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Corumbá - MS | Sábado, 31 de outubro de 2026 | 15:32

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O Rock The Mountain e a conta de crescer sem pesar para o planeta

Saiba como o festival carioca se mantém como o mais sustentável do Brasil

11 min de leitura
O Rock The Mountain e a conta de crescer sem pesar para o planeta

Em sua 13ª edição, o festival Rock the Mountain, que acontece no Parque Municipal Prefeito Paulo Rattes, em Itaipava, na região serrana do Rio, repete o formato de seis dias (o mesmo que juntou cerca 150 mil pessoas em 2025), divididos em dois fins de semana com programação espelhada (30/10 a 1/11 e 6 a 8/11).

O primeiro final de semana já está esgotado, contando com um line-up que vai de Anitta e Jorge Ben Jor, que já tocaram no festival, passa por estreantes como Ivete Sangalo, Paulinho da Viola e Leci Brandão, e ainda traz cinco atrações internacionais, incluindo M.

I. A e Jorja Smith, tudo isso em dez palcos e espaços para adultos e crianças. O que diferencia o RTM, porém, está também fora do palco. O festival tem a certificação ISO 20121:2024 para sistemas de gestão de sustentabilidade em eventos, neutraliza carbono, faz compostagem e coleta seletiva, doa alimentos e serve uma gastronomia 100% vegetariana.

Em 2025, segundo a organização, a gestão de resíduos e efluentes evitou a emissão de 161 toneladas de CO2. Este ano, ainda há novidades: a lista de práticas inclui coletes vibracionais para pessoas surdas e uma escultura monumental do dinamarquês Thomas Dambo, um troll de mais de cinco metros feito de materiais que iriam para o lixo e que a organização apresenta como a primeira obra do artista na América Latina.

Entrevistamos Ricardo Brautigam, sócio fundador do festival, que falou sobre as novidades do festival neste ano e explicou por que o RTM se tornou um festival referência em sustentabilidade conciliando grandes artistas nacionais e internacionais no line-up, marcas de diversos segmentos e sua essência.

Continua após a foto Ricardo Brautigam por Derick Mangabeira TMDQA! Entrevista Ricardo Brautigam, sócio fundador do Rock the Mountain TMDQA!: O festival passou a ter seis dias em 2025 e mantém o formato em 2026, com cerca de 150 mil pessoas na última edição.

Esse crescimento foi planejado ou foi respondendo à demanda? E até onde vocês querem ir sem perder a identidade e o equilíbrio ambiental do evento? Ricardo: O crescimento do Rock The Mountain foi planejado dentro de uma estratégia de ampliar a capacidade de público, acomodando uma grade artística ainda maior sem deixar de lado o conforto de quem frequenta o festival.

Assim, a ideia era consolidar o evento como uma experiência completa em seis dias de duração, seguindo sempre a proposta de integrar música, arte, cultura e natureza.

A sustentabilidade e o equilíbrio ambiental precisam acompanhar esse desenvolvimento, para que a expansão aconteça de forma responsável e preserve a essência que torna o festival diferenciado e reconhecido.

TMDQA!: A programação espelhada, com o mesmo line-up nos dois finais de semana, é um formato bem incomum no Brasil. Por que vocês apostaram nele? Ricardo: A ideia de ter a programação espelhada veio do Coachella Festival.

Com o mesmo line-up nos dois finais de semana, permitimos que o evento continue num tamanho que consideramos ideal, “sem perrengue” e confortável. Fazendo isso, também damos ao público mais flexibilidade e poder de escolha, sem abrir mão dos principais shows e das mais de 100 atrações oferecidas no evento.

TMDQA!: Este ano, além das atrações nacionais, tem cinco atrações internacionais (M. I. A, Jorja Smith, Midnight Generation, Mind Enterprises e Los Mirlos). Qual é o critério para escolher quem vem de fora levando em conta que é um festival que sempre teve artistas nacionais.

Ricardo: A ideia é agregar e diversificar ainda mais o nosso line-up, mas sempre tendo a música brasileira como protagonista, com representantes de diversos ritmos, estilos e gerações.

As atrações internacionais chegam para somar e apresentar novas experiências ao público, sem disputar espaço com os grandes nomes nacionais. Não buscamos alguém maior que Caetano, Ney Matogrosso, Marisa Monte, Jorge Ben Jor, Ivete Sangalo, Anitta.

No Rock the Mountain, o headliner brasileiro vem antes. E buscamos artistas estrangeiros, normalmente descobertas do cenário musical independente, que dialoguem com a MPB, o hip-hop, a música eletrônica e o pop nacional do line-up.

TMDQA!: O Rock The Mountain tem a certificação ISO 20121:2024 para eventos sustentáveis, algo raro entre festivais brasileiros. O que motivou vocês a buscar o selo.

Ricardo: O Rock the Mountain busca, a cada ano, manter o compromisso de se tornar um festival de música e arte cada vez mais sustentável. A conquista da certificação ISO 20121 é um reconhecimento internacional do trabalho que desenvolvemos para incorporar a sustentabilidade em todas as etapas do evento.

Representa um marco importante nessa trajetória ESG ao chancelar os esforços para gerenciar de forma responsável os aspectos ambientais, sociais e econômicos do festival.

É possível unir música, cultura e responsabilidade ambiental, buscando soluções concretas para reduzir o impacto do festival. É assim que queremos construir um futuro dos festivais: com experiências cada vez mais conectadas às pessoas e ao planeta.

TMDQA!: Sustentabilidade em festival costuma ser vista como custo. No caso de vocês, ela se paga? Como entra na conta do negócio, seja em patrocínio, captação por leis de incentivo, relação com o público ou eficiência operacional.

Ricardo: No Rock The Mountain, a sustentabilidade deixou de ser vista como um custo e passou a integrar a estratégia de negócio do festival. A certificação internacional ISO 20121, voltada à gestão sustentável de eventos, reforça esse compromisso e estabelece parâmetros para aprimorar processos, gerir impactos e buscar maior eficiência operacional.

Essa abordagem também fortalece o diálogo com marcas parceiras e com um público cada vez mais atento às questões ambientais e sociais. As parcerias estratégicas são parte importante desse modelo.

A Gás Verde, maior produtora de biometano da América Latina, é responsável, pelo terceiro ano consecutivo, pela iniciativa de neutralização das emissões de gases de efeito estufa do festival.

Para a edição de 2026, a previsão é neutralizar cerca de 2,3 mil toneladas de CO₂ por meio de certificados de origem de biometano (BioRECs). A Vibra também participa do projeto, com atuação prevista na condução de iniciativas e ações de ESG.

Esse compromisso se traduz em medidas que integram a operação do evento, como a coleta seletiva e a compostagem de resíduos; a reutilização de 80% dos materiais cenográficos de edições anteriores; iniciativas de mobilidade sustentável, acessibilidade, arrecadação e doação de alimentos, reciclagem de óleo vegetal e apoio a projetos socioambientais locais.

TMDQA!: Em festivais, o deslocamento do público costuma ser a maior fonte de emissões. Com cerca de 150 mil pessoas em seis dias, muitas vindas de outras cidades e estados, o que vocês fazem hoje para reduzir esse impacto e qual é o maior obstáculo que ainda não conseguiram resolver.

Ricardo: Uma das alternativas incentivadas é o uso do transfer oficial do evento, além do compartilhamento de caronas, medidas que ajudam a reduzir o impacto das viagens.

Também estimulamos atitudes sustentáveis durante o festival, como levar garrafas reutilizáveis para abastecer nos bebedouros e separar corretamente os resíduos nas lixeiras sinalizadas.

Em 2025, o principal desafio esteve no deslocamento: viagens de público, artistas e equipes até Itaipava responderam por 96,6% das emissões contabilizadas. Apesar desse peso, as emissões associadas às viagens aéreas caíram de 2.

309 toneladas de CO₂ equivalente, em 2024, para 1. 416 toneladas, em 2025. As emissões calculadas foram compensadas por meio de certificados de biometano renovável da Gás Verde.

TMDQA!: Entre os patrocinadores estão marcas como Heineken, Vivo, Renner, Nestlé, Trident, Schweppes, Johnnie Walker, Aperol, Red Bull e Amarula, ao lado de Greenpeace e Gás Verde.

Como é conciliar, no mesmo festival, marcas de consumo de massa e organizações ambientais? Ricardo: O Rock The Mountain reúne marcas de diferentes segmentos, com propostas que se complementam na construção da experiência do público ao longo dos seis dias de programação.

Os patrocinadores estão presentes em palcos, pistas, bares e espaços exclusivos, com ativações que integram música, entretenimento, serviços, experimentação de produtos e iniciativas voltadas ao bem-estar, ao conforto e à sustentabilidade.

Essa diversidade também abre espaço para organizações e projetos ligados às causas ambientais e ao impacto socioambiental. O Greenpeace, por exemplo, terá uma área logo na entrada do festival, dedicada à captação de recursos por meio de doações e à distribuição de brindes.

A Gás Verde entra com atuação relacionada à agenda de sustentabilidade do evento. TMDQA!: Pela primeira vez, o festival recebe uma obra do escultor dinamarquês Thomas Dambo: um troll de mais de 5 metros feito de madeira descartada, paletes e sucata, o primeiro da América Latina.

Como surgiu essa parceria e o que ela diz sobre a forma como o RTM quer falar de reaproveitamento e consciência ambiental? Ricardo: A cada ano buscamos trazer artes novas e permanentes para o festival.

Somos 100% a favor da cultura e o festival reúne música e arte como um todo. Procurando novos artistas, encontrei o Thomas Dambo, cuja obra eu conheci quando estive na Dinamarca.

Fiz contato, ele veio conhecer o parque onde ficaria a instalação e será construído um troll gigante e exclusivo para a edição 2026 do Rock The Mountain, como já existe em festivais como o Burning Man.

A escultura é feita de materiais descartados e reciclados e reforça a mensagem do festival sobre o reaproveitamento de resíduos e a conexão entre arte e natureza.

TMDQA!: Sustentabilidade também passa pelo social. Este ano, tem uma novidade no quesito de inclusão, coletes vibracionais para pessoas surdas, além de tradução em Libras, e o festival já mantém também cortesias para pessoas trans e com deficiência.

Como essas ações são financiadas e como entram no planejamento do festival? Ricardo: Para o Rock The Mountain, sustentabilidade também significa democratizar o acesso à cultura e criar condições para que todos possam vivenciar o festival.

Por isso, a inclusão faz parte do planejamento do evento, com iniciativas permanentes de acessibilidade e novas soluções que ampliam as possibilidades de participação do público.

Uma das novidades de 2026 é a parceria com a Zênite Studios, empresa especializada em acessibilidade comunicacional, que desenvolveu o Zbeat, um colete sensorial háptico que transforma as batidas da música em vibrações percebidas pelo corpo.

A tecnologia amplia a experiência dos shows para pessoas surdas, permitindo sentir o ritmo e as pulsações musicais por meio do estímulo tátil. O festival também mantém uma série de recursos de acessibilidade, como tradução em Libras nos shows dos três palcos principais, audiodescrição em dois deles, fones abafadores de ruído para pessoas com TEA e outras sensibilidades sensoriais, espaços reservados para pessoas com deficiência com vista para os palcos principais e banheiros e bares adaptados.

Há ainda cardápios acessíveis por QR Code com audiodescrição, equipe especializada para acolhimento, vagas de estacionamento para pessoas com deficiência e cordões de identificação de deficiências ocultas, mediante credenciamento.

Outra iniciativa é a Sala de Descompressão, equipada com novos recursos para acolher pessoas com TEA e visitantes que estejam passando por crises sensoriais ou situações que exijam um ambiente tranquilo.

O espaço conta com profissionais de psicologia e terapia ocupacional.

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TMDQA! Entrevista Ricardo Brautigam, sócio fundador do Rock the Mountain.

TMDQA!: O festival passou a ter seis dias em 2025 e mantém o formato em 2026, com cerca de 150 mil pessoas na última edição. Esse crescimento foi planejado ou foi respondendo à demanda.

E até onde vocês querem ir sem perder a identidade e o equilíbrio ambiental do evento.

Ricardo: A ideia de ter a programação espelhada veio do Coachella Festival. Com o mesmo line-up nos dois finais de semana, permitimos que o evento continue num tamanho que consideramos ideal, “sem perrengue” e confortável.

Como é conciliar, no mesmo festival, marcas de consumo de massa e organizações ambientais.

Como essas ações são financiadas e como entram no planejamento do festival.

Em números

  • Em 2025, segundo a organização, a gestão de resíduos e efluentes evitou a emissão de 161 toneladas de CO2
  • O festival passou a ter seis dias em 2025 e mantém o formato em 2026, com cerca de 150 mil pessoas na última edição
  • Para a edição de 2026, a previsão é neutralizar cerca de 2,3 mil toneladas de CO₂ por meio de certificados de orig
  • Com cerca de 150 mil pessoas em seis dias, muitas vindas de outras cid

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