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Protestos por moradia fazem Sánchez convocar eleições na Espanha

Primeiro-ministro aposta em insatisfação popular para superar minoria no Congresso

3 min de leitura
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Após um fim de semana de protestos por moradia que levaram dezenas de milhares às ruas na Espanha, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a dissolução do Parlamento e a convocação de eleições no país.

O pleito está marcado para 29 de novembro.

Sánchez aposta na insatisfação popular para superar um Congresso hostil, que derrubou dois decretos de seu governo relacionados à habitação na semana passada. O despejo de uma idosa de 87 anos, que ganhou projeção internacional, escancarou a crise habitacional espanhola, uma das mais graves entre muitas percebidas nas capitais europeias.

Precisamos renovar o apoio da população", afirmou Sánchez em discurso. "Precisamos nos mobilizar e conquistar uma maioria progressista muito maior no parlamento, que nos permita superar os interesses estabelecidos, alcançar novos avanços sociais e continuar transformando a Espanha.

Alberto Núñez Feijóo, do Partido Popular, principal nome da oposição, afirmou que "enfim" o país poderá "fechar esse capítulo e abrir outro melhor". "É uma escolha entre corrupção e decência, entre declínio e prosperidade, entre um governo que aspira apenas a sobreviver e um país que olha para o seu futuro", declarou o conservador em entrevista, pouco depois do anúncio feito pelo premiê.

Tentar alavancar o Partido Socialista, com o qual governa em minoria, é uma manobra de risco de Sánchez, segundo analistas. Pesquisas de opinião mostram o bloco de esquerda enfraquecido no país, após uma série de escândalos relacionados ao primeiro-ministro e à condução da crise imigratória em Ceuta.

Também sei que parte dessa maioria social está insatisfeita hoje", disse Sánchez em seu pronunciamento. Segundo o líder socialista, uma das poucas vozes da esquerda na União Europeia, buscar a maioria no Congresso é uma tarefa necessária para manter a Espanha como "um bastião da abertura, da justiça social e da responsabilidade ambiental.

As medidas elaboradas por Sánchez para enfrentar a onda de protestos incluíam a proibição de despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, a prorrogação do congelamento do aluguel por dois anos para contratos já em vigor e regras mais rígidas para locações de curto prazo.

Um acampamento na Puerta del Sol, o marco zero de Madri, transformou-se em símbolo do movimento. O protesto, que começou há pouco mais de uma semana, no sábado (26), vem atraindo cada vez mais adeptos.

Segundo o Sindicato dos Inquilinos, um dos organizadores, há mais de 1. 200 tendas registradas no local.

Os manifestantes haviam afirmado que não sairiam do local até a aprovação dos "decretos Maricarmen", assim conhecidos devido a Maricarmen Abascal, 87. Na quarta-feira (23), as cenas da polícia retirando-a de maca do apartamento em que viveu por sete décadas correram o mundo e deram gás ao movimento.

Para a oposição, o pacote não tinha capacidade de resolver o problema e ainda restringiria o mercado imobiliário espanhol.

Esta reportagem está em atualização.

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