Prevê-se condições mais severas do habitual no último trimestre de 2026; período crítico de precipitação pode agravar perda de vidas, destruição de culturas e de infraestruturas.
Uma nova previsão climática sazonal do extremo leste de África aponta para condições mais quentes e mais húmidas do que a média no próximo trimestre.
Os dados validados pela Organização Metereológica Mundial, OMM, foram apresentados pelo Centro de Previsão e Aplicações Climáticas, Icpac.
Estas condições devem-se ao desenvolvimento do El Niño, que deverá intensificar-se durante o resto de 2026, bem como ao desenvolvimento esperado de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico, DOI.
A intensificação do El Niño, juntamente do DOI, coincide com o período crítico de precipitação na região africana, entre Outubro e Dezembro.
De acordo com o Icpac, esta época contribui com até 70% da precipitação anual total em partes da Etiópia, do Quénia e da Somália, e com até 40% em partes do Ruanda, do Burundi, da Tanzânia e do Uganda.
Diante da previsão de sobreposição do El Niño e do DOI, o Icpac indica que existe uma probabilidade de 90% de precipitação reforçada no sul da Etiópia, no centro e sul da Somália e no nordeste do Quénia.
O serviço meteorológico prevê que o período de chuvas comece mais cedo ou dentro do habitual nas regiões orientais e meridionais, que incluem a Somália, o centro e leste do Quénia, o sul da Etiópia e grande parte da Tanzânia.
Já a previsão de tempo indica uma maior probabilidade de registros acima da média na maior parte da região.
O Icpac verifica probabilidades mais elevadas de temperaturas altas nas zonas orientais do Corno de África, em particular no leste do Quénia, na Etiópia, na Eritreia, no Djibuti e em grande parte da Somália.
Apesar da previsão de melhoria da disponibilidade de pastagens e água para o gado, a chuva excessiva aumenta substancialmente o risco de inundações na área.
Segundo um relatório complementar do Grupo de Trabalho para a Segurança Alimentar e Nutrição, as chuvas intensas poderão provocar perda de vidas, destruição de culturas e danos em infraestruturas críticas.
O documento acrescenta ainda um maior risco de surtos de doenças transmitidas pela água e por vetores, bem como de interrupções no acesso a serviços de saúde e nutrição nestes países.
A previsão do Icpac foi apresentada no Fórum sobre Perspetivas Climáticas da região, realizado em Kigali, Ruanda, a 17 e 18 de agosto.
O encontro contou com representantes do Burundi, Djibuti, Etiópia, Quénia, Ruanda, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Tanzânia e Uganda, bem como de setores particularmente sensíveis ao clima.
Estudo da agência da ONU destaca que fenômeno climático poderá piorar as condições de trabalho, afetando os mais vulneráveis, como os informais e os empregados em áreas rurais.
Entre as medidas para reduzir os impactos laborais, estão fortalecimento dos sistemas de proteção social e desenvolvimento de alerta precoce.
Agências meteorológicas verificam temperaturas recorde à superfície da terra e do mar; zonas da África Ocidental e do Sudeste Asiático têm registado chuvas intensas, provocando inundações, deslizamento de terras e mortes.
Fontes
Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.