Ir para o conteúdo
Mundo

Extrema direita cresce, mas não chega a novo governo na Alemanha; Merz vê desastre

Pesquisas boca de urna apontam resultado surpreendente da AfD e vitória inédita do partido A Esquerda em Berlim

3 min de leitura
Mundo — imagem padrão

Pesquisas de boca de urna mostram que a AfD, partido de extrema direita da Alemanha, voltou a obter fortes resultados eleitorais no país neste domingo (20). Em momento de extrema fragilidade de seu governo, Friedrich Merz classificou o fato como um desastre.

Em pronunciamento logo após o fechamento das urnas, afirmou que seu programa de reformas "é antídoto para o veneno autoritário.

No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD (Alternativa para a Alemanha, em português) alcançou a maior votação, 37%, à frente do D de Manuela Schwesig, que teria atingido 35,5%.

O resultado, no entanto, deve permitir a manutenção da atual governadora no cargo, a despeito de a AfD ter dobrado de tamanho no Parlamento estadual.

Em Berlim, a legenda populista deve atingir a terceira maior bancada, com 16% dos votos, atrás de A Esquerda (24,5%) e a CDU (20%), do atual primeiro-ministro.

Os pleitos estaduais se transformaram em uma espécie de plebiscito de sua administração. O premiê convocou uma reunião do comitê executivo de seu partido durante o domingo eleitoral, surpreendendo analistas e imprensa.

O que precisa ser feito agora exige firmeza, perseverança e paciência. Invocarei essas qualidades como presidente da CDU e, sobretudo, como chanceler [primeiro-ministro] do nosso país", declarou Merz, confrontando as especulações sobre seu futuro.

Há duas semanas, em Saxônia-Anhalt, a AfD alcançou quase 44% dos votos e ficou muito próxima de formar seu primeiro governo. Se consumado, será um marco para a Alemanha, que construiu um sistema político e garantias constitucionais para evitar um novo partido nazista após o Holocausto e a derrota na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A ascensão da extrema direita no país ocorre em um momento de impopularidade crescente de Merz, que alcançou novo recorde negativo na última semana, com 88% de insatisfeitos e apenas 10% de aprovação.

Eleito em 2025, o conservador pena para emplacar reformas complexas em um país há anos com a economia estagnada.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres do país, os democratas-cristãos experimentam um dos piores resultados nos 81 anos de história do partido.

A sigla teria superado por pouco a cláusula de barreira de 5%. Para integrantes da CDU local, a culpa é de Merz e de suas políticas insensíveis às demandas da população.

Schwesig, cujo D faz parte da coalizão de governo montada por Merz no Bundestag, o Parlamento Federal, não poupou críticas ao primeiro-ministro. Além de se opor a itens da reforma da Previdência, acordados com os sociais-democratas, a governadora passou os últimos dias cobrando um teto para o preço dos combustíveis, que disparou com o recrudescimento do conflito no estreito de Hormuz.

Em Berlim, em outro revés da CDU, a legenda deve perder a prefeitura para A Esquerda, que pela primeira vez indicará um mandatário para o cargo de governador da cidade-estado.

Elif Eralp deve alcançar o poder propondo uma coalizão com o D e os Verdes.

Esta reportagem está em atualização.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo