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Trump recebe Xi em Washington com pompa, mas poucos avanços à vista

Presidente americano encontra o chinês pessoalmente em base aérea, recepção rara em visitas de estrangeiros aos EUA

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O presidente Donald Trump recebeu nesta quarta-feira (23) o dirigente chinês, Xi Jinping, em Washington para uma visita de Estado cercada de simbolismo e expectativa, mas com perspectivas limitadas de grandes acordos entre as duas maiores potências do mundo.

Xi desembarcou na base militar Andrews, em Maryland, em sua primeira visita de Estado a Washington em mais de uma década. Trump foi pessoalmente à base militar para recebê-lo.

Quando o republicano chegou a Pequim, em maio, Xi não foi ao aeroporto encontrá-lo.

O gesto é incomum para um presidente americano, que normalmente recebe líderes estrangeiros na Casa Branca, não no aeroporto. Trump fez algo semelhante em agosto de 2025, quando recebeu Vladimir Putin na pista da base Elmendorf-Richardson, no Alasca.

Agora, em Washington, o republicano poupou esforços. Além da presença de Trump no aeroporto, Xi foi recebido com tapete vermelho e participará de uma série de eventos.

Na base aérea onde foi recebido, nenhuma das três principais redes de TV a cabo do país —CNN, Fox News ou MS Now— transmitiu ao vivo o momento.

Equipes das três emissoras estiveram presentes no evento, mas não filmando, em meio a uma disputa judicial sobre a proibição de acesso às dependências da Casa Branca para jornalistas de determinados veículos, incluindo a CNN e a MS Now.

Na segunda, a CNN foi retirada da função de representante do pool de imprensa responsável pela cobertura televisiva da Casa Branca. Em resposta, as principais redes de televisão concordaram em suspender a cobertura conjunta dos compromissos do presidente.

A recepção oficial do líder chinês na Casa Branca, na quinta-feira (24), incluirá apresentações militares e um sobrevoo de um bombardeiro B-2 Spirit e quatro caças F-22 Raptor.

À noite, Trump e a primeira-dama, Melania, oferecerão um jantar de Estado a Xi e à primeira-dama chinesa, Peng Liyuan.

Apesar das festividades marcadas para os próximos dias, Trump tem travado uma série de conflitos com o líder chinês desde o tarifaço no ano passado a insinuações, sem provas, de que a China teria interferido nas eleições de 2020, quando o republicano perdeu para Joe Biden (embora até hoje não reconheça a derrota).

Esta será a terceira reunião presencial entre Trump e Xi em 11 meses. Os dois se encontraram em Busan, na Coreia do Sul, em outubro de 2025, e novamente em Pequim, em maio deste ano.

Outros dois encontros entre os líderes estão programados para este ano: em novembro, durante a reunião de líderes da Apec (Cooperação Econômica Ásia-Pacífico), em Shenzhen, e em dezembro, no G20, em Miami.

Apesar da frequência dos encontros e da pompa envolvida na passagem de Xi por Washington, analistas políticos veem poucas perspectivas de avanços significativos nas principais disputas entre os dois países.

Rush Doshi, especialista em China do CFR (Conselho de Relações Exteriores), afirmou em análise que os resultados mais prováveis são uma extensão temporária da atual trégua comercial, algumas compras chinesas de produtos agrícolas e de energia americanos e avanços em um diálogo sobre inteligência artificial.

Em paralelo à chegada de Xi e após se reunir com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou que os países concordaram em prorrogar o acordo até 10 de janeiro.

Reunimo-nos hoje para ver se poderíamos fechar um acordo mais amplo, em vez de apenas uma série de medidas menores. Concordamos em prorrogar o que chamamos de Acordo de Busan", disse Bessent.

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