Para sustentar o crescimento, a empresa acabou de expandir a capacidade de produção da sua planta industrial em Cravinhos (SP), onde são fabricadas as bases dos gelatos posteriormente finalizados nas unidades.
A empresa prefere ser detalhista quanto ao que é produzido em sua fábrica, importante para o posicionamento premium da companhia. A palavra “indústria”, avaliam, pode ser carregada de associações com acidulantes, corantes e conservantes.
No caso da Borelli, os produtos são “frescos e naturais”, conta Miranda.
É na sua planta industrial onde a Borelli desenvolve, por exemplo, a pasta de pistache responsável por saborizar um dos seus grandes sucessos de venda. Essa base é distribuída pelas unidades onde ocorre a mistura com leite e creme de leite para efetivamente fazer o gelato.
Além do controle sobre a qualidade e distribuição, o domínio da cadeia garante aos franqueados maior margem. A Borelli não informa o valor bruto do investimento em expansão da fábrica, apenas que ele está na casa das dezenas de milhões de reais.
O crescimento da companhia tem acompanhado uma tendência no mercado de sorvetes associada à “premiunização”, onde opções de custo mais elevado estão ganhando a preferência dos consumidores.
Segundo a Scanntech, plataforma de análise de dados e inteligência de mercado, enquanto as vendas gerais do segmento caíram 5,4% de janeiro a julho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, o sortimento premium avançou 1,3%.
Parte desse movimento é provocado pela tendência de saudabilidade: consumidores estão tomando sorvete em menos ocasiões e, quando isso acontece, eles preferem pagar mais caro pelo produto.
A Borelli tenta aproveitar essa onda em várias frentes. No último ano, a empresa fez uma parceria para levar o sabor do seu gelato de pistache para o suplemento proteico Whey.
Também em busca de ampliar seu portfólio, a empresa lançou um licor de doce de leite no fim de 2025 e um snack de amêndoas cobertas de chocolate em 2026. “Vamos entrar por outras linhas de produto, eventualmente até outros canais”, conta Miranda.
As vendas de produtos em supermercados, por exemplo, ainda são discutidas pela companhia. “Na prática, muito do que se apresenta como gelato no supermercado é sorvete.
Precisa de conservante, corante e acidulante para manter por tanto tempo. Temos que cuidar para não perder nossa identidade”, aponta o executivo.
Além do mais, há um cálculo que envolve os franqueados. Um eventual lançamento da marca no varejo poderia implicar canibalização do consumo nas unidades onde se vende a experiência da marca.
Por ora, a Borelli não chegou a um momento de decisão sobre o tema.
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