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Vitória da extrema direita amplia medo entre imigrantes e ativistas na Alemanha

Refugiados relatam discriminação crescente nas ruas após a eleição

5 min de leitura
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Depois que as urnas foram fechadas na eleição estadual alemã, no último dia 6, dezenas de ativistas locais favoráveis aos migrantes se reuniram, apreensivos, para jantar e ver qual seria a dimensão da vitória da extrema direita anti-imigração.

Quando as pesquisas de boca de urna apareceram na tela, mostrando ampla vantagem para a Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão), partido contrário à imigração, os ativistas ficaram em silêncio, disseram vários deles em entrevistas.

Quando a vitória esmagadora do partido foi confirmada, os convidados foram embora mais cedo, alguns em lágrimas.

Depois do resultado, ninguém mais teve vontade de comer", disse Amidou Traore, 57, assistente social natural da Costa do Marfim que participou do encontro e relatou ter vivenciado uma hostilidade crescente contra estrangeiros no período que antecedeu a eleição.

Quando se vê uma coisa dessas, bate o desespero.

Em todo o Estado da Saxônia-Anhalt, imigrantes e seus apoiadores se preparam para a possibilidade de que a AfD forme uma coalizão para governar o estado nas próximas semanas.

Embora não tenha conquistado maioria absoluta no Parlamento estadual, a AfD poderá chegar ao poder se obtiver o apoio de um pequeno partido populista —uma medida que colocaria a extrema direita no comando, pela primeira vez desde 1945, em um estado alemão.

A AfD fez campanha prometendo fazer deportações em massa de refugiados, substituir trabalhadores estrangeiros por alemães, reorientar a educação para o nacionalismo alemão e o orgulho étnico e retirar verbas estaduais de centros governamentais e organizações sem fins lucrativos que apoiam imigrantes.

Após a eleição, dirigentes da AfD reafirmaram algumas dessas promessas, embora os governos estaduais não tenham autoridade para implementar parte delas. Ulrich Siegmund, principal representante do partido na Saxônia-Anhalt, disse que estava disposto a usar equipamentos militares para realizar deportações.

Agora, refugiados e trabalhadores estrangeiros cogitam se mudar para outros estados alemães ou para o exterior. Estudantes internacionais esperam que suas universidades cumpram as promessas de protegê-los de eventuais retaliações do governo.

Ativistas dos direitos dos migrantes dizem estar traçando estratégias para proteger pessoas vulneráveis nesta nova era, enquanto organizações assistenciais procuram novos doadores.

Em Magdeburgo, a capital do estado, o New York Times entrevistou 16 imigrantes, alguns dos quais viviam na Alemanha havia décadas e outros, havia apenas alguns anos.

Muitos haviam obtido cidadania ou residência permanente, enquanto outros aguardavam uma decisão sobre seus pedidos de asilo ou não tinham situação migratória regular.

A maioria relatou ter sofrido hostilidade e discriminação crescentes nas ruas durante o período eleitoral e manifestou profundo medo e incerteza diante do que estava por vir.

Afsaneh Mehrpouyan, 33, imunologista iraniana, mudou-se para o norte da Alemanha em 2022 para realizar pesquisas médicas e, há um ano, transferiu-se para uma universidade em Magdeburgo.

Agora, segundo ela, sua família cogita se mudar novamente por temer que a AfD torne mais difícil a vida dos imigrantes no estado.

Para aqueles de nós que trabalham legalmente aqui, somos especializados em uma área e estamos ajudando este país", disse ela, referindo-se ao fato de que trabalhadores estrangeiros preenchem lacunas em setores essenciais, como a saúde.

Agora, ela se pergunta se os imigrantes serão "tratados como cidadãos de segunda classe ou se receberão tratamento igualitário.

A oposição da AfD à imigração impulsionou sua popularidade na Saxônia-Anhalt e em toda a Alemanha, sobretudo desde que o país acolheu 890 mil refugiados em 2015, no auge da crise migratória europeia.

Embora a migração para a Saxônia-Anhalt seja menor do que na maioria dos outros estados alemães, o número de estrangeiros ali quase quadruplicou em pouco mais de uma década, passando de 47 mil, em 2014, para 192 mil em 2025, segundo estatísticas estaduais.

Quase todos têm o direito legal de permanecer no país segundo a legislação federal, e cerca de um terço é formado por refugiados, em sua maioria da Síria e da Ucrânia.

Esse aumento abalou o estado, que tem 2,1 milhões de habitantes, historicamente recebeu menos imigrantes do que outras regiões da Alemanha e apresenta uma taxa de desemprego especialmente elevada.

Moradores temiam que os imigrantes estivessem tomando seus empregos, embora especialistas afirmassem que os trabalhadores estrangeiros poderiam ajudar a suprir a escassez crônica de mão de obra qualificada.

A oposição se intensificou depois que um médico saudita lançou um veículo utilitário esportivo contra um mercado de Natal em Magdeburgo, em 2024, matando seis pessoas.

Michael Penther, 67, aposentado e apoiador da AfD em Magdeburgo, disse apoiar o partido por acreditar que os imigrantes estavam fomentando a criminalidade. Segundo estatísticas estaduais, a criminalidade caiu na Saxônia-Anhalt desde 2014.

Mas a proporção de crimes que, em 2025, tiveram como suspeitos solicitantes de asilo e imigrantes sem situação legal na Saxônia-Anhalt —excluídas as infrações à legislação migratória— foi desproporcionalmente alta em comparação com a parcela da população que esses grupos representam.

Alguns imigrantes mostraram-se céticos quanto à possibilidade de a AfD causar grande impacto na vida dos estrangeiros em situação regular que trabalham, pagam impostos e cumprem a lei.

Rahimi Qabilshaha, 35, profissional de segurança, disse ter chegado à Alemanha em 2021, depois que o Talibã tomou o controle do Afeganistão. Segundo ele, a AfD fez promessas de campanha que terá dificuldade para cumprir no poder.

Vamos esperar para ver quais políticas a AfD adotará em relação aos imigrantes no futuro", disse. "Depois, decidiremos se a AfD pode ou não ser considerada um bom partido para os imigrantes.

Ainda assim, para refugiados que ainda não obtiveram situação legal, o resultado da eleição representa "uma situação de pânico", disse Krzysztof Blau, que dirige a Casa Um Só Mundo, associação de defesa dos direitos dos migrantes que promoveu o encontro para acompanhar a apuração na noite da eleição.

Em números

  • Esse aumento abalou o estado, que tem 2,1 milhões de habitantes, historicamente recebeu menos imigr

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