Uma moto usada para trabalhar, o equipamento de um salão de beleza ou o espaço onde funciona um pequeno comércio podem levar tempo para ser conquistados.
Se um imprevisto interrompe a atividade, a perda vai além do bem: pode comprometer a renda da família. Proteger esse patrimônio é uma das questões que seguradoras e lideranças comunitárias têm discutido ao buscar ampliar o acesso ao seguro nas periferias.
O fundador do G10 Favelas, Gilson Rodrigues, defende que os produtos, a linguagem e as formas de atendimento sejam desenvolvidos a partir da realidade dos moradores.
O presidente da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), Dyogo Oliveira, chama a atenção para o efeito de um prejuízo sobre pequenos empreendedores.
O interesse pela proteção existe, mas precisa disputar espaço com as despesas do mês. Pesquisa recente da CNseg em parceria com o Instituto Locomotiva que mapeou o interesse de moradores de comunidades mostrou que 85% dos entrevistados já buscaram informações sobre seguros ou gostariam de conhecê-los, enquanto 89% terminam o mês sem dinheiro disponível.
Proteção adequada à realidade de cada morador.
Para Julia Normande Lins, diretora da Susep (Superintendência de Seguros Privados), autarquia federal que fiscaliza o mercado segurador no país, ampliar o acesso da população ao seguro exige considerar as características de cada comunidade e explicar em que situações o produto pode ser útil.
A diretora também orientou os consumidores a buscar informações claras sobre coberturas, exclusões e condições antes de contratar. Na comparação entre produtos, vale verificar quais prejuízos dão direito à indenização, qual é o limite de pagamento e se há franquia ou carência.
Para quem usa um bem ou a própria residência como instrumento de trabalho, é necessário conferir expressamente se esse uso está contemplado no contrato de seguro (apólice).
Uma das iniciativas apresentadas pela seguradora Mapfre procura atender a pequenos empreendedores: o seguro para o espaço físico do negócio pode ser contratado inclusive quando a atividade funciona na casa do proprietário.
A companhia oferece ainda uma solução de proteção pessoal e familiar. De acordo com a seguradora, os produtos lançados em 2024 podem ser contratados pelo CPF, o que facilita o acesso de quem trabalha sem CNPJ.
Informação e presença nas comunidades.
Já a Favela Seguros aposta na formação de representantes locais para oferecer proteção familiar. Criada pela Favela Holding e pela MAG Seguros, com apoio social da CUFA (Central Única das Favelas), a empresa associa a distribuição dos produtos de seguros à capacitação e à geração de renda dentro das comunidades.
Atualmente, a empresa conta com sete representantes Paraisópolis, mas ainda possui outras vagas abertas, buscando levar proteção familiar aos moradores.
A informação também aparece como parte da estratégia das seguradoras para alcançar os moradores de comunidade. A CNP Assurances, que comercializa microsseguros no Brasil desde 2012, associa a oferta à educação financeira.
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Na Bradesco Seguros, o foco apresentado foi aproximar a proteção de decisões cotidianas sobre família, patrimônio, negócios e projetos de vida.
Para Oliveira, da CNseg, a linguagem usada pelo setor ainda dificulta essa aproximação. “Precisamos quebrar os muros invisíveis que fazem o seguro parecer algo destinado apenas a quem tem mais dinheiro.
Também precisamos falar uma língua que as pessoas entendam”, disse.
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