Uísque é para beber, água é para matar.
O ditado é familiar a moradores de Phoenix, no Arizona, uma região metropolitana com mais de 5 milhões de pessoas onde a temperatura ultrapassa os 40ºC diariamente em agosto.
O ditado indica o caráter autodestrutivo da política na cidade que figura entre as que crescem mais rapidamente nos Estados Unidos e onde a polarização política não poupa ninguém do óbvio: não há água para todos os recém-chegados, para o agronegócio vizinho nem para os mais de 140 sedentos data centers cuja proliferação o desgoverno local permitiu.
No final de 2026, quem vai demonstrar surpresa quando anunciarem que este ano superou 2025 como o mais quente da história? Mas Phoenix, ao contrário de Nova York ou Los Angeles, que atraem maior atenção nacional durante desastres climáticos, vive seu inferno com estranha resignação.
Talvez isso se deva a outro fato óbvio —a conta dos desastres recai desigualmente sobre os pobres.
Todas as noites, fora os abrigados de forma temporária, mais de 3. 000 pessoas dormem nas ruas de Phoenix, onde o contato com cimento aquecido causa queimaduras.
Por isso, quando os bombeiros correm para uma emergência, frequentemente os equipamentos exigidos não são mangueiras ou escadas, mas sacos de cadáveres e grande quantidade de gelo.
Ao encontrar alguém desacordado pelo calor, os bombeiros imergem a pessoa no saco, coberta de gelo. Minutos contam e nem sempre o salvamento chega a tempo, como se vê em um curta-metragem gravado no verão passado.
Os dramáticos incêndios que transformaram bairros da cada vez mais seca Los Angeles num amontoado de cinzas, em janeiro de 2025, comoveram um público mundial.
Fontes
Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.