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O que você precisa saber da Assembleia Geral da ONU até agora

Brasil, EUA, Irã, Israel, Venezuela e outros foram destaque dos primeiros dias

5 min de leitura
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Fundamental para a diplomacia global, a Assembleia Geral da ONU é menos um momento de grandes anúncios e novidades e mais um espaço de símbolos. Até para quem cobre o assunto é impossível acompanhar tudo o que acontece.

São discursos dos 193 Estados-membros, mais observadores como Palestina e Vaticano, eventos paralelos, reuniões bilaterais e encontros multilaterais ao longo de uma semana.

Na sede da organização, em Nova York, estão novos líderes e decanos da diplomacia mundial. Representantes de países inimigos circulam pelos mesmos corredores e sobem à mesma tribuna para destacar o que acham necessário internacional e domesticamente.

E passam recados diretos e indiretos. Um exemplo de símbolo que ocorreu pelo segundo ano seguido: delegações críticas a Israel deixaram o salão da Assembleia antes do discurso do premiê Binyamin Netanyahu (incluindo o Brasil).

Ele os chamou de covardes, em discurso recheado de ataques e críticas. Abaixo, destaco alguns momentos que estiveram sob os holofotes e outros que podem ter passado por baixo do radar.

O presidente Lula (PT) abriu os trabalhos na segunda-feira. A tradição de décadas de o Brasil iniciar o chamado debate geral se juntou à quase tradicional mescla de assuntos internacionais e domésticos nos discursos do brasileiro, que esteve em sua décima participação (talvez sua última, caso não vença a eleição).

Lula bateu na tecla da soberania. Disse que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém", um recado evidente aos EUA de Donald Trump, mas também bandeira central de sua campanha.

Trouxe temas que unem a esquerda nacional à global, como Gaza, crise climática e até o fim da escala 6x1, assunto que parece deslocado num palco internacional, mas que apela a líderes trabalhistas com os quais têm buscado se conectar.

Em Nova York, ele não viu Trump nem nos bastidores; mas se reuniu com o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, o senador Bernie Sanders e o presidente uruguaio, Yamandú Orsi.

O americano não surpreende mais pelo que fala ou faz, mas pela insistência em ser um rolo compressor da ordem que sustentou a hegemonia americana nas últimas décadas.

Disse, por exemplo, que tem uma escolha entre negociar ou aniquilar o Irã. Prometeu que o regime de Cuba iria cair. Chamou o acordo para tomar controle de parte do petróleo da Venezuela de maior acordo da história e acrescentou: "ao vencedor os espólios." E afirmou que jamais vai frear o desenvolvimento da inteligência artificial porque quem dominá-la será o vencedor.

Em suma, usou a tribuna da ONU para atropelar a Carta da ONU.

Delcy Rodríguez fez seu primeiro discurso como líder da Venezuela na mesma Nova York em que está preso Nicolás Maduro. Ela nem sequer citou o ditador deposto, que será julgado em 2027 em cortes americanas, e ainda elogiou o carrasco do ex-chefe, Donald Trump.

Ela também se reuniu com o americano. Delcy tentou se posicionar como a guardiã da transição democrática venezuelana, que ela disse não poder ser uma ruptura. Falou em eleições sem dar detalhes, usou diversas vezes o tema reconstrução e renascimento, e tentou pintar um país que está se abrindo ao mundo e se reformando.

Para a maioria dos venezuelanos, que permanecem ou deixaram o país, não cola: ela é vista como mais do mesmo, continuidade do madurismo que levou o país a momentos de grave crise, e só sugere aberturas porque está sob o jugo de Washington.

E ainda há mais de 344 presos políticos sob o regime, 191 deles detidos sem condenação, segundo a ONG Foro Penal, que acompanha o tema. A líder opositora María Corina Machado diz que tentou entrar três vezes no país nesta semana e foi barrada.

Manifestantes em Caracas pedem o retorno dela.

À margem da Assembleia, Trump se reuniu com aliados da América Latina em uma reunião do Escudo das Américas, iniciativa de Washington para retomar sua influência no hemisfério sob bases securitárias.

No mesmo dia, o grupo divulgou um comunicado conjunto indicando a intenção de que todos os signatários vão classificar como terroristas grupos criminosos do continente, incluindo os brasileiros PCC e Comando Vermelho.

O Brasil foi pego de surpresa. Na reunião, o americano nem escondeu suas intenções: "Apoiei alguns de vocês, e conquistamos grandes vitórias eleitorais" disse. "Acho que meu placar é de nove vitórias em nove disputas: todos que apoiei venceram.

Estamos vencendo muito. Estou com vocês até o fim e farei tudo o que estiver ao meu alcance.

Trump também se reuniu com países árabes e muçulmanos do Oriente Médio à margem do evento. Vários deles embarcaram na proposta do americano para o "Conselho da Paz" para Gaza, e agora Trump tenta agregá-los em torno de um acordo para encerrar a guerra contra o Irã —a missão aqui é mais fácil, já que a maioria deles foi alvo da reação de Teerã.

Ali as relações são mais complexas, no entanto. A Arábia Saudita, por exemplo, está mordida com a falta de disposição de Washington de ajudá-la contra os houthis no Iêmen e vê sua relação com os Emirados Árabes Unidos se deteriorar.

A Turquia e a Síria têm escalado a retórica contra Israel, principal aliado dos EUA na região. Omã tem feito seus avanços com o Irã para um acordo em Hormuz.

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