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Metro Boomin critica o uso de samples no hip hop atual: ‘Não tem muita criatividade nisso’

Metro Boomin afirma que muitos beats atuais repetem samples óbvios e defende mais experimentação na produção

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Metro Boomin critica o uso de samples no hip hop atual: ‘Não tem muita criatividade nisso’

Em declaração recente, o produtor afirmou que o uso criativo de trechos sempre foi um pilar do hip hop, mas que essa inventividade está desaparecendo.

Metro Boomin não está satisfeito com o que tem ouvido. Em entrevista à Convos with Cotton, da ECB Studios, o produtor de Atlanta — responsável por algumas das batidas mais reconhecíveis do trap na última década — apontou um problema específico no hip hop atual: o uso preguiçoso de samples.

Na visão dele, uma prática central ao gênero perdeu justamente a criatividade que a tornava especial. “Não acho que estão fazendo direito”, disse. “O coração do hip hop sempre foi baseado em trechos.

A fala do produtor, nascido em St. Louis, é direta. Para Metro, o problema não é usar trechos, mas a maneira como eles vêm sendo usados. No passado, o trecho era um ponto de partida para algo novo: o produtor pegava um trecho, invertia, cortava, acelerava, desacelerava e transformava até que o resultado soasse irreconhecível para quem não conhecia a origem.

Hoje, segundo ele, a lógica se inverteu. “Agora, algo começa a tocar e você já sabe: ‘ah, é ‘In Da Club’”. Você reconhece na hora. “Não tem aquele ‘cara, de onde veio isso.

Peguei esse trecho, inverti, virei de cabeça para baixo, cortei…’ Não tem muita criatividade nisso”.

A crítica de Metro Boomin ganha peso por vir de quem vem. Sua assinatura sonora foi construída justamente sobre o que ele defende: trechos orquestrais reconfigurados e sons antigos recolocados em contextos totalmente novos.

Em “Mask Off”, de Future, ele usou uma flauta de um disco de soul de 1976 de um jeito que pouca gente reconhecia a origem sem pesquisar. Em “Heartless”, do The Weeknd, e em “Skyfall”, de Travis Scott, construiu atmosferas cinematográficas a partir de camadas que escondiam suas referências até de ouvidos treinados.

O debate sobre trechos no hip hop não é novo, mas ganhou novas camadas nos últimos anos com a chegada da inteligência artificial à produção musical. O próprio Metro Boomin esteve no centro disso: em 2024, ao lançar o beat “BBL Drizzy” durante a disputa entre Drake e Kendrick Lamar, ele acabou usando, sem saber, um trecho gerado por inteligência artificial, tornando-se um dos primeiros grandes produtores a usar um trecho artificial em um lançamento mainstream.

O episódio reabriu discussões sobre o que conta como trecho, o que conta como criatividade e até onde vai a responsabilidade do produtor pela origem do material que utiliza.

A declaração de Metro não cita artistas nem produções específicas, e talvez seja justamente por isso que ela repercute com tanta força. Não é uma provocação direta, mas um diagnóstico.

O hip hop sempre soube transformar o que já existia em algo que nunca tinha existido. A pergunta que o produtor faz, nas entrelinhas, é se a nova geração ainda sabe fazer isso — ou se prefere que o público reconheça o trecho de imediato.

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