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Embaixadora sênior dos Emirados Árabes entra na disputa para chefiar a ONU

Lana Nusseibeh representou o país na organização por dez anos, período em que Abu Dhabi ganhou proeminência

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Uma funcionária diplomática de alto escalão dos Emirados Árabes Unidos entrou na corrida para assumir a Secretaria-Geral da ONU, agitando a disputa pela sucessão em meio a um impasse provocado por rivalidades geopolíticas.

Apoiadores de Lana Nusseibeh sondaram recentemente missões diplomáticas na ONU, onde ela é bastante conhecida por ter sido embaixadora dos Emirados junto à organização, para avaliar a receptividade da candidatura, segundo diplomatas.

O atual secretário-geral, António Guterres, deverá deixar o cargo no fim de 2026, após dois mandatos de cinco anos marcados primeiro pela pandemia da Covid-19 e depois por guerras.

Seu sucessor herdará uma organização em crise. A ONU enfrenta uma grave crise orçamentária em um momento em que sua autoridade no cenário mundial está em um nível historicamente baixo e em que os Estados Unidos, tradicionalmente seu maior doador, pressionam por cortes drásticos.

Após seis meses de debates públicos na ONU e em várias partes do mundo, os três principais candidatos oficiais ainda lutam para conquistar o apoio de todos os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (conhecidos como P5), cada um dos quais pode vetar a escolha do sucessor.

A favorita, Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica e chefe do órgão da ONU para comércio e desenvolvimento, recebeu na semana passada nove votos de "apoio" na mais recente votação informal do Conselho de Segurança.

Isso seria suficiente para garantir o cargo na votação final, mas ela também recebeu duas "rejeições" de países com poder de veto.

O segundo colocado, Rafael Grossi, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, também recebeu duas "rejeições.

Segundo pessoas a par da disputa, o quase impasse está incentivando uma nova leva de candidatos a considerar entrar na corrida nesta fase avançada. Nusseibeh é considerada controversa, segundo diplomatas ouvidos pelo FT.

Ela foi uma figura popular na organização enquanto ocupou o cargo de embaixadora dos Emirados Árabes Unidos na ONU, de 2013 a 2024. Durante mais de uma década, a diplomata de perfil sofisticado defendeu as políticas e o histórico dos Emirados em um período no qual o país passou a desempenhar um papel cada vez mais assertivo nos assuntos mundiais, tanto como investidor quanto como ator geopolítico.

Os Emirados mantêm uma relação próxima com o governo Trump, mas Nusseibeh poderá enfrentar grande dificuldade para se distanciar das controvérsias envolvendo as intervenções do país em sua região e em outras partes do mundo.

Os Emirados enfrentam críticas intensas, sobretudo por seu papel no Sudão, onde apoiam o grupo rebelde paramilitar Forças de Apoio Rápido, acusado de atrocidades generalizadas na guerra civil do país.

Abu Dhabi nega fornecer armas a qualquer uma das facções em conflito.

Uma questão importante em torno de sua candidatura seria se a Arábia Saudita, potência dominante do Golfo, se oporia a ela. Alguns analistas regionais consideram improvável que Riad conteste a candidatura, já que o reino, alvo de ataques dos rebeldes houthis apoiados pelo Irã, tenta superar uma ruptura com Abu Dhabi decorrente de divergências entre os dois países no Iêmen.

Mas Giorgio Cafiero, diretor-executivo e fundador da consultoria de risco geopolítico Gulf State Analytics, afirmou que a perspectiva de uma secretária-geral dos Emirados "poderia gerar preocupações em Riad.

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