Derrotado por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará sua maior batalha eleitoral desde que se elegeu pela primeira vez, em 2002.
- Author, Vitor Tavares e João Fellet.
- AO VIVO: Mercado reage com recorde histórico da bolsa e dólar em queda; acompanhe.
- Virada surpreendente': como imprensa internacional repercutiu vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula no 1º turno.
- Quem são os senadores eleitos em 2026: veja os resultados por Estado.
- Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato são os deputados mais votados da história: veja os 10 no topo da lista.
- 01:22Play Vídeo, 'O desenho se torna muito difícil para o presidente Lula no 2º turno', diz Creomar de Souza, Duration 1,22.
- 01:57Play Vídeo, Lula: 'O 2º turno é a verdadeira fotografia do Brasil', Duration 1,57.
- 01:08Play Vídeo, Flávio Bolsonaro: 'Está decretado o fim da era do PT', Duration 1,08.
- 00:06Play Vídeo, Trump diz que segue de perto a eleição no Brasil, Duration 0,06.
- 03:23Play Vídeo, Quem faz campanha contra a urna eletrônica?, Duration 3,23.
- 01:44Play Vídeo, Piketty: Virada 'trumpista' no Brasil seria ruim para o mundo, Duration 1,44.
- 00:54Play Vídeo, Casas de luxo são descobertas dentro de prisão na Indonésia, Duration 0,54.
- 00:54Play Vídeo, Em vídeo, passageiro pede ajuda no avião para Israel onde um piloto esfaqueou o outro, Duration 0,54.
- 01:59Play Vídeo, 'Me senti traída', diz mulher que descobriu que namorado a estuprava enquanto ela dormia, Duration 1,59.
- 02:22Play Vídeo, Como é o voto dos jovens no Brasil, Duration 2,22.
- Perda de votos no Nordeste e outros obstáculos de Lula para tentar virada inédita no 2º turno Há 5 horas.
- Lula x Flávio no 2º turno: para onde vão os votos de Cury, Renan e Caiado?Há 2 horas.
- Presenciei quase 500 execuções de presos – e nunca vi uma como a de Christa Pike'3 outubro 2026.
- Pedro Sánchez convoca eleições antecipadas na Espanha após plano para enfrentar crise de moradia fracassarHá 1 hora.
- Por que a Espanha, que construía casas demais, vive hoje uma grave crise de moradia3 outubro 2026.
- O gado está morrendo de sede e fome': o impacto devastador do El Niño no Corredor Seco da América Central3 outubro 2026.
- Vorcaro forneceu jatinho e Moët Chandon a desembargador para viagem a Buenos Aires, mostram mensagens2 outubro 2026.
- Copiloto usou machado em ataque a comandante de avião para Israel3 outubro 2026.
- O que deu errado para a Nike? Como gigante mundial de artigos esportivos perdeu 'brilho'2 outubro 2026.
- 5Quando é o 2º turno? Posso votar se não fui no 1º? Guia do eleitor com tudo o que você precisa saber.
- 6De 1,3 milhão a 5 mil votos: como cearenses derrubaram Tiririca após 14 anos eleito por SP.
- 7Mapa das Eleições 2026: veja ao vivo o resultado para presidente e governador por Estado e cidade.
- 8Quem são os governadores eleitos em 2026 e quais Estados terão 2º turno: veja os resultados.
- 9Flávio Bolsonaro x Lula: os contrastes dos projetos de Brasil que vão para o 2º turno.
- BBC News, Vá para o conteúdo Seções Eleições 2026: resultados em tempo realAcompanhe a apuração para presidente e governador em seu Estado e município com o mapa interativo da BBC News Clique aquiPerda de votos no Nordeste e outros obstáculos de Lula para tentar virada inédita no 2º turno Crédito, julia Ju/Anadolu via Getty ImagesArticle Information.
Ele terá que reverter a abstenção entre eleitores mais pobres, recuperar a perda de votos em todos os Estados do Nordeste, melhorar o desempenho em São Paulo e Minas Gerais — onde foi derrotado — e disputar os votos dados no primeiro turno a Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
Desde a redemocratização do Brasil, em 1988, nunca houve uma virada entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial.
Lula teve 45,1% dos votos no primeiro turno e ficou atrás de Flávio Bolsonaro, que terminou com 47% dos votos. Veja o mapa da votação.
O resultado de Lula ficou bem aquém do que ele obteve no primeiro turno da eleição de 2022: o petista recebeu agora 3,5 milhões de votos a menos do que naquele pleito.
Já Flávio teve 5 milhões de votos a mais que seu pai no primeiro turno de 2022.
É uma vantagem de cerca de 2,5 milhões de votos e que deixa o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma situação relativamente confortável para o 2º turno, a ser disputado em 25 de outubro.
Nos 20 dias que restam para a decisão final dos brasileiros, o presidente precisaria recuperar territórios perdidos e convencer mais eleitores a votar, segundo analistas consultados pela BBC News Brasil.
Acho que é um cenário muito complicado de se conseguir a virada e não há outra ideia para campanha a não ser um choque no eleitorado", resume o analista Rafael Cortez, da Tendências Consultoria, para quem a tendência aponta para vitória da oposição.
Entenda cinco dos desafios que Lula terá de enfretar para obter vitória inédita nestas eleições.
1. Abstenção 'maior entre os mais pobres.
Crédito, Arthur Menescal/Bloomberg via Getty Images.
No primeiro turno, 21% dos eleitores não compareceram às urnas. São 33,4 milhões de pessoas — ou seja, quase dez vezes a diferença de votos entre Flávio e Lula.
Essa foi a maior abstenção já registrada em um primeiro turno desde 1998.
Normalmente, a abstenção é maior entre pessoas mais pobres e com baixa escolaridade — um público em que Lula normalmente vai bem.
Outros 6 milhões de eleitores votaram branco ou nulo no primeiro turno, totalizando 4,8% dos votos.
Para Rafael Cortez, convencer alguém a mudar o voto é muito difícil neste cenário de polarização. Portanto, resta ao PT estimular quem não votou no primeiro turno a votar no segundo.
Lula precisa de um eleitor novo, dada a baixa probabilidade de mudança de voto de alguém que votou no bolsonarismo e mudar pro petismo", explica.
Para conseguir um eleitor novo, diz Cortez, a campanha de Lula precisa se esforçar para empolgar esse público ou anunciar algo novo.
É um eleitor que não gosta do governo, não gosta do Flávio Bolsonaro. E precisa receber um choque do governo, uma sinalização econômica, um anúncio de nome de peso para a equipe ministerial", exemplifica.
Na avaliação de Maria do Socorro Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), essas eleições também ficaram marcadas pela apatia de parte do eleitorado, com uma campanha pouco animada nas ruas.
Essa eleição é uma continuidade da disputa de 2022", explicou Braga à BBC, argumentando que há um cansaço com o cenário repetido PT x família Bolsonaro, além do cansaço com os vários governos do PT.
Para a cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o governo precisa convencer essas pessoas desacreditadas com a eleição para "acreditar no potencial de mudança por meio da política.
Hoje, o custo de não votar é muito baixo. Então, é preciso dar significado ao voto para essas pessoas", avalia.
Francisco Teixeira, professor de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que a estratégia de Lula para o segundo turno provavelmente deve passar por reduzir a abstenção entre os mais velhos e os mais jovens — dois grupos nos quais o petista tem maior apoio, segundo as pesquisas.
Entre os eleitores mais velhos, Teixeira diz que podem ter apelo temas como a defesa das aposentadorias e pensões, a oferta de medicamentos gratuitos e a atuação do SUS.
Já entre os mais jovens, a estratégia pode enfatizar os indicadores da economia brasileira, que hoje registra níveis baixos de desemprego, segundo Teixeira.
O governo Lula, segundo Cortez, ainda vai aguardar uma melhora na avaliação com as pautas positivas, como a PEC do fim da escala 6x1. O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou para a partir de terça (6/10) a discussão da PEC.
O novo valor do Bolsa Família também estará disponível aos beneficiários a partir de 19 de outubro, conforme o calendário do programa.
2. Perda de votos em todos os Estados do Nordeste.
Em todos os Estados do Nordeste, Lula teve uma votação menor do que em 2022.
As maiores perdas foram no Maranhão (de 68,84% para 63,91%, queda de 4,94 pontos percentuais) e Bahia (de 69,73% para 66,04%, queda de 3,68 pontos).
O cientista político Vitor Sandes, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), diz que o resultado mostra que Lula deveria ter o Nordeste como um dos seus focos no segundo turno, "para ele poder recuperar essa margem, já que a região Nordeste tem o eleitor mais suscetível a se identificar com políticas vinculadas ao lulismo.
A cientista política Luciana Santana, da Ufal, avalia que tanto Lula quanto Flávio vão ter que se esforçar para convencer mais eleitores a votarem em Estados onde têm votação expressiva.
No caso de Lula, explica Santana, o presidente não terá o segundo turno da eleição para governador para animar o eleitor em Estados importantes no Nordeste.
Bahia, Piauí e Ceará reelegeram seus governadores petistas já no primeiro turno. Em Pernambuco, segundo maior colégio eleitoral da região, a governadora Raquel Lyra (PSD) venceu o candidato de Lula, João Campos (PSB).
Então, é preciso traçar estratégias para manter essas bases ativadas", afirma Santana.
Para o analista Rafael Cortez, o resultado no Nordeste deve servir como alerta para a campanha de Lula como um todo. Isso porque, segundo ele, mostra que, no fundo, a eleição foi mais "uma avaliação negativa do governo" do que uma "comparação entre candidatos.
Acho que foi menosprezado esse sentimento de mudança no eleitorado", avalia Cortez.
Crédito, ANTONELLO VENERI / AFP via Getty Images.
3. Derrota em São Paulo, o maior colégio eleitoral.
Outro desafio de Lula para reverter o resultado do primeiro turno seria melhorar seu resultado em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país.
Quatro anos atrás, Jair Bolsonaro teve uma vantagem de 7 pontos percentuais sobre Lula em São Paulo no primeiro turno.
Desta vez, a vantagem de Flávio pra Lula aumentou pra 14 pontos — o dobro.
Lula até ganhou na capital, com 5 pontos percentuais de vantagem sobre Flávio, e também ficou na frente em alguns municípios da Grande São Paulo, como Diadema e São Bernardo do Campo.
Mas no interior — uma região historicamente mais conservadora, e bastante populosa — Flávio ganhou com folga.
Essas duas regiões devem mobilizar as campanhas, segundo Maria do Socorro Braga, da Ufscar.
Temos o eleitorado no interior paulista, com grandes correntes mais conservadoras quem tenderão a se consolidar com o voto no Flávio Bolsonaro, em contraste com a capital e os municípios da região metropolitana", disse à BBC.
Flávio tem alguns trunfos em São Paulo para o segundo turno. O governador Tarcísio de Freitas — que é aliado de Flávio — se reelegeu com facilidade.
E os dois senadores que foram eleitos em São Paulo, Guilherme Derrite e André do Prado, também são aliados de Flávio.
Por outro lado, o historiador Luiz Felipe de Alencastro aponta a possibilidade de que a vitória de Tarcísio no primeiro turno desmobilize parte do eleitorado do governador — um público que também tende a votar em Flávio.
4. O voto de Minas, o Estado espelho.
O resultado do primeiro turno também revelou uma forte mudança de cenário em Minas Gerais.
O Estado é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e é visto como um termômetro nacional em eleições.
Historicamente, quem ganha a eleição para presidente em Minas também ganha na contagem geral.
Flávio teve 5 pontos de vantagem sobre Lula. Já em 2022, foi Lula quem teve 5 pontos de vantagem sobre Jair Bolsonaro.
O mapa da votação em Minas mostra um Estado bastante dividido — o norte de Minas tem um comportamento eleitoral parecido com o da região Nordeste, com forte votação para Lula.
Já o sul e o oeste do Estado têm um perfil mais parecido com o do interior de São Paulo ou do Centro-Oeste.
A disputa para governador em Minas foi vencida no primeiro turno pelo senador Cleitinho, que declarou voto em Flávio.
Andreza Aruska, diretora do King's Brazil Institute, do King's College London, disse à BBC que o fenômeno Cleitinho empurra Minas para a direita, alinhada com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Ele se coloca como um trabalhador, como povo, que fala nas ruas, que vai de camiseta, que conversa com as pessoas. Ele também se colocou a favor do fim da escala seis por um, mas se posiciona também junto à candidatura do Flávio", contextualiza Aruska sobre a força do novo governador.
Para o Senado, se elegeram Domingos Sávio, do PL, e Marília Campos, a única candidata do PT a se eleger para a Casa em um Estado do Sudeste nesta eleição — e alguém a quem Lula poderá recorrer pra tentar melhorar seus números no Estado.
5. Os votos de Cury, Renan, Caiado e Zema.
Lula também vai precisar conquistar eleitores que, no primeiro turno, votaram em outros candidatos que não Flávio.
Analistas avaliam que boa parte dos votos destinados no primeiro turno a Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) tende a migrar para Flávio no segundo.
Isso porque são três candidatos de direita, cujas propostas têm mais em comum com Flávio do que com Lula.
Renan, Caiado e Zema conseguiram, juntos, pouco menos de 5% dos votos — um montante que daria a maioria para Flávio no segundo turno.
Ele (Flávio) sai na frente e tem reserva de voto", diz o historiador Luiz Felipe de Alencastro, fazendo uma metáfora com uma corrida de Fórmula 1.
Ele tem um pitstop ainda na corrida e pode parar no pitstop. O Lula já não tem mais pitstop. O tanque que ele tem é esse", avalia.
Nesse cenário, Lula teria que lutar para que ao menos parte desses votos não migre para Flávio.
Um dos principais palcos dessa batalha será Goiás, Estado natal de Caiado e onde ele foi apoiado por 12% dos eleitores, recebendo quase meio milhão de votos.
Goiás foi o Estado onde Lula teve a maior queda de votos no primeiro turno: de 39,51% em 2022 para 31,06% dos votos em 2026, uma derrocada de 8,46 pontos percentuais.
Flávio teve uma vantagem de 22 pontos percentuais sobre Lula.
Na disputa para governador, Daniel Vilela do MDB se reelegeu — e espera-se que ele declare apoio a Flávio no segundo.
Também estão em disputa os 3,4 milhões de votos obtidos no primeiro turno pelo escritor Augusto Cury (Avante) — e aqui, segundo analistas, Lula parece ter mais chances de abocanhar uma parte maior.
Cury se define como um político de centro e concorreu se apresentando como uma alternativa à polarização entre esquerda e direita. Ele disse que não apoiará nem Lula nem Flávio no segundo turno.
Esse eleitor de centro seria justamente um para quem a campanha de Lula não olhou neste ano, na avaliação do cientista político Creomar de Souza, da Dharma Politics.
As vitórias de Lula sempre foram acompanhadas de um enorme esforço de dizer para o eleitor de centro que Lula governaria também para eles.
Mas dessa vez "toda a estratégia da campanha ficou em termos históricos. Foi uma campanha olhando para o passado, naquilo que era o legado, as conquistas históricas, o que funcionou da última vez, quatro anos atrás.
Segundo Souza, "a grande característica" da campanha de 2026 foi a de conversar "só com a sua bolha de convertidos.
Luiz Inácio Lula da SilvaPTBrasilEleições 2026 Flávio BolsonaroPular Assista e continuarAssista Fim de Assista.
BBC News, Brasil © 2026 BBC. A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos. Leia sobre nossa política em relação a links externos.
Em números
- Bem aquém do que ele obteve no primeiro turno da eleição de 2022: o petista recebeu agora 3,5 milhões de votos a menos do que naquele pleito
- Já Flávio teve 5 milhões de votos a mais que seu pai no primeiro turno de
- É uma vantagem de cerca de 2,5 milhões de votos e que deixa o filho do ex-presidente Jai
- São 33,4 milhões de pessoas — ou seja, quase dez vezes a diferença
Comentários
Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.
Carregando comentários…