Segundo agentes, o mercado ainda não vislumbra neste momento um plano fiscal que abra espaço para uma queda maior dos juros. Esse ceticismo e o forte ajuste para baixo já ocorrido nas taxas dificultariam a continuidade do rali, em uma conjuntura global também mais pressionada para a renda fixa.
Trump volta a pedir juros menores nos EUA e diz que Warsh “só pode dar 1 voto” no Fed.
Trump citou a Suíça como exemplo de país com juros baixos e argumentou que os EUA não deveriam pagar mais para financiar sua dívida.
Taxas longas do Tesouro Direto voltam a subir depois de dois dias de queda.
Vencimentos curtos ficam estáveis ou recuam, enquanto os longos sobem, em dia de novo recorde dos juros de longo prazo nos Estados Unidos.
Terminados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 oscilou de 12,61%, no ajuste da véspera, para 12,605%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 12,435%, vindo de 12,46% no ajuste.
O DI para janeiro de 2031 subiu de 12,57% a 12,600%.
Em igual horário, o retorno da T-Note de 2 anos cedia a 4,758%, o da T-Note de 10 anos operava praticamente estável, em 5,291%, e o do T-bond de 30 anos subia a 5,670%.
A ata do Federal Reserve (Fed), por sua vez, sugeriu novo aumento dos juros este ano, conforme já previsto por analistas, com impacto neutro na curva.
Para o sócio-fundador e diretor de investimentos (CIO) da Persevera Asset, Guilherme Abbud, o cenário local foi o principal indutor dos negócios nas últimas semanas, assim como nesta quarta, com a mudança de expectativas sobre o resultado da eleição presidencial, que ganhou novo fôlego após o primeiro turno.
Passada a primeira reação de euforia, ele avalia que os players não estão confortáveis para antever um ajuste fiscal forte que permita uma queda mais significativa dos juros, o que mantém algum prêmio nas taxas.
Na visão do CIO, por mais que reformas sejam bem-vindas, um choque de expectativas causado por declarações mais fiscalistas de eventual novo governo já seriam suficientes para diminuir a percepção de risco dos agentes e dar conforto ao BC em um ciclo de baixa mais forte da Selic.
Com juros menores, diz, uma boa parte do ajuste seria feito via redução do custo da dívida.
O economista-chefe da Bravonte Capital, Eduardo Velho, diz que um novo rali dos juros domésticos dependerá do diferencial de votos nas próximas pesquisas eleitorais, e/ou novidades no front do pacote fiscal para 2027.
Amanhã, serão divulgadas Datafolha e PoderData e, na sexta-feira, saem os levantamentos dos institutos AtlasIntel e Vox.
Em sua carteira mensal de renda fixa, a EQI Research recomenda maior exposição ao mercado de juros reais, em Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) mais longas, mas o analista de investimentos João Abdouni pondera que o momento é mais apropriado para “recalibragem gradual das alocações”, e não para grandes movimentos de carteira.
Segundo Abdouni, o mercado antecipou parte do cenário no rali de segunda-feira, e a continuidade da valorização dos ativos dependerá de medidas concretas de consolidação fiscal, reformas e capacidade de implementação de uma agenda econômica consistente.
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