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'Ninguém conseguia prever': chefe da Stellantis admite erro do setor diante da disparada chinesa

Herlander Zola, presidente da empresa para a América do Sul, diz que montadoras tradicionais não previram a velocidade da eletrificação e perderam espaço para a

3 min de leitura
'Ninguém conseguia prever': chefe da Stellantis admite erro do setor diante da disparada chinesa

Para Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, a indústria automotiva ocidental “errou” ao avaliar a velocidade com que a eletrificação ganharia relevância no mercado global, o que acabou dando aos chineses o protagonismo no desenvolvimento desses veículos.

O executivo — que comanda na região marcas como Fiat, Jeep, RAM, Leapmotor, entre outras — negou que as montadoras tradicionais tenham subestimado ou ignorado a força da indústria chinesa, mas afirmou que as projeções sobre o avanço dessas marcas não foram precisas.

Zola cita outros entraves e erros de avaliação do setor. Segundo ele, durante a pandemia, as montadoras deixaram o desenvolvimento técnico e a pesquisa em segundo plano para priorizar problemas logísticos, como a falta de peças e semicondutores.

Afirma também que a indústria automotiva ocidental terceirizou e descentralizou parte da cadeia produtiva, enquanto as montadoras chinesas fizeram o caminho inverso e internalizaram etapas antes realizadas por fornecedores.

Embora tenha feito um mea culpa sobre os erros das montadoras tradicionais, o presidente da Stellantis também critica as condições de competitividade e a falta de previsibilidade no mercado brasileiro.

Segundo ele, não há regras que incentivem as montadoras instaladas no país a fomentar a cadeia de produção nacional, comprando componentes de fornecedores brasileiros, como pneus, amortecedores, molas, plásticos e aço, por exemplo.

Isso geraria custos maiores que concorrentes estrangeiros.

Nos oito primeiros meses do ano, o Brasil importou 406,7 mil veículos, volume 29,8% maior que no mesmo período de 2025. Mais da metade veio da China: foram 221 mil veículos, alta de 109,9% em relação ao ano anterior.

Os dados são da Anfavea, que também afirma que cerca de dois terços do crescimento da produção no país neste ano vieram de modelos montados em CKD e SKD. Nesses sistemas, amplamente adotados pelas marcas chinesas, os veículos chegam ao Brasil desmontados ou parcialmente desmontados e são montados no país.

As montadoras tradicionais são críticas a esse modelo, pois os custos da importação das peças e da montagem no Brasil são menores do que os de uma produção nacionalizada.

Isso daria às marcas chinesas margem para praticar preços que pressionam o mercado de carros zero km.

Segundo o executivo, se a Stellantis adotasse os sistemas SKD ou CKD, sua operação poderia ter apenas 10% do tamanho atual. Hoje, a empresa tem cerca de 35 mil funcionários.

Por ora, Zola afirma que a estratégia da empresa é entender as novas necessidades do cliente, acelerar soluções e promover uma “redução de custos inteligente”.

Em números

  • Nos oito primeiros meses do ano, o Brasil importou 406,7 mil veículos, volume 29,8% maior que no mesmo período
  • Mais da metade veio da China: foram 221 mil veículos, alta de 109,9% em relação ao ano anteri
  • Hoje, a empresa tem cerca de 35 mil funcionários

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