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Podcast esmiúça história de Asma Al-Assad, que quis ser a 'Diana da Síria'

Investigação do jornal inglês The Observer tenta estabelecer se primeira-dama foi vítima ou algoz junto com marido

3 min de leitura
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Onde Disponível nos principais tocadores Produção The Observer O quanto sabemos sobre as esposas de ditadores? Algumas entraram para o folclore por seus hábitos extravagantes de consumo, como a filipina Imelda Marcos, célebre por sua imensa coleção de sapatos de grife.

Outras, pela influência que acumularam nos bastidores dos regimes de seus maridos, como Jiang Qing, a "Madame Mao", que durante anos foi a mulher mais poderosa da China maoísta.

Asma al-Assad, casada com Bashar al-Assad, que foi ditador da Síria, quase conseguiu um feito muito mais raro: o de construir uma boa imagem pública.

No início de 2011, a revista Vogue publicou um extenso perfil sobre Asma. Com o título "Rosa do deserto", a revista de moda descreve a primeira-dama como dinâmica, jovem, glamourosa e "muito chique —a mais fresca e magnética das primeiras-damas.

Elogiada por seu "estilo Ocidental", ela é um contraponto ao "luxo e ostentação do poder no Oriente Médio" e pretende modernizar o país, diz a Vogue.

Menos de duas semanas depois da publicação, a Primavera Árabe chegou à Síria, com protestos pedindo a queda de Bashar, à frente do regime desde a morte de seu pai, o também ditador Hafez al-Assad, em 2000.

A eclosão das manifestações gerou uma crise de reputação não apenas no palácio dos Assad, mas também nos corredores da revista.

A mítica editora Anna Wintour liderou uma operação para recolher todas as edições com o perfil da primeira-dama síria das bancas. Um detalhe torna a situação toda mais surreal: o texto havia sido emplacado por uma assessoria dos Estados Unidos especializada em melhorar a imagem de ditadores mundo afora.

São bastidores como estes que a jornalista Chloe Hajimatheou explora em "We Call Her Emma" (Nós a chamamos de Emma), o recém-lançado podcast do jornal inglês The Observer que traça um perfil de Asma Al-Assad.

Para os britânicos, a figura da primeira-dama síria tem um apelo de curiosidade adicional: ela é nascida e criada em Londres.

É daí, aliás, que advém o título da série. Até o casamento, Asma era conhecida em Acton, o bairro londrino de classe média onde morava com os pais, um médico e uma dona de casa sírios, como Emma Akhras.

Formada em ciência da computação no King's College, Emma/Asma trabalhou no mercado financeiro, primeiro no Deutsche Bank e depois no J. P. Morgan até que, em 2000, desapareceu do trabalho.

Os colegas vêm a saber que ela está na Líbia, onde ficará por três semanas hospedada… em uma das propriedades do ditador Muamar Gaddafi no deserto. Está acompanhada do noivo, o oftalmologista e futuro ditador Bashar.

Voltou apenas para pegar suas coisas e mudar, de vez, para a Síria.

Ao longo de seis episódios, a jornalista vai e volta na questão central: Asma foi uma vítima do regime sírio, enganada para entrar em um casamento com um homem autoritário do qual não conseguiu mais sair, ou participante ativa das atrocidades que o governo encabeçado pelo marido viria a cometer.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

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