Projeto prevê unidades no norte do país, com arquitetura sustentável e participação comunitária; a iniciativa busca preservar culturas indígenas e quilombolas, garantindo que jovens conciliem saberes ancestrais com o ensino técnico-científico sem precisar deixar suas comunidades.
Em regiões indígenas e quilombolas no Brasil*, a educação dos jovens ocorre de forma improvisada debaixo de árvores ou nas casas de moradores. A falta de estrutura adequada obriga famílias a enviarem seus filhos para cidades distantes, ameaçando a transmissão de conhecimento tradicional.
Para transformar essa realidade, o Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos, Unops, está apoiando a construção de 62 colégios voltados para essas comunidades nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil.
A iniciativa busca garantir que o espaço escolar vá além da infraestrutura básica e funcione como um ambiente de fortalecimento das identidades culturais.
A permanência na comunidade incentiva jovens como Zahy Tembé, aluna na aldeia Frasqueira, no Pará.
Para ela, que almeja o curso de Direito, é a chance de lutar e defender os direitos territoriais e civis de seu povo.
A educadora indígena Zytyk de Souza Reis Tembé deseja que o projeto permita às crianças a estudar a ciência que vem de fora e continuar praticando os costumes de seus povos.
O especialista em gestão de obras do Unops, Diogo Cavallari, afirma que desde o início do projeto, a agência esteve em contato com as lideranças das comunidades indígenas e quilombolas, professores e diretores de escolas e as autoridades locais.
Contando com o apoio do Ministério da Educação, MEC, e do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, Fnde, o modelo participativo com a comunidade permitiu a identificação de materiais sustentáveis e de origem local para facilitar a manutenção a longo prazo.
O desenho arquitetônico das escolas priorizou a iluminação e ventilação naturais, o uso de painéis solares para energia renovável e sistemas de captação de água da chuva.
Treze unidades escolares estão sendo finalizadas somente no estado do Pará, na região Norte.
Em um país com quase 300 línguas indígenas faladas e que enfrentam o risco de desaparecimento, o acesso ao ensino dentro do próprio território representa a preservação das culturas dos povos originários.
Para os alunos, a oportunidade de conciliar o aprendizado técnico-científico com a valorização do saber ancestral incentiva a formação de novos líderes, para defender os direitos de seus povos e a preservação de suas terras.
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