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Fidel Castro não era comunista até EUA tentarem esmagar revolução, diz pesquisador de Harvard

Autor de biografia do líder, Jonathan Hansen defende que levante era apenas anti-imperialista até a Crise dos Mísseis

3 min de leitura
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Há duas ideias sobre Fidel Castro, cujo nascimento completou 100 anos nesta quinta-feira (13), que Jonathan Hansen, professor do centro de estudos latino-americanos de Harvard, gosta de desmistificar.

A primeira não causa muito alvoroço: o revolucionário não era bom de beisebol, paixão nacional de Cuba. "Ele gostava de basquete", diz o pesquisador. Já a segunda costuma exigir mais explicações.

Fidel não era comunista até os Estados Unidos esmagarem a revolução.

Autor do livro "Young Castro: The Making of a Revolutionary" (O jovem Castro: a formação de um revolucionário), publicado em 2020 pela editora Simon & Schuster, Hansen dedicou anos de pesquisa ao período de formação política do líder do levante que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista, em 1959.

Sempre digo que parei no jovem Castro porque, naquela época, seus discursos ainda duravam apenas duas horas", brinca o pesquisador sobre o líder, que chegou a ficar um recorde de quatro horas e 29 minutos falando na Assembleia-Geral da ONU, em 1960.

Mas o Fidel ideólogo, que fez discursos inflamados sobre o comunismo, também existe, é claro.

O ponto de Hansen, no entanto, é que o revolucionário não era o comunista que muito se associa à sua imagem no início de sua vida política —ele era, na verdade, um nacionalista liberal.

Isso significa que sua luta era essencialmente anti-imperialista, por soberania e autodeterminação de um país profundamente dependente de Washington.

O revolucionário veio de uma família abastada e cresceu cercado por enormes plantações de açúcar dos EUA, diz o pesquisador. "Fidel cresceu em uma família que se dava bem com os americanos", afirma.

Ele teve uma juventude bastante luxuosa e, ainda assim, não considerava a riqueza algo garantido, talvez por seus pais terem sido camponeses.

A virada no discurso e nas ações do líder teria ocorrido na Crise dos Mísseis. Um ano depois que exilados cubanos apoiados pelos EUA invadiram a Baía dos Porcos para derrubar o governo, Fidel aceitou que a União Soviética instalasse mísseis nucleares na ilha, algo que Moscou enxergava como resposta à ampliação das capacidades nucleares americanas na Turquia.

A decisão deixou o mundo em alerta para uma possível guerra nuclear entre as duas potências.

Levou todo esse tempo", diz o pesquisador, que revelou mais de cem cartas do revolucionário em seu livro. "Eu provo que Fidel não era comunista até os EUA entrarem para esmagar a revolução.

Uma das passagens que servem de evidência para Hansen ocorreu em 1959, quando Fidel viajou a Buenos Aires, onde ocorria uma conferência vinculada à OEA (Organização dos Estados Americanos).

Esse tipo de iniciativa, no entanto, acabou engolida pela Guerra Fria e, em seguida, pelo embargo americano, segundo Hansen. "Ele foi colocado nessa posição porque os EUA decidiram que uma Cuba livre, independente e autodeterminada estava fora de questão em 1959", afirma.

Para além do fato de a União Soviética ser a única potência capaz de fazer frente aos EUA na época, houve ainda um fator interno para a estratégia de Fidel, segundo Hansen: a rapidez com que o levante conseguiu derrotar o Exército de Batista a partir de sua base, na Sierra Maestra.

Fontes

Informação baseada em material público de Folha Mundo, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.

Fontes consultadas

  • Folha Mundolink

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