Festival de Documentários de Ilhabela acontece de 25 a 30 de agosto, com programação gratuita que reúne produções brasileiras e colombianas.
Angelo Cordeiro (@angelocordeirosilva).
O Citronela Doc – Festival de Documentários de Ilhabela chega à sua 6ª edição entre os dias 25 e 30 de agosto, em Ilhabela, no litoral de São Paulo, inaugurando uma nova fase com uma programação ampliada e uma série de novidades.
Pela primeira vez, as Mostras Nacional e Regional serão competitivas, enquanto o evento também promove uma Mostra Internacional em parceria com o Festival Internacional de Cine de Cartagena de Indias (FICCI), na Colômbia.
Com todas as atividades presenciais gratuitas, o festival recebeu mais de 550 inscrições para esta edição. As produções selecionadas representam 12 estados brasileiros e o Distrito Federal, além de realizadores de cinco cidades do Litoral Norte e do Vale do Paraíba.
Entre as novidades está a criação de uma premiação para os filmes nacionais. A competição distribuirá os prêmios de Melhor Longa-Metragem, Melhor Curta-Metragem e Menção Honrosa.
Já a Mostra Regional terá as categorias Melhor Filme Regional e Melhor Filme de Diretor(a) Estreante. O festival também contará com o Prêmio Utopia Docs, oferecido pela distribuidora internacional Utopia Docs, e o Prêmio Aquisição todesplay.
O júri responsável pela avaliação das obras reúne profissionais de diferentes áreas do audiovisual, como a diretora Tatiana Lohmann, a jornalista Paulina Chamorro, o montador Willen Dias, a produtora executiva Erika Araujo, a diretora Lygia Barbosa e o curador Paulo Delfini, integrante do Fórum de Cinema do Interior Paulista (Icine).
Competição nacional reúne documentários premiados.
A Mostra Nacional terá oito longas-metragens em competição. Entre os destaques está A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capa, que teve sua estreia na edição de 2026 do Festival Internacional de Cinema de Berlim, a Berlinale.
Também integram a seleção Na Passagem do Trópico, de Francisco Miguez, filmado em Ubatuba; O Pai e o Pajé, de Iawarete Kaiabi, Felipe Tomazelli e Luís Villaça, vencedor do Prêmio Abraccine na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo; e Lendo o Mundo, de Catherine Murphy e Iris de Oliveira, sobre o educador Paulo Freire.
A programação ainda inclui Apopcalipse Segundo Baby, de Rafael Saar, resultado de 18 anos de acompanhamento da trajetória da cantora Baby do Brasil; Cartas para…, de Vânia Lima; Mãos à Terra, de Sérgio Guidoux Kalil; e Vivo 76, de Lírio Ferreira, dedicado ao histórico álbum Vivo!, de Alceu Valença — leia a crítica de Rolling Stone Brasil clicando aqui.
Entre os curtas-metragens selecionados estão produções que abordam temas como memória, povos indígenas, cultura afro-brasileira, violência de Estado, mineração, encarceramento juvenil e tradições populares.
A lista reúne A Pele do Ouro, Caldeirão, Cordel da Marujada, Cordões e Sinos de Além-mar, Escudo, Logos, Minhocuçu, Os Arcos Dourados de Olinda, Thayara e Vinte Vinte Quatro.
Produção do Litoral Norte ganha destaque.
A Mostra Regional amplia o espaço dedicado à produção audiovisual do Litoral Norte paulista e do Vale do Paraíba. Estão na disputa A Força da Raiz, de Maria Sol Aranda; Janelas da Memória, de Yasmin Bilard; Kaeté, de Pedro Ciampolini; Menina Moça e a Cobra de Duas Cabeças, de Letícia Andra; Narrativas ao Sol, de Isabella Gonçalves e Thais Chaves; Renato Canoeiro Caiçara, de Dannyel Leite; e Resíduos de Esperança, de Roseane Moura.
Com direção majoritariamente feminina, os filmes exploram temas ligados à memória, identidade, cultura, saberes ancestrais, relação com a natureza e sustentabilidade.
As produções também refletem sobre transformações sociais e ambientais que impactam as comunidades da região, dando visibilidade a personagens e histórias pouco representados no cinema.
FICCI leva cinema colombiano a Ilhabela.
Outra estreia da edição de 2026 é a Mostra Internacional, realizada em parceria com o FICCI, considerado o mais antigo festival de cinema da América Latina. A seleção apresenta produções colombianas exibidas nas edições de 2025 e 2026 do evento.
Entre os destaques está o longa Andariega, de Raúl Soto Rodríguez, que acompanha a rotina nômade de uma colhedora de café e teve passagens pelo IDFA e pelo FICCI.
A mostra também apresenta os curtas Decair, de Juan Camilo González; Filme Pin, de Maria Rojas Arias e Andres Jurado; Niña Chilapa, de Juana Lotero; e Sombras na Névoa, de Pedro Pablo Vega Reyes.
Com exceção de Filme Pin, todos terão estreia brasileira no Citronela Doc. Sombras na Névoa terá ainda sua estreia internacional em Ilhabela.
João Moreira Salles participa de masterclass.
Entre os principais destaques da programação está a masterclass “O Problema do Documentário”, com o documentarista, roteirista e produtor João Moreira Salles. O encontro acontece no sábado, 29 de agosto, das 11h30 às 13h, no Esporte Clube Ilhabela, com entrada gratuita e sem necessidade de inscrição prévia.
Salles é responsável por documentários como Notícias de uma Guerra Particular, Santiago e No Intenso Agora. O cineasta também publicou recentemente Arrabalde, série de sete reportagens sobre sua experiência na Amazônia.
O festival terá ainda sessões especiais fora das competições, com a exibição de Mounir, de Juliana Borges, vencedor do prêmio de Melhor Filme Longa-Metragem na mostra Territórios e Memória da 15ª Mostra Ecofalante de Cinema, e Artacho Jurado, Sinfonia de um Arquiteto, de Teresa Eça e Pedro Gorski.
Formação, programação infantil e sessões educativas.
O Encontro de Realizadores, coordenado pela Escola de Cinema Citronela, será realizado entre os dias 28 e 30 de agosto. A programação formativa terá atividades em parceria com instituições como Spcine, Sebrae, Icine, Ilhacine e Ilhabela Convention & Visitors Bureau.
A edição de 2026 também marca a estreia da Mostra Infantil, realizada em parceria com o festival Recria Cine, com nove produções voltadas ao público infantil.
Já a Mostra Educativa promoverá nove sessões para estudantes da educação infantil e dos ensinos fundamental 1 e 2 de escolas públicas de Ilhabela, no Cine Villa Bella & Clube, localizado no Centro Cultural Waldemar Belisário.
Além dos filmes e atividades formativas, o Citronela Doc terá debates, oficinas, apresentações artísticas e shows ao longo da programação.
Festival também terá programação online.
Após a etapa presencial, parte da programação poderá ser conferida gratuitamente pela internet. Os filmes ficam disponíveis entre 1º e 10 de setembro, em todo o Brasil, pelas plataformas Spcine Play e todesplay.
A programação completa e outras informações sobre o festival estão disponíveis no site oficial do Citronela Doc e nas redes sociais do evento.
Fontes
Informação baseada em material público de Rolling Stone Brasil, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.