Depois da forte disparada das ações financeiras brasileiras no rali pós-eleitoral, o JP Morgan revisou suas recomendações, estimativas e preços-alvo para o setor.
O Bradesco (BBDC4) foi elevado de neutro para overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra), enquanto Banco do Brasil (BBAS3) foi rebaixado de neutro para underweight (exposição abaixo do mercado, equivalente à venda).
O pano de fundo é uma mudança relevante no custo de capital, uma vez que o banco reduziu em aproximadamente 1,5 ponto percentual sua premissa de custo de capital próprio para a maior parte das empresas cobertas, acompanhando o movimento da curva de juros brasileira de dez anos, que caiu de aproximadamente 14,4% para 13%.
Só esse efeito explica cerca de 15% a 20% dos aumentos de preços-alvo realizados pela casa.
Além da queda do custo de capital, as empresas ligadas ao mercado de capitais ganharam um impulso adicional nas projeções. O JPMorgan elevou entre 8% e 12% as estimativas de lucro para XP (BDR: XPBR31) e B3 (B3SA3) em 2027, enquanto para BTG Pactual (BPAC11) o aumento ficou entre 4% e 5%.
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Os analistas consideram que as receitas de seguros tendem a não se beneficiar de juros menores, mas avalia que as discussões envolvendo o capital tangível do banco tornam-se menos relevantes.
O Bradesco negociava a 1,2 vez o valor patrimonial, enquanto o múltiplo considerado justo pelo banco é de 1,5 vez.
O JPMorgan destaca ainda que o plano de recuperação do Bradesco vem mostrando evolução, com a rentabilidade melhorando nos últimos trimestres, com redução do custo de risco e melhora das margens.
Mesmo com tendências de curto prazo consideradas menos atraentes, o banco acredita que BBDC4 apresenta uma posição relativa melhor que BBAS3.
Os analistas apontam que o BB participou fortemente do rali, com valorização de cerca de 16% desde a sexta-feira anterior e de 50% desde 15 de agosto, mas a recuperação operacional da instituição deve demorar mais, segundo os analistas.
O JPMorgan afirma que 2027 ainda deve ser um ano desafiador para o BB, enquanto a recuperação é esperada para 2028. O banco também ressalta que a exposição relevante ao agronegócio deve fazer com que a instituição se beneficie menos de uma eventual queda da Selic do que outros bancos privados.
A qualidade dos ativos continua sendo outro ponto de pressão, já que a casa espera que a recente e forte deterioração da carteira do agronegócio pressione lucros, rentabilidade e distribuição de dividendos.
O ROE projetado é de apenas 8,7% em 2026, avançando para 11,8% em 2027 e 13% em 2028.
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A forte rede de depósitos, liquidez e menores custos de financiamento continuam sendo qualidades do Banco do Brasil, mas, para o banco, existem oportunidades com relação risco-retorno superior dentro do setor.
Itaú continua como preferência entre os grandes bancos.
Para os analistas, o Itaú é o banco mais bem posicionado entre os incumbentes para crescer em um cenário brasileiro mais construtivo. A instituição destaca o ROE elevado e a capacidade do Itaú de ganhar espaço em um ambiente de maior atividade.
A própria plataforma de investment banking poderia se beneficiar de uma recuperação do mercado de capitais.
Embora o valuation esteja mais exigente, próximo de 10 vezes os lucros projetados para 2027, a casa observa que o papel já negociou recentemente mais perto de 11 a 12 vezes.
O JPMorgan também menciona Itaúsa (ITSA4) como uma forma potencialmente atraente de exposição ao banco diante do desconto sobre o valor de seus ativos e de investimentos que poderiam se beneficiar de juros menores.
XP é preferência no mercado de capitais.
Nas empresas mais diretamente ligadas ao mercado de capitais, a XP (negociada na Nasdaq e com o BDR XPBR31) continua sendo a alternativa preferida pelo J. P. Morgan.
Apesar da disparada recente, o banco considera o múltiplo de aproximadamente 11 vezes o lucro de 2027 ainda atraente. A XP havia subido 31% em dólares desde a sexta-feira e 78% desde 15 de agosto.
Os analistas enxergam espaço para resultados maiores que o consenso, apoiados por melhora de monetização, mix de produtos e possíveis receitas com performance fees.
Juros menores também podem estimular uma migração de investimentos de renda fixa para ações e fundos, favorecendo fluxos para a plataforma.
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O papel acumulava avanço de aproximadamente 28% desde a sexta-feira e de 66% desde 15 de agosto. A ação passa a negociar a 12,6 vezes o lucro projetado para 2027 e 3,7 vezes o valor patrimonial estimado para 2026.
B3: depois de disparar, valuation limita potencial.
O JPMorgan elevou entre 10% e 12% suas estimativas de lucro para a companhia, refletindo uma expectativa de volumes mais fortes no mercado à vista e melhora moderada nas emissões de ações.
Ainda assim, a ação negocia a aproximadamente 17 vezes os lucros estimados para 2027. Como os picos recentes ficaram normalmente entre 18 e 20 vezes, o banco avalia que seria necessário um crescimento de lucro muito mais rápido, ou uma queda adicional do custo de capital, para justificar uma volta aos múltiplos superiores a 25 vezes observados em 2018 e 2019.
Nubank e Inter aparecem como atrasados do rali.
Depois da disparada das financeiras tradicionais e das empresas do mercado de capitais, o JPMorgan identifica Nubank (BDR: ROXO34) e Inter (BDR: INBR32) como dois nomes que ficaram relativamente para trás e ainda oferecem valuation atraente.
A casa continua projetando crescimento de lucros próximo de 30% em dólares, mesmo depois de adotar premissas mais conservadoras. Os analistas destacam as vantagens estruturais de custos e capital da fintech, além da capacidade de continuar ganhando participação no Brasil.
Em números
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