Acontecem neste sábado (19) e domingo (20) as Jornadas Europeias do Patrimônio. O evento abre ao público milhares de lugares, muitos deles normalmente inacessíveis, propondo visitas, exposições, encontros e outras atividades voltadas à descoberta e à preservação do patrimônio histórico do continente.
O brasileiro Jaildo Marinho expõe esculturas em mármore evocando lavadeiras de sua infância no sertão pernambucano.
Na França, a 43ª edição do evento traz como temas "Patrimônio da fotografia" e "Patrimônio em perigo: reavivar, resistir, reinventar", em um ano que coincide com as celebrações dos 200 anos da fotografia.
Em todo o país, a programação reúne habitualmente mais de 25. 000 animações e eventos em cerca de 16. 000 locais e monumentos históricos.
Entre os espaços de destaque abertos à visitação está a Orangerie do Domaine National de Meudon, um edifício histórico, antiga propriedade real, onde acontece a exposição Étendre le marbre ("Estender o mármore"), do artista pernambucano Jaildo Marinho.
A mostra estabelece uma ponte poética entre a criação artística contemporânea e a memória social da cidade. Nos séculos XIX e início do XX, Meudon destacou-se como um importante centro de lavanderia da região parisiense, onde gerações de lavadeiras lavavam e secavam as roupas destinadas à capital.
Inspirando-se na história dos antigos barcos de lavagem de roupas de Meudon e em suas próprias memórias de infância, Jaildo recorda a origem afetiva do projeto.
Tudo surgiu a partir da minha memória em relação à minha avó que lavava roupa para outras pessoas lá no sertão de Pernambuco. Ficou na minha memória aqueles lençóis grandes, brancos, estendidos no varal.
Para transformar essa lembrança em arte e desconstruir a rigidez do material, o escultor criou peças em mármore atravessadas por dobras monumentais. "Aí me veio a ideia a partir dessa memória da leveza do mármore, que a gente vê o mármore sempre como uma coisa pesada.
Eu transformei o que é pesado em leve e suspendi o mármore como um tecido e ficar sempre naquela expectativa: ele vai cair ou não vai cair, o vento balança ou não balança.
Eu adicionei a tinta acrílica porque a cor vem representar a vida, que é um tempo determinado, limitado. Eu jogo com isso, com o peso, com a leveza, com o tempo e com a vida", complementa.
Natural de Santa Maria da Boa Vista, ele conta que sempre gostou de fazer escultura, desde criança. "Comecei com manuseio do barro, depois fiz estudo técnico sobre gemologia e lapidação de pedras preciosas e semipreciosas que existiam na região", relembra.
Após estudar escultura na Universidade Federal de Pernambuco, estabeleceu-se na capital francesa aos 22 anos.
A exposição Étendre le marbre pode ser visitada de 3 a 27 de setembro de 2026, de quinta-feira a domingo, das 14h às 19h, com entrada gratuita na Orangerie do Domaine national de Meudon, contando também com a presença do artista para visitas guiadas durante a programação.
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