Aproximadamente um terço desse aumento ocorreu durante dois anos de endividamento frenético do governo para financiar as respostas à pandemia da Covid-19 empreendidas por Trump e pelo ex-presidente Joe Biden, enquanto as escolhas de política fiscal de ambos os presidentes, combinadas com desequilíbrios de longa data entre receitas e gastos, foram responsáveis pelo restante.
Grupos de fiscalização orçamentária vêm prevendo a ultrapassagem desse limite há semanas e emitiram alertas severos de que uma crise de dívida em grande escala poderia eclodir, a menos que os parlamentares enfrentem um panorama fiscal insustentável e aumentem os impostos, cortem gastos ou ambos.
Os credores globais dos EUA podem já estar ficando cautelosos.
O prêmio de prazo dos títulos do Tesouro de 10 anos — uma medida de quanto do rendimento total do título é atribuído ao risco percebido de mantê-los por uma década — subiu nesta semana para o maior nível em mais de uma dúzia de anos.
Em meio a tudo isso, a demanda por títulos da dívida dos EUA por parte de investidores estrangeiros — que detêm quase um terço de todos os títulos do Tesouro — vem diminuindo ao longo do último ano, deixando mais títulos à disposição de compradores mais sensíveis aos preços, o que pode agravar a volatilidade do mercado, escreveu na terça-feira John Canavan, analista-chefe de mercados financeiros do grupo de Serviços Macroeconômicos e de Investidores da Oxford Economics.
O déficit dos primeiros 10 meses do ano fiscal de 2026 já ultrapassou o déficit total de todo o ano fiscal de 2025, faltando ainda dois meses para o fim do ano fiscal atual.
Trump tem ignorado em grande parte o número cada vez menor de defensores da austeridade fiscal em seu Partido Republicano, defendendo gastos elevados ao longo de seus dois mandatos.
O Comitê para um Orçamento Federal Responsável estima que as escolhas políticas de Trump e Biden tenham elevado a trajetória da dívida federal além do que teria sido acumulado de acordo com as leis de gastos vigentes quando cada um deles assumiu o cargo.
Trump caracterizou seu segundo mandato como focado na redução de custos, marcado por cortes iniciais de empregos em órgãos federais ordenados pelo Departamento de Eficiência Governamental.
Mas grande parte de suas reduções de gastos teve como alvo os chamados programas “discricionários”, a menor parcela do orçamento federal.
O orçamento do ano fiscal de 2025 marcou a primeira vez que os custos do serviço da dívida ultrapassaram o financiamento do Pentágono. Nos primeiros 10 meses do ano fiscal de 2026, os custos com juros superaram os gastos com assistência médica do Medicare, tornando-se o segundo maior item do orçamento federal, atrás apenas do sistema de aposentadoria da Seguridade Social.
Os EUA estão gastando mais com aposentadorias e assistência médica da geração "baby boom", pressionando os fundos da Seguridade Social e do Medicare, enquanto as receitas de impostos sobre salários e renda continuam insuficientes para cobrir as despesas federais.
Fontes
Informação baseada em material público de Agência Brasil Internacional, reescrito pela redação ULTRA NOTÍCIAS.