O Palácio do Planalto aposta na possibilidade de um encontro informal entre os presidentes Lula e Donald Trump durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Sem bilateral prevista, cronograma pode viabilizar contato entre os presidentes.
Lula embarca no domingo (20) e deixa Nova York na terça-feira (22), logo depois do discurso.
Não há uma reunião bilateral agendada nem um pedido formal de qualquer um dos governos para um encontro até o momento, mas a própria organização da cerimônia pode favorecer esse contato.
Lula abre os discursos dos chefes de Estado e Trump fala logo depois, ou seja: enquanto um deixa a área reservada, o outro se prepara para entrar.
A avaliação de auxiliares brasileiros é que a relação entre os presidentes permanece preservada, mesmo quando o contato entre auxiliares dos dois governos não avança.
O ambiente agora, inclusive, traz novos elementos de tensão, depois que Trump afirmou que o governo brasileiro falhou no enfrentamento ao PCC e ao Comando Vermelho.
Ao mesmo tempo, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro informou a integrantes do governo americano sobre a eleição brasileira e a crise do Supremo Tribunal Federal.
No ano passado, esse contato ocorreu sob a pressão do tarifaço de 50% e das sanções aplicadas com base na Lei Magnitsky.
No discurso da ONU, Lula deve dar recados para dentro e para fora do Brasil. Já é esperado que o presidente defenda o multilateralismo e a soberania. Há expectativa também de que Lula rejeite a interferência de outros governos nas eleições brasileiras.
A fala, prevista para durar entre 15 e 20 minutos, também deve tratar das guerras e de seus efeitos sobre a economia mundial, inclusive na produção e no preço dos alimentos.
Lula pretende voltar a defender uma saída diplomática para os conflitos, além de alertar para o avanço da corrida armamentista e para a disputa internacional pelo controle de recursos naturais estratégicos.
Na agenda ambiental, o presidente deve citar a COP30 e apresentar o Brasil como defensor de um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico e preservação.
A regulação das plataformas digitais também estará no discurso, com referências ao ECA Digital, à proteção de crianças e mulheres e aos desafios impostos pela inteligência artificial.
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