Uma pesquisa nacional realizada pela Heach Recursos Humanos revelou que 48,6% dos profissionais disseram já ter fingido estar ocupados para evitar receber novas demandas de trabalho.
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- 🔎 69,4% já procuraram outro emprego sem informar a empresa.
- 😐 66,8% resolveram assuntos pessoais durante o expediente.
- 👩🏽💻 54,7% fizeram entrevista para outro emprego durante o horário de trabalho.
- 💻 51,2% disseram estar trabalhando enquanto realizavam uma atividade pessoal.
- 🚨 48,6% fingiram estar ocupados para evitar receber mais trabalho.
- 🤧 33,6% utilizaram atestado mesmo considerando que poderiam trabalhar.
- 📃 29,4% mentiram, omitiram ou exageraram alguma informação no currículo.
O levantamento ouviu 2. 487 profissionais de diferentes segmentos e investigou comportamentos ligados à produtividade, à busca por novas oportunidades, à gestão do tempo durante o expediente, a faltas e às informações apresentadas em currículos.
Segundo a pesquisa, 86,5% dos entrevistados disseram já ter adotado pelo menos um dos oito comportamentos analisados, que, em geral, passam despercebidos pelas empresas.
O comportamento mais frequente foi a busca por outro emprego sem comunicar a empresa atual. Segundo os dados, 69,4% dos entrevistados afirmaram já ter feito isso de forma discreta, o equivalente a 1.
Em seguida, 66,8% disseram já ter resolvido assuntos pessoais durante o horário de trabalho. Outros 54,7% relataram ter participado de entrevistas para outras vagas durante o expediente.
Entre os comportamentos relacionados ao uso do tempo de trabalho, 51,2% disseram já ter informado que estavam trabalhando quando, na realidade, realizavam alguma atividade pessoal.
Já 48,6% afirmaram ter fingido estar ocupados para evitar receber novas tarefas, o equivalente a 1. 209 pessoas.
Veja os principais resultados da pesquisa.
O levantamento, batizado de "A Vida Secreta do Trabalhador Brasileiro", aponta comportamentos que podem não aparecer nos indicadores tradicionais usados pelas empresas para acompanhar a rotina dos funcionários.
Para Elcio Teixeira, CEO da Heach, os resultados devem ser analisados de maneiras diferentes e não representam necessariamente um retrato de "maus funcionários.
Não podemos colocar no mesmo lugar alguém que procura outra oportunidade profissional e alguém que falseia uma informação no currículo. São fenômenos completamente diferentes", afirma.
Segundo o executivo, os resultados mostram uma diferença entre aquilo que as empresas conseguem acompanhar por meio de sistemas e indicadores e o que ocorre na rotina dos funcionários.
Quando 86,5% dos profissionais reconhecem pelo menos um comportamento que permanece fora do radar da organização, talvez o dado mais importante não seja a transgressão, mas a dimensão dessa zona invisível na relação de trabalho", completa o executivo.
Faltas, atestados e informações em currículos.
A pesquisa também identificou comportamentos relacionados a faltas, atestados e informações apresentadas em processos seletivos.
Entre os entrevistados, 39,7% disseram já ter inventado ou exagerado uma justificativa para atrasos ou ausências. Outros 33,6% afirmaram ter usado atestado médico mesmo acreditando que tinham condições de exercer suas atividades.
Já 29,4% reconheceram ter omitido, exagerado ou apresentado informações incorretas no currículo durante processos seletivos.
Para Teixeira, os resultados também levantam questionamentos sobre modelos de gestão baseados principalmente na presença, na disponibilidade ou no tempo de conexão.
Quanto maior a distância entre aquilo que as pessoas fazem e aquilo que sentem que podem dizer à organização, maior é o ponto cego da gestão", afirma.
O executivo também considera que buscar uma nova oportunidade profissional sem comunicar a empresa faz parte da autonomia do trabalhador e, por si só, não configura irregularidade.
Esses comportamentos podem afetar a relação profissional.
Os resultados, por si só, não permitem concluir que os trabalhadores estejam insatisfeitos ou desengajados, mas revelam uma distância entre o que vivem no ambiente de trabalho e o que sentem que podem expor à empresa.
Para Louis Burlamaqui, especialista em cultura organizacional, o número de profissionais que admitem esconder determinados comportamentos chama atenção e pode indicar um problema de confiança nas relações de trabalho.
Um dos resultados que mais chamaram atenção foi a percepção de sobrecarga velada: quase metade dos entrevistados afirmou já ter aparentado estar ocupada para não receber novas demandas.
Segundo Burlamaqui, o comportamento pode funcionar como uma estratégia informal de proteção diante da dificuldade de estabelecer limites de forma direta.
Segundo ele, em algumas organizações, profissionais mais eficientes acabam recebendo novas demandas de forma contínua, o que pode incentivar mecanismos silenciosos de defesa.
A pesquisa também mostra que procurar outro emprego sem comunicar a empresa é um comportamento comum. Para Burlamaqui, buscar oportunidades no mercado é um movimento natural da carreira e não significa, necessariamente, insatisfação com o emprego atual.
Quando essa procura se torna recorrente, porém, pode estar relacionada a fatores como remuneração, perspectivas de crescimento, reconhecimento ou relação com a liderança.
Embora essas atitudes possam ser pontuais, Burlamaqui alerta que podem trazer consequências quando se transformam em padrão.
Como alternativa, ele defende conversas mais transparentes entre trabalhadores e gestores sobre capacidade de entrega, prioridades e carga de trabalho. “Tenho estas cinco entregas e entrou uma sexta.
Qual delas deve perder prioridade?”, exemplifica.
Para o especialista, as empresas também precisam criar ambientes em que os profissionais possam falar sobre limites e dificuldades sem receio de consequências negativas.
A pesquisa ouviu profissionais das cinco regiões do país entre 1º e 11 de setembro de 2026. Os participantes foram selecionados a partir da base da Heach Recursos Humanos, que reúne mais de 14 milhões de currículos, e responderam a um questionário estruturado e autoadministrado em ambiente digital.
A amostra buscou contemplar diferenças de idade, escolaridade, região, nível hierárquico e modelo de trabalho. Para cada um dos oito comportamentos investigados, os participantes podiam responder “sim”, “não” ou “prefiro não responder”.
Segundo a empresa, os resultados se referem apenas aos participantes do levantamento e devem ser interpretados considerando que a amostra foi formada a partir da base de profissionais da própria Heach.
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