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Negócios

Milei rejeita discursos sobre recessão e afirma estar “tranquilo” sobre reeleição

Presidente argentino minimiza a contração da atividade econômica do país, a piora do mercado de trabalho e a queda da sua aprovação e aposta em crescimento próx

5 min de leitura
Negócios — imagem padrão

(Bloomberg) – O presidente da Argentina Javier Milei minimizou as preocupações com a estagnação da economia do país, destacando o crescimento anual consistente que o deixou “muito tranquilo” quanto às suas chances de conquistar mais um mandato no próximo ano.

Desde que assumiu o cargo há três anos, Milei conseguiu reduzir a inflação de três dígitos. No entanto, a economia contraiu 0,6% no segundo trimestre, a primeira queda trimestral em dois anos.

Economistas consultados pelo banco central também reduziram sua previsão de crescimento para 2,1% em agosto, ante a estimativa de 3,5% feita em dezembro. Dados divulgados posteriormente na quinta-feira mostraram que a atividade econômica contraiu 2,9% em julho em relação ao mês anterior, resultado muito pior do que o esperado.

A atividade também recuou 1,4% em termos anuais, enquanto a pobreza aumentou no primeiro semestre do ano.

Saiba mais: Milei chama ONU de ‘inútil’ em discurso e volta a dizer que Malvinas são da Argentina.

A desaceleração econômica levou analistas a debaterem se a Argentina corre o risco de entrar em recessão técnica este ano, ao mesmo tempo que alimentou as preocupações dos investidores de que o líder pró-mercado enfrentará uma dura batalha pela reeleição.

Pesquisas que mostram que os eleitores estão agora mais preocupados com o desemprego do que com a inflação ampliaram o desafio.

Em agosto, a taxa de aprovação de Milei estava em 38%, perto dos níveis mais baixos de sua presidência, segundo uma pesquisa da AtlasIntel para a Bloomberg News.

Cerca de 70% dos argentinos descreveram o mercado de trabalho como ruim, mostrou a pesquisa. Milei desconsiderou as pesquisas, alegando que elas não são confiáveis ​​na Argentina.

A Argentina perdeu quase 250 mil empregos no setor privado desde pouco antes de Milei assumir o cargo, e o desemprego subiu para quase 8%.

Jimena Zúñiga, economista argentina.

Mas Milei atribuiu o crescimento mais lento a índices ponderados que não levam em conta o que ele chamou de transformação estrutural da Argentina, particularmente o seu setor de petróleo e gás em expansão.

Ele também argumentou que a economia criou 520 mil empregos, mas que muitos deles são ignorados por serem informais.

Analistas apontam a tentativa de Milei de conter a inflação como a principal culpada pelo crescimento lento. O peso argentino desvalorizou 3,7% em relação ao dólar neste ano até agosto, enquanto os preços ao consumidor subiram 21%.

Essa valorização real foi impulsionada nas últimas semanas pela intervenção do governo nos mercados de títulos e futuros, embora a política monetária permaneça restritiva.

?Não tão libertário quanto eu gostaria’.

Milei argumentou que o crescimento do trabalho informal se deve, em grande parte, ao receio do setor privado de um retorno às políticas intervencionistas de seus oponentes nas eleições do ano que vem.

Ele citou especificamente o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, considerado o adversário mais provável de Milei e um aliado tradicional da ex-presidente de esquerda Cristina Kirchner.

A oposição também está por trás dos persistentes controles de capital na Argentina, disse Milei. Embora tenha afrouxado a política cambial, a Argentina ainda utiliza um regime de câmbio administrado — conhecido como “flutuação suja” — e mantém algumas restrições aos dividendos que as empresas podem repatriar.

Antes das eleições gerais de 2027, a Argentina também realizará uma eleição primária preliminar em todo o país, conhecida como PASO, que normalmente fornece uma avaliação inicial das preferências dos eleitores.

Milei enviou ao Congresso um projeto de lei para extinguir o PASO no início deste ano, numa tentativa de evitar a volatilidade do mercado que ocorreu no passado.

Em ciclos eleitorais anteriores, a votação levou à deterioração das reservas do banco central, à medida que os argentinos compravam dólares para proteger suas economias em meio à incerteza eleitoral.

Mas Milei afirmou que a iniciativa para eliminar o PASO visa se livrar do que ele descreveu como uma ferramenta de “política suja”, e não de cálculos políticos.

A Argentina continua trabalhando em novas isenções tarifárias dos EUA, disse Milei, numa alusão ao fato de que o país ainda não ratificou o acordo comercial assinado com o governo do presidente Donald Trump em fevereiro.

O governo pressionou para renegociar alguns termos do acordo após a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre as tarifas globais de Trump, informou a Bloomberg News na terça-feira.

Embora Trump tenha chamado Milei de “meu presidente favorito”, seus assessores políticos viajaram para Buenos Aires nas últimas semanas para transmitir uma mensagem clara: a renegociação está fora de questão.

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Para o banco, mercado ainda evita projetar para o futuro a melhora recente das condições hidrológicas.

Milei também reiterou as reivindicações da Argentina sobre as Ilhas Malvinas, um território ultramarino controlado pelos britânicos e que está no centro de uma longa disputa territorial.

Em números

  • A Argentina perdeu quase 250 mil empregos no setor privado desde pouco antes de Mi
  • Ele também argumentou que a economia criou 520 mil empregos, mas que muitos deles são ignorados por

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