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Partido de Putin fica com 349 das 450 cadeiras do Parlamento da Rússia

Siglas contrárias à guerra ficam fora da disputa legislativa; relatos apontam pressão sobre eleitores e falhas na apuração

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A Rússia anunciou nesta sexta-feira (25) os resultados finais das eleições legislativas realizadas na semana passada, confirmando a vitória esmagadora para o partido do presidente Vladimir Putin.

O pleito também elegeu 46 soldados ou veteranos da guerra na Ucrânia como deputados.

Em um anúncio a jornalistas, a Comissão Eleitoral Central indicou que 349 das 450 cadeiras da Duma, órgão equivalente à Câmara dos Deputados, pertencem ao partido Rússia Unida, de Putin.

É o melhor resultado da sigla desde que Putin chegou ao poder, na virada de 1999 para 2000. Até então, o recorde era de 343 cadeiras, obtidas em 2016. As eleições, realizadas de 18 a 20 de setembro, também ocorreram em territórios da Ucrânia controlados e anexados pela Rússia.

Apenas partidos que apoiam, em diferentes graus, Putin e a continuação do conflito na Ucrânia foram autorizados a participar. O único partido abertamente contrário à guerra, Yabloko, foi excluído.

O jornal investigativo Novaya Gazeta Europa, que opera no exílio após ser banido na Rússia por ser considerado uma "organização indesejável", afirmou ter entrevistado observadores, candidatos e membros de partidos que relataram fraudes generalizadas.

Entre as irregularidades citadas estão pressão sobre eleitores, problemas com cédulas, falhas na apuração e restrições ao trabalho de observadores.

Esta eleição foi a menos livre da história da Rússia pós-soviética, não só pelas usuais acusações de fraude que são mais comuns nas disputas regionais, mas também calcificação final do sistema político sob Putin.

A guerra deu instrumentos para enterrar de vez o que havia de oposição no país.

Segundo os resultados oficiais, o Partido Comunista da Federação Russa (KPRF) conquistou 37 cadeiras, o partido nacionalista LDPR, 23, o partido Novo Povo, 19, o partido Rússia Justa, 17 e o partido Rodina ("Pátria"), 1.

Quatro cadeiras serão ocupadas por deputados independentes. Estas eleições também marcam a entrada no Parlamento de indivíduos que lutaram no front ucraniano.

Segundo a Comissão Eleitoral, 46 dos deputados eleitos, mais de 10% do total, são "participantes ou ex-combatentes" da ofensiva em larga escala contra a Ucrânia.

Desses, 41 são integrantes do Rússia Unida.

A guerra esteve bastante presente no pleito. No domingo (20), terceiro dia da votação, Kiev promoveu o maior ataque aéreo contra a região de Moscou desde o começo da guerra, com mais de 450 dos 1.

000 drones lançados contra o país. Ao menos três pessoas morreram em áreas próximas da capital, e uma refinaria de petróleo foi atingida.

A campanha ucraniana contra o sistema energético e logístico russo, que tem levado a uma troca ainda mais intensa de fogo entre os rivais, gerou uma crise de abastecimento de combustível no segundo maior produtor de petróleo do mundo.

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