Surto registrou 90 novos casos diários; OMS e parceiros ampliaram rastreio de contatos de 9% para 84% e montaram 19 laboratórios; avanço do vírus exige reforçar vacinação, proteger fronteiras e garantir trégua armada para que equipes de saúde trabalhem em segurança.
Passados 100 dias da declaração oficial do surto na República Democrática do Congo, RD Congo, a Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que uma média de quase 90 casos foi confirmada por dia no primeiro trimestre de vigilância epidemiológica.
Nesta segunda-feira, a agência da ONU revelou que a velocidade de contágio supera de forma significativa o ritmo de surtos anteriores na região.
O rápido avanço coloca extrema pressão sobre o sistema de saúde local e as equipes de resposta internacional. A combinação de uma alta taxa de transmissão com desafios logísticos em áreas de difícil acesso impede o rastreio de contatos e o isolamento rápido dos infectados.
As autoridades de saúde reforçam a urgência de fortalecer as medidas de vigilância nas fronteiras e de expandir a campanha de vacinação em massa para evitar que a epidemia se alastre para os países vizinhos.
Agora presente numa sexta província, a epidemia mantém a de Ituri como o epicentro, concentrando cerca de 85% dos casos e 79% das mortes confirmadas. A taxa de mortalidade permanece alarmante, registrando-se um impacto severo fora das unidades de saúde.
Nas últimas seis semanas, cerca de 60% dos 260 óbitos semanais ocorreram fora dos centros de tratamento de ebola, confirmando graves barreiras na detecção precoce, triagem e encaminhamento de doentes.
Nos centros de saúde, os óbitos refletem internações tardias, em fases já avançadas da doença. Outras barreiras à resposta incluem a instabilidade, conflitos, ataques a infraestruturas de saúde, além da deslocação de populações, a resistência comunitária e vias de acesso complexas.
O diretor-geral da OMS afirmou que o surto só poderá ser controlado através de uma ação ampliada nas comunidades afetadas, liderada por autoridades nacionais, provinciais e locais.
Tedros Ghebreyesus defende uma ação sustentada pelos recursos necessários e apoiada por uma colaboração empenhada de todos os parceiros na RD Congo e no exterior.
Apesar do cenário adverso, os esforços conjuntos da OMS, do Governo da RD Congo e dos parceiros internacionais permitiram alcançar resultados significativos nos primeiros três meses.
A capacidade laboratorial aumentou de uma para 19 instalações operacionais, com potencial para processar mais de 3 mil amostras por dia.
A capacidade de internamento subiu de menos de 10 camas para mais de 1,3 mil leitos de tratamento. Na prevenção e controle de infecções, pelo menos 900 unidades sanitárias foram equipadas e apoiadas.
A sensibilização comunitária aumentou, com ações diretas a atingir mais de 2,5 milhões de pessoas. O acompanhamento de contatos com pacientes evoluiu de 9% na primeira semana para 84% em meados de agosto.
Nos avanços científicos, registraram-se ensaios clínicos para novos tratamentos, a avaliação de vacinas candidatas e a implementação do primeiro teste de diagnóstico molecular listado para emergência contra o vírus bundibugyo.
Várias ações para a próxima fase são consideradas prioridades diante da expansão geográfica do vírus. O foco da estratégia para os meses que se seguem é o reforço da resposta ao longo do Rio Congo e nas fronteiras nacionais.
As autoridades também reforçaram a prontidão transfronteiriça com os países vizinhos através da harmonização da vigilância e da partilha de dados.
Além de intensificar a resposta agindo mais rápido para detectar casos, chegar mais cedo às comunidades e reforçar as operações onde são mais necessárias, as autoridades pedem uma trégua nos conflitos armados.
Esta atuação é essencial para permitir que as equipes da linha de frente tenham acesso seguro às comunidades mais vulneráveis e travem a cadeia de transmissão.
OMS diz que 70 mil doses estão disponíveis contra a pior e mais rápida epidemia do vírus já registrada no país; esforço logístico e humanitário visa imunizar profissionais da linha de frente e conter propagação incomum nas regiões afetadas.
A lentidão na RD Congo custa vidas, dispara custos da operação e transforma epidemia em desafio sem precedentes; crise de saúde exige socorro internacional urgente antes que o controle se torne impossível.
Em números
- Al aumentou de uma para 19 instalações operacionais, com potencial para processar mais de 3 mil amostras por dia
- A capacidade de internamento subiu de menos de 10 camas para mais de 1,3 mil leitos de tratamento
- A sensibilização comunitária aumentou, com ações diretas a atingir mais de 2,5 milhões de pessoas
- OMS diz que 70 mil doses estão disponíveis contra a pior e mais rápi
Fontes
Informação baseada em material público de ONU News, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.