federal. Embora o ECA Digital tenha reforçado essa proteção, as condutas criminosas já estavam tipificadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) desde 2008, quando foram estabelecidas penas mais duras para crimes de abuso sexual infantil", afirma a especialista.

O TikTok disse que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas. "Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens", completou.

As notas enviadas pelas empresas ao g1 estão, na íntegra, no final desta reportagem.

O TikTok é usado por criminosos como porta de entrada para atrair pessoas interessadas em conteúdo de abuso sexual infantil. Para isso, eles publicam vídeos que nem sempre têm relação aparente com o material anunciado.

Um deles, por exemplo, mostra apenas um gato dançando.

Há, porém, publicações que fazem referências mais claras ao conteúdo oferecido, como vídeos com crianças. Outro exibe uma versão criada por inteligência artificial do bilionário Jeffrey Epstein dizendo ter criado um grupo em que seria possível "enviar de tudo.

Os comentários dos interessados nem sempre são respondidos pelo autor do vídeo. Em vários casos, outras contas aparentemente envolvidas na prática criminosa interagem com os usuários que demonstram interesse.

Algumas delas, por exemplo, orientam os interessados a consultar informações disponíveis na bio de seus perfis.

Até mesmo quem procura por esse material ilegal também usa códigos nos comentários para sinalizar que quer saber mais sobre o conteúdo, em vez de fazer pedidos de forma explícita.

Em uma das páginas verificadas pelo g1, os envolvidos incentivam compradores a divulgar links no TikTok em troca de acesso gratuito a novos conteúdos. A estratégia amplia o alcance do esquema e transforma os próprios interessados em divulgadores do material.

A maioria dos comentários encontrados pelo g1 no TikTok estava em espanhol, mas também havia muitos em português. Não é possível, porém, confirmar a localização dessas contas, já que a plataforma não informa o país de origem dos perfis.

O g1 consultou o site Tikip.us, que reúne dados públicos e estima a localização de contas do TikTok. Segundo a plataforma, a maior parte dos perfis monitorados estaria na Europa, principalmente na Espanha, em Portugal e na Polônia.

Em alguns casos, o TikTok chegou a bloquear buscas ao identificar que as frases pesquisadas estavam relacionadas a esse tipo de crime. Em outros, porém, códigos diferentes continuavam levando a publicações sem restrições.

Os grupos também anunciam diferentes categorias de conteúdo de abuso sexual infantil, incluindo material com violência sexual. Um deles afirma ser um dos maiores do Brasil e promete receber material de diferentes fontes, além de garantir a confidencialidade dos compradores.

Antes da compra, os criminosos costumam enviar uma prévia do conteúdo por meio de um vídeo autodestrutivo, que é apagado após a primeira visualização. Depois, eles fornecem uma chave PIX e, após a confirmação do pagamento, enviam os arquivos na própria conversa.

Para investigadores da Polícia Federal (PF) ouvidos pelo g1, o uso do PIX nesse tipo de crime mostra a sensação de segurança dos criminosos. Muitos usam contas de terceiros, de laranjas ou até de ex-namoradas.

Em uma das interações, um criminoso que diz ser do Brasil admite usar a conta bancária de uma "menina" e diz que ela provavelmente será bloqueada. Ele garante, porém, que a transação do interessado não será rastreada, o que não é verdade, segundo a Polícia Federal.

Embora os criminosos se sintam seguros ao usar o PIX, a transação deixa rastros que podem ajudar na investigação. Os dados da conta de quem faz o pagamento ficam registrados e podem ser usados pela polícia para identificar os compradores.

Além disso, bancos tradicionais geralmente identificam como suspeitas transações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e, nesses casos, podem bloquear as contas.

Lei brasileira prevê pena de até 10 anos.

Desde o início de agosto, uma nova lei prevê penas mais duras para crimes envolvendo conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes.

A legislação passa a punir também quem solicita ou acessa conteúdos de violência sexual contra crianças e adolescentes em apps de internet, serviços de streaming ou outros meios digitais", diz o governo.

As novas regras foram sancionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 6 de agosto de 2026. O texto teve origem em projeto de autoria do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) e foi aprovado pelo Senado em 7 de julho.

Desde quem produz até quem vende e quem recebe, toda essa cadeia está passível de ser responsabilizada e deve ser responsabilizada por esse crime", defende Ana Cláudia Cifali, do Instituto Alana.

A nova lei define como conteúdo de violência sexual contra crianças e adolescentes qualquer representação, por meio de registro audiovisual, que envolva criança ou adolescente, real ou fictício, em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, incluindo conteúdos gerados por IA.

Com a mudança, a legislação passa a classificar esse tipo de material como "violência sexual contra criança ou adolescente", em vez de usar o termo "pornografia.

A alteração acompanha uma discussão internacional sobre o uso desse termo, considerado por especialistas e organizações insuficiente para descrever a gravidade da violência praticada contra menores de idade.

Procurada, a Meta não comentou sobre seus filtros e disse que "emprega amplos esforços, incluindo o investimento em tecnologia, para detectar proativamente potenciais violações às suas regras e tomar as medidas cabíveis.

O TikTok, no entanto, não é o único caminho usado pelos criminosos, afirma Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil, ONG que atua na defesa dos direitos humanos na internet.

Segundo ele, a mesma estratégia é usada em plataformas como X, YouTube e Facebook. A ONG diz compartilhar com as plataformas os termos usados pelos criminosos para ajudar na identificação desse tipo de prática.

Os registros de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil têm aumentado ano a ano no Brasil. De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 4.

063 casos em 2025, um aumento de 23% em relação ao ano anterior, quando foram 3. 280.

Ainda segundo o Anuário, 34,2% dos autores denunciados às polícias civis por crimes relacionados a material de abuso sexual infantil eram adolescentes — ou seja, cerca de 1 em cada 3.

É impressionante como, em poucos segundos, foi possível chegar a esse material. Isso mostra como as redes sociais acabam servindo de porta de entrada para diferentes formas de aliciamento", afirma Cauê Martins, coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Não permitimos conteúdos que retratem ou disseminem o abuso ou a exploração sexual infantil. Quando tomamos conhecimento de qualquer conteúdo desse tipo — seja por meio dos nossos próprios métodos de detecção, denúncias da comunidade ou parcerias com a indústria —, agimos imediatamente para removê-lo, banir as contas envolvidas e reportar os casos ao NCMEC (em português: Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas).

Dados do Nosso Relatório de Aplicação das Diretrizes da Comunidade mais recente, do primeiro trimestre de 2026, demonstram a eficácia dos nossos sistemas em fazer cumprir nossas regras.

99,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos proativamente da plataforma.

Como denunciar casos de violência infanto-juvenil.

TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo.

Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes.

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