O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais trouxe um sinal relevante para o real e abre espaço para uma valorização adicional da moeda brasileira, segundo avaliação do Goldman Sachs.
Na leitura do Goldman, o desempenho do senador Flávio Bolsonaro, que recebeu 47,03% dos votos válidos, superando as pesquisas mais recentes, foi o principal elemento positivo para os mercados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou com 45,16%, enquanto candidatos ligados a Bolsonaro e nomes de centro-direita também tiveram desempenho acima das expectativas nas disputas para o Senado e governos estaduais.
Os futuros indicam uma queda de aproximadamente 4% do dólar frente ao real após o resultado, segundo o relatório. O movimento teria magnitude semelhante à registrada na segunda-feira posterior ao primeiro turno da eleição de 2022.
Para avaliar até onde a apreciação da moeda brasileira poderia ir, o Goldman também olha para a eleição de 2018. Naquele período, quando Jair Bolsonaro foi eleito presidente, o dólar acumulou queda de aproximadamente 10% frente ao real durante a janela eleitoral.
Depois do primeiro turno, o real continuou se valorizando e atingiu seu nível mais forte na sexta-feira anterior ao segundo turno.
Após resultado do 1º turno das eleições, como os mercados vão reagir nesta segunda.
O avanço do candidato bolsonarista foi acima do esperado e acendeu expectativas do mercado de uma vitória de direita.
Para os estrategistas, esse precedente sugere que a moeda brasileira ainda pode ganhar terreno daqui para frente, embora a trajetória passe a depender cada vez mais das sinalizações dos candidatos em relação à política econômica.
O banco lembra que, em 2018, à medida que o segundo turno se aproximava, a atenção dos investidores rapidamente migrou do resultado eleitoral para a capacidade de implementação de reformas diante de um Congresso dividido.
Desta vez, o Goldman avalia que os riscos relacionados à governabilidade podem ser menores, mas chama atenção para um pano de fundo fiscal considerado bastante desafiador.
Assim, anúncios relacionados à política econômica devem ganhar peso maior na formação dos preços conforme a disputa avança para o segundo turno.
Há espaço até mesmo para o dólar romper a parte inferior dessa faixa, na visão do Goldman. Isso dependeria, porém, de esforços de consolidação fiscal capazes de justificar um “prêmio fiscal positivo” para os ativos brasileiros, combinados a um ambiente externo favorável ao real.
A avaliação reforça que o caminho da moeda daqui em diante não dependerá apenas de quem aparece à frente na corrida presidencial. A agenda econômica apresentada pelos candidatos, particularmente no campo fiscal, tende agora a ocupar espaço crescente nas decisões dos investidores.
Mercado passa a olhar segundo turno.
Antes da votação decisiva, o Goldman acompanhará principalmente a redistribuição dos votos dos demais candidatos, embora ressalte que uma parcela significativa da migração de eleitores para os dois principais concorrentes já tenha ocorrido antes mesmo do primeiro turno.
Outro ponto central serão eventuais anúncios de políticas econômicas ou de nomes para compor as equipes dos candidatos. Além do impacto direto sobre a percepção dos investidores, essas sinalizações podem influenciar as próprias pesquisas para o segundo turno.
A leitura do banco é que o primeiro turno entregou uma informação mais forte para o câmbio justamente porque o real havia apresentado comportamento relativamente contido antes da votação, diferentemente do observado em outros ciclos eleitorais.
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Índices futuros dos EUA recuam juntos.
Embora a moeda brasileira já tivesse superado outras divisas latino-americanas na semana anterior à eleição, o Goldman avalia que parte dessa diferença refletia mais uma fraqueza das demais moedas em relação a seus fundamentos.
Até então, o real continuava negociando de maneira próxima à sua sensibilidade habitual aos movimentos dos mercados globais.
Em números
- Goldman: real pode se fortalecer mais após 1º turno e dólar pode chegar a R$ 4,50
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