A denúncia de Edmand Lara ocorre dois dias após a prisão do procurador-geral da República da Bolívia, Roger Mariaca, acusado pelo governo Paz de ligações com o narcotráfico.
Mariaca era o responsável por uma investigação de tentativa de feminicídio e tráfico de drogas do operador digital argentino Fernando Cerimedo, que atuou como assessor dos presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, e da Argentina, Javier Milei, sendo ligado a grupos de direita na América Latina, apoiados por Donald Trump.
O vice-presidente Lara vem pedindo explicações sobre a prisão de Mariaca.
O vice-presidente Edman Lara, que se encontra em viagem à Espanha, afirmou na carta publicada hoje que teme por sua segurança física e por sua vida.
Até o fechamento desta reportagem, o governo de Rodrigo Paz não havia se manifestado sobre as denúncias do vice-presidente.
A doutoranda em ciência política na Universidade de São Paulo (USP) Alina Ribeiro, especialista na política boliviana, lembrou à Agência Brasil que Edmand Lara foi para a oposição ao governo Paz e que o vice-presidente vinha questionando o papel de Cerimedo no governo.
A defesa de Cerimedo nega as acusações alegando que o cliente é vítima de uma armação política.
A prisão do procurador-geral da Bolívia Roger Mariaca, dois dias depois de ter sido acusado pelo governo Donald Trump de relação com o narcotráfico, levou servidores ligados ao procurador a denunciarem que ele foi “sequestrado” sem mandado judicial.
O vice-presidente Lara ainda entrou em conflito com o governo ao discordar do procedimento para substituir o procurador-geral preso.
Na Bolívia, a vice-presidência tem funções parlamentares e Lara havia convocado uma sessão legislativa, para próxima terça-feira (5), para discutir as acusações do governo Trump contra diversas autoridades bolivianas.
Porém, o presidente do Senado, Diego Ávila, antecipou a sessão para a tarde desta sexta-feira (2), mudando o objeto da sessão para discutir exclusivamente a prisão de Mariaca.
O governo dos Estados Unidos (EUA) defendeu a prisão do procurador-geral Roger Mariaca, alegando que a medida representou uma ação do Escudo das Américas, iniciativa liderada por Trump com outros 14 países latino-americanos para, supostamente, combater os cartéis de drogas.
Porém, analistas apontam que a coalizão tem interesses econômicos de subordinar a América Latina à influência da Casa Branca e barrar parcerias com a China, em meio à guerra comercial entre as duas potências.
Nas redes sociais, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o governo Trump apoia “firmemente” a operação do governo de Rodrigo Paz contra o procurador-geral da Bolívia.
Em nota conjunta, os países do Escudo das Américas também saíram em defesa de Paz.
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