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Justiça libera funcionamento de supermercados em feriados sem negociação coletiva

Decisão liminar do TRF-3 atende pedido da ABRAS e suspende, de forma provisória, a regra que passou a exigir acordo coletivo para o trabalho em feriados no seto

4 min de leitura
Justiça libera funcionamento de supermercados em feriados sem negociação coletiva

Mercados, supermercados e hipermercados poderão funcionar em feriados sem a necessidade de acordo ou convenção coletiva com os trabalhadores.

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A decisão provisória foi concedida pela desembargadora Mônica Nobre, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), em ação movida pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).

Com a decisão, fica suspensa, para o setor supermercadista, a regra do Ministério do Trabalho que passou a exigir negociação entre sindicatos de trabalhadores e empregadores para o funcionamento em feriados.

Na prática, volta a valer temporariamente o modelo anterior, que permitia a abertura dos supermercados nessas datas sem a necessidade de negociação coletiva específica, até nova decisão da Justiça.

A decisão ainda pode ser modificada durante o processo.

A ação foi apresentada pela ABRAS depois que a Justiça Federal de primeira instância negou o pedido para suspender a nova regra.

A associação alegou que os supermercados foram retirados da lista de atividades com autorização permanente para funcionar em feriados, enquanto outros segmentos do comércio permaneceram autorizados.

Segundo a entidade, não houve uma justificativa adequada para o tratamento diferente.

Ao analisar o recurso, a desembargadora entendeu que havia elementos para suspender temporariamente a regra até que o caso seja analisado de forma mais aprofundada.

Segundo ela, é necessário esclarecer por que os supermercados passaram a ter uma regra diferente da aplicada a outros setores do comércio.

A decisão também considera possíveis efeitos práticos da mudança. Segundo a magistrada, a exigência de negociação coletiva pode dificultar o funcionamento dos supermercados em feriados, com impactos para empresas, trabalhadores e consumidores.

A desembargadora também destacou o papel dos supermercados no abastecimento da população, já que esses estabelecimentos comercializam alimentos e outros produtos de primeira necessidade.

Outro ponto considerado foi o fato de o setor funcionar há anos sob as regras anteriores. Para a magistrada, a mudança repentina justifica a manutenção temporária do modelo que já existia, até que o caso seja analisado de forma definitiva.

Em nota enviada ao g1, o vice-presidente institucional da ABRAS, Márcio Milan, comemorou a decisão.

A União Geral dos Trabalhadores (UGT) criticou a decisão. Em nota, a entidade afirmou que recebeu com preocupação a suspensão da regra e o restabelecimento provisório da autorização para o funcionamento dos supermercados em feriados.

Segundo a UGT, a negociação coletiva é uma garantia para os trabalhadores e permite discutir condições de trabalho, escalas e compensações para quem atua nessas datas.

A entidade informou que pretende atuar junto à União e ao Ministério Público Federal (MPF) para tentar reverter a decisão.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC), que representa trabalhadores do comércio em âmbito nacional, incluindo empregados de mercados, supermercados e hipermercados, também afirmou que vê com preocupação a decisão do TRF-3.

Para a entidade, a discussão não envolve apenas a possibilidade de funcionamento dos estabelecimentos nos feriados, mas também as condições oferecidas aos trabalhadores chamados a trabalhar nessas datas.

Segundo a CNTC, a negociação coletiva permite discutir essas condições e buscar um equilíbrio entre o funcionamento das empresas e os direitos dos trabalhadores.

A confederação informou que já havia solicitado ingresso na ação e que acompanha o processo para que a posição dos trabalhadores também seja considerada. A decisão do TRF-3 é provisória e pode ser reavaliada durante o processo.

O g1 procurou o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para saber qual é a avaliação da pasta sobre a decisão e se pretende adotar alguma medida no processo. Até a última atualização desta reportagem, o ministério não havia respondido.

A decisão não encerra a disputa judicial. A União ainda será ouvida no processo, e o Ministério Público Federal também deverá se manifestar. Depois dessas manifestações, o tribunal poderá reexaminar a liminar.

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