Ir para o conteúdo

Quinta-feira, 8 de outubro de 2026 | Corumbá - MS | 30°C Céu limpo

Mundo

Prisão de chefe da inteligência alemã por espionagem acende alerta entre aliados

A prisão do ex-chefe do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha está despertando forte reação no país e em seus aliados. August Hanning foi detido na terça-

4 min de leitura
Prisão de chefe da inteligência alemã por espionagem acende alerta entre aliados

A prisão do ex-chefe do Serviço Federal de Inteligência da Alemanha está despertando forte reação no país e em seus aliados. August Hanning foi detido na terça-feira (6) sob suspeita de espionagem e tentativa de traição.

Ele teria obtido informações secretas e compartilhado com pelo menos um país estrangeiro depois de deixar o cargo. As agências de inteligência britânicas e americanas estão investigando se informações e até mesmo suas próprias fontes foram comprometidas pelo vazamento.

O que a Alemanha descobriu esta semana é que o homem que chefiou o seu Serviço Federal de Inteligência entre 1998 e 2005 obteve ilegalmente cerca de 2 mil documentos depois que deixou a agência, até pelo menos 2022.

August Hanning, que hoje tem 80 anos, foi preso na região da Renânia do Norte-Vestfália, e o seu cúmplice, o homem que vazava os documentos para ele, foi preso na Baviera.

O caso foi descoberto durante as investigações de outro crime não relacionado. A polícia investigava August Hanning por envolvimento com o caso da milionária Christina Block, herdeira de uma rede de churrascarias bem famosa aqui da Alemanha.

Ela era acusada de ter encomendado o sequestro de seus dois filhos mais novos no final de 2023, na Dinamarca, em uma disputa pela guarda das crianças com o pai.

Quando a polícia fez uma devassa no computador de August Hanning por causa desse caso, acabou descobrindo os milhares de documentos que ele obtinha ilegalmente do Serviço de Inteligência.

A partir daí, foi só puxar o fio para desvendar o que pode se transformar na maior história de espionagem e traição da história recente da Alemanha.

O ex-chefe do Serviço de Inteligência alemã August Hanning atuava no setor privado como consultor de segurança quando esses vazamentos teriam ocorrido. O ministério público diz que ele usou informações confidenciais para preparar uma análise para um funcionário de um serviço de inteligência estrangeiro.

O caso surgiu justamente num momento de forte preocupação com a espionagem russa na Alemanha. Mas os investigadores indicam que, neste episódio, não se trata do regime de Vladimir Putin.

Segundo investigação da revista Der Spiegel, o país em questão seria o Azerbaijão. Hanning tinha relações antigas com o país, tendo sido membro do conselho do Fórum Alemão-Azerbaijano.

Entre os documentos supostamente obtidos estariam informações sobre o programa nuclear iraniano e as forças militares russas.

Depois que deixou o cargo de chefe do Serviço de Inteligência, Hanning ainda trabalhou como Secretário de Estado no Ministério Federal do Interior, até 2009, quando passou para a iniciativa privada.

Os vazamentos se davam através de seu ex-chefe de gabinete, que é chamado pela investigação de Manfred D. Ele trabalhou no serviço de inteligência até o início deste ano.

A notícia caiu como uma bomba justamente na semana em que o atual chefe do serviço de inteligência, Martin Jäger, disse que a ameaça de ataques contra alvos na Alemanha continua real e presente e que “a Alemanha corre o risco de se ver envolvida em um conflito violento com a Rússia”.

A agência de inteligência britânica, assim como diversas agências americanas, planejam realizar uma revisão interna sistemática de todas as informações sensíveis compartilhadas com aliados europeus durante o período em questão.

Também há uma forte cobrança dos partidos da coalizão do governo por mudanças e fiscalização no Serviço de Inteligência.

O chanceler Friedrich Merz já tinha uma proposta de reforma no serviço, mas seu próprio partido agora pede uma reformulação do zero. Um dos principais problemas apontados é a permeabilidade entre o público e o privado: muitos altos funcionários do governo vão trabalhar em consultorias ao deixar o poder e isso já foi motivo de atividades suspeitas no passado.

Vale lembrar o célebre caso do ex-chanceler Gerhard Schröder, que depois de sair do governo assumiu cargos em empresas ligadas ao setor energético russo.

Se as suspeitas forem confirmadas, este seria um caso de dimensão histórica, porque nunca houve na Alemanha uma acusação de traição envolvendo um ex-funcionário de nível tão alto quanto um antigo diretor do serviço de inteligência.

Mas o próprio serviço já enfrentou outros casos graves. Em 2022, um funcionário de alto escalão, Carsten L., foi preso sob suspeita de ter vazado informações ultrassecretas.

Segundo a acusação, o material chegou ao serviço de inteligência russo FSB por meio de um intermediário, e os dois teriam recebido centenas de milhares de euros.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo