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Musica Revisado por ULTRA AI

Resenha: RANCORE abraça a imprevisibilidade e expande suas raízes em “BRIO”

Em seu álbum mais conciso, o quinteto evita o saudosismo para construir um trabalho visceral, maduro e focado no presente

5 min de leitura
Resenha: RANCORE abraça a imprevisibilidade e expande suas raízes em “BRIO”

Durante esse longo hiato longe dos palcos, Teco Martins (vocal), Candinho Uba (guitarra), Rodrigo Caggegi (baixo), Gustavo Teixeira (guitarra) e Ale Iafelice (bateria) viveram em lugares diferentes, acumulando vivências e outros projetos.

Por isso, quando decidiram se reunir, os músicos trouxeram toda essa maturidade para as novas composições.

Essa retomada começou a ganhar formato no ano passado, com as faixas “Pelejar” e “Quando Você Vem”. Agora, com 10 faixas inéditas, aquele movimento inicial acende como braseiros de brio ao provar a força única do grupo no cenário nacional.

Dessa forma, o trabalho em BRIO se constrói em apenas 31 minutos diretos, sendo o disco mais curto do RANCORE até aqui. A sonoridade expande a base do Hardcore para incorporar camadas de Psicodelia, Noise Rock, Post-Punk e até New Wave.

Há um refinamento técnico claro na produção de Guilherme Chiappetta e na mixagem de Daniel Pampuri, potencializando a entrega visceral da banda.

O resultado é fascinante; um disco criativo e audacioso, onde gritos de sobrevivência, maturidade, espiritualidade, manifestação, amor, reflexão e contemplação caminham juntos.

No fim, tudo isso parece dizer a mesma coisa: não existe nenhuma banda igual ao RANCORE.

Entre o caos mental e a sobrevivência.

O álbum começa sem rodeios com “TEORIA DO CAOS”, onde a imprevisibilidade é assumida por Teco Martins logo nos primeiros versos. A letra expõe um labirinto mental e desconstrói qualquer ideia de controle.

Nesse sentido, a urgência se manifesta no vocal e nos graves pulsantes. Ao mesmo tempo, guitarras sujas e psicodélicas conduzem o ouvinte por uma viagem imprevisível dentro desse turbilhão interior.

Logo em seguida, “EU QUERO VIVER” transforma essa tensão em um verdadeiro grito de sobrevivência. A faixa traduz o anseio pelo agora e a superação das sombras mentais.

Para isso, a interpretação vocal ganha força gradativa até atingir um ápice catártico. Além disso, a canção resgata a potência dos grandes mantras do RANCORE. Versos como “luz que não se apaga” e “hoje eu quero viver” sintetizam a luta diária para fincar os pés no presente.

A surpreendente “PRECIOSAS CORES” traz uma mudança de tom ao explorar arranjos atípicos, flertando com uma estética retrô e dançante que lembra DEVO e Blondie ao mesmo tempo.

A faixa aposta em timbres angulares, bases levemente desajustadas e uma linha poética inspirada no hinário “O Cruzeiro“, do Mestre Irineu. O resultado é um mergulho profundo sobre espiritualidade, amor e a passagem do tempo.

Com uma melodia suave e acolhedora, “A NASCENTE” constrói um belo paradoxo entre a beleza da vida e a luta pela sobrevivência. Em uma homenagem emocionante para sua filha Aurora, Teco reforça que a existência merece celebração mesmo diante do caos urbano.

Trata-se de um respiro de esperança que se renova a cada amanhecer.

A selvageria histórica do RANCORE transborda com força em “SEXO SELVAGEM”. Primeira composição nascida no reencontro do quinteto (e que quase batizou o álbum), a faixa concentra o vigor vital do grupo entre baixos tensionados e baterias pulsantes.

Nesse cenário ruidoso, opostos como amor e aspereza dividem o mesmo espaço com extrema energia.

Inspirada pelo Punk Rock nacional, “CARA DE LOUCO” aposta em ritmos quebrados e guitarras cortantes para escancarar quem é de verdade e quem é de mentira. A letra reflete sobre esse “baile de máscaras”, concluindo que é infinitamente melhor carregar o rótulo de louco e ser autêntico do que se esconder em um teatrinho de aparências e ficção.

Com uma postura de combate e instrumental agressivo, “UNHAS E DENTES” chega para equilibrar a intensidade Punk com a jornada interior que guia Teco Martins. O vocalista reflete sobre verdades, forças invisíveis e os mistérios da mente.

A canção, curta e densa, abre espaço para a sabedoria ao conectar urgência e espiritualidade.

O momento mais introspectivo e delicado do disco ganha forma em “VALSA DO IMPREVISÍVEL”. Sonoramente e liricamente, a faixa aborda a imprevisibilidade como parte do fluxo natural da existência.

Em um dueto emocionante entre Teco e sua esposa, a canção convida o ouvinte a flutuar com leveza diante do tempo, lembrando que tudo vem e vai. Afinal, ao assumir que “hoje é o amanhã de ontem”, o casal entrega um convite poético onde o desapego é o caminho para acompanhar o movimento orgânico da vida.

Em “CORDÃO DE OURO”, Teco divide os vocais com o baixista Caggegi para refletir de forma sensível sobre a durabilidade das conexões humanas, questionando quais laços nem mesmo o tempo consegue apagar.

Essa busca por relações verdadeiras sintetiza com perfeição a própria união e a essência do RANCORE.

A avassaladora “EXPANSÃO” encerra o disco unindo as raízes do Hardcore à maturidade atual do grupo. A faixa celebra os gritos característicos do início, mas com uma roupagem expandida.

Ao abordar a libertação de amarras ilusórias, ela fecha com coerência um álbum guiado pelo despertar da consciência e constante necessidade de transformação.

O grande trunfo de BRIO é não explodir o tempo todo. Na verdade, o disco arde como brasa. Esse fogo atravessa vozes e instrumentos, mas a banda sabe a hora de desacelerar.

A alternância entre peso e pausa torna o álbum estrondoso e refinado na mesma medida.

Nessa caminhada, o quinteto passeia por novas sonoridades sem perder a própria identidade. Afinal, é justamente essa combinação improvável que torna o som da banda tão único.

Portanto, BRIO não marca apenas a volta do RANCORE. Trata-se de um trabalho de expansão, não de nostalgia. Depois de 15 anos, a banda não voltou para descobrir se ainda conseguia ser RANCORE, mas para permitir que essa energia flua livremente no presente.

Fontes

Informação baseada em material público de Tenho Mais Discos Que Amigos, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Tenho Mais Discos Que Amigoslink

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