Presidente da nação insular de língua portuguesa leu recados enviados pela juventude timorense sobre paz e educação; José Ramos Horta lamentou o prolongamento das guerras e o crescimento da ameaça nuclear.
Ao assumir a tribuna da Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira, o presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, agradeceu, em português, ao secretário-geral da ONU, António Guterres, pelos 10 anos dedicados ao cargo.
Ele qualificou Guterres como um líder “compassivo e esclarecido, incansável, humilde e acessível”, que não se deixou deslumbrar pela visibilidade do cargo nem intimidar pelo enorme peso da agenda.
Guterres encerra seu mandato em 31 de dezembro deste ano e o processo para a escolha de uma nova liderança está em curso.
Ramos Horta disse que após mais de 80 anos com homens à frente da organização, é preciso ter “a sabedoria de eleger uma mulher de integridade inquestionável, com uma trajetória ilibada na defesa dos direitos humanos e forte atuação em prol da igualdade de gênero e da inclusão”.
Em seu discurso, o presidente de Timor-Leste abriu espaço para mensagens escritas por jovens timorenses, que foram convidados a compartilhar suas esperanças e sonhos.
Uma das mensagens, da jovem Emilly, de 16 anos, dizia: “Que possamos construir um mundo onde nenhuma criança conheça o som da guerra antes do som do riso, e onde nenhum sonho seja enterrado por causa do ódio de outra pessoa”.
Já o jovem Solomon, de 12 anos, escreveu a seguinte proposta: “A todos os povos que governam o nosso mundo: as crianças não deveriam ter que aprender sobre todas as guerras nas aulas de história; deveríamos aprender os nomes das estrelas, os nomes dos pacificadores e como chegar ao planeta Marte”.
Ramos Horta participou, no ano passado, do lançamento da Declaração Global da Compaixão, juntamente com outros chefes de Estado e ganhadores do prêmio Nobel da Paz, para promover uma governança mais responsável.
Ele afirmou que os mercados e a tecnologia foram globalizados, “mas agora chegou o momento de globalizar a compaixão, não como uma emoção passiva, mas como uma força poderosa para alcançar justiça e paz para todos”.
O presidente de Timor-Leste declarou que o salão das Nações Unidas reúne países grandes e pequenos, “alguns imensamente ricos, muitos outros chocantemente pobres”.
Ramos Horta enfatizou que alguns possuem armas obsoletas e inofensivas, enquanto poucos outros aperfeiçoaram seus arsenais nucleares, agora cem vezes mais destrutivos do que aqueles lançados sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945.
Ele afirmou que os países que acumulam armas nucleares mantêm toda humanidade vivendo à beira de uma “catástrofe iminente” e que a qualquer momento, “por acidente, erro de cálculo, falha de computador, insanidade ou um projeto estratégico insensato, podemos nos tornar a última geração humana”.
O líder timorense pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que seja “audacioso, imprevisível e visionário”, convidando todas as potências nucleares para uma cúpula, visando à desativação e destruição total dos arsenais nucleares ao longo de uma década.
Ramos Horta ressaltou que a Carta das Nações Unidas não foi escrita para tornar os fortes fracos. Foi escrita para impedir que os fortes tornem o mundo inabitável.
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