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Nostalgia milionária: por que adultos pagam fortunas por brinquedos da infância

O dinheiro não vem apenas de grandes colecionadores.

4 min de leitura
Nostalgia milionária: por que adultos pagam fortunas por brinquedos da infância

Brinquedos e colecionáveis que fizeram parte da infância de uma geração movimentam hoje cifras que vão muito além do universo infantil. Adultos passaram a gastar grandes quantias para comprar objetos que remetem à infância — e, em alguns casos, essas peças chegam a valer centenas de milhares ou até milhões de reais.

  • 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1.

O dinheiro não vem apenas de grandes colecionadores.

Nos últimos anos, quem acompanhou Pokémon desde o início da franquia chegou à faixa dos 30 e 40 anos e passou a ter mais dinheiro disponível para comprar os itens que marcaram sua infância.

A nostalgia, nesse caso, se combina com maior poder de compra.

Segundo ele, muitas pessoas compram os itens como forma de reviver a infância.

O tamanho desse mercado também aparece nos valores das negociações.

O movimento também aparece entre pessoas que não vivem do mercado de colecionáveis. Um carpinteiro de 25 anos, por exemplo, voltou recentemente a colecionar cartas de Pokémon como fazia quando era mais novo.

Ao Financial Times, ele disse que compra conjuntos antigos em estado impecável e os guarda pensando em repassá-los aos filhos no futuro.

O valor das peças está ligado à dificuldade de encontrá-las.

As cartas antigas foram produzidas há décadas, e poucas sobreviveram em boas condições. Já as cartas novas continuam sendo produzidas em grandes quantidades, o que torna mais fácil encontrar exemplares semelhantes.

O estado das peças ajuda a explicar por que os colecionadores pagam tanto. Empresas especializadas avaliam as cartas em uma escala de 1 a 10, levando em conta detalhes como riscos, bordas danificadas e o posicionamento da imagem.

Uma versão de Pikachu de 2002, por exemplo, tem apenas 35 exemplares avaliados com a nota máxima.

O tamanho do interesse sobrecarregou até o sistema de avaliação das cartas. Em agosto, uma empresa especializada analisou mais de 1,3 milhão de cartas de Pokémon, dez vezes mais do que no mesmo mês de 2021.

Em maio, a empresa chegou a interromper o recebimento de cartas de menor valor por falta de capacidade.

A procura também aparece em eventos.

Uma feira de cartas realizada em Farnborough, na Inglaterra, recebeu 10 mil pessoas em 2026, o dobro do ano anterior. Alguns compradores carregavam caixas trancadas com códigos personalizados e milhares de libras em dinheiro.

Comerciantes chegaram a evitar divulgar seus nomes por medo de roubos.

Esse tipo de preocupação não é apenas teórica. Uma loja de colecionáveis em Londres foi invadida, e cartas de alto valor e outros produtos foram roubados.

Os colecionadores brasileiros também gastam grandes quantias com itens raros e nostálgicos. O empresário Paulo de Carvalho, de 45 anos, começou a colecionar brinquedos antigos ainda na adolescência.

Hoje, ele tem um galpão em Cubatão (SP) com aproximadamente cinco mil itens que remetem à sua infância.

O empresário contou ao g1 que tinha 13 anos quando começou a vender antiguidades com o avô, que era colecionador de moedas e cédulas.

Tive uma infância difícil e vi a paixão que ele tinha. Isso me fez pensar: 'Por que não colecionar brinquedos da minha infância que eu não pude ter?'", explicou Paulo.

A mesma lógica de nostalgia aparece em produtos mais recentes e baratos, como Funko Pop, Lego, Sylvanian Families, Hot Wheels, Star Wars e jogos de tabuleiro, como War.

Todas essas histórias têm um elemento em comum: personagens que fizeram parte da infância dos compradores passaram a representar algo mais do que um brinquedo.

Para parte desse público, comprar esses objetos não significa necessariamente voltar a brincar. É uma maneira de guardar uma lembrança da própria infância — e, em alguns casos, de transformar essa lembrança em um item pelo qual outras pessoas também estão dispostas a pagar muito dinheiro.

Em números

  • Em agosto, uma empresa especializada analisou mais de 1,3 milhão de cartas de Pokémon, dez vezes mais do que no me
  • Uma feira de cartas realizada em Farnborough, na Inglaterra, recebeu 10 mil pessoas em 2026, o dobro do ano anterior

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