Ir para o conteúdo

Terça-feira, 22 de setembro de 2026 | Corumbá - MS | 23°C Parcialmente nublado

Mundo

De Monroe a Donroe

Doutrina Monroe não é carta branca que concedeu aos EUA direitos perpétuos sobre as Américas

2 min de leitura
Mundo — imagem padrão

John Quincy Adams (1767-1848) deixou registros detalhados dos debates que levaram à formulação da Doutrina Monroe, evocada pelo governo Trump em um recente vídeo para tratar a América Latina como um puxadinho dos EUA.

Seu biógrafo James Traub conta que Adams, então secretário de Estado, e o presidente Monroe tinham duas questões diante de si. De um lado, a proposta britânica de uma declaração conjunta contra uma eventual intervenção europeia para restaurar o domínio espanhol sobre suas antigas colônias.

De outro, as pretensões russas no noroeste do continente e a recusa do czar de reconhecer as repúblicas da América do Sul.

A solução desenhada em 1823 visava declarar que os interesses americanos estavam diretamente relacionados ao continente, sem ficar a reboque da Inglaterra.

O que a administração Trump omitiu no vídeo é que Adams e Monroe, cientes das limitações da nação que comandavam, comprometiam-se a não intervir em assuntos europeus.

Se havia a sugestão de uma área de influência nas Américas, os EUA se colocavam como espectadores dos conflitos no Velho Mundo. "Nas guerras entre as potências europeias, em questões que dizem respeito a elas próprias, jamais tomamos parte, nem seria compatível com nossa política fazê-lo", afirmou Monroe.

Desde aquele discurso, os EUA se tornaram uma superpotência, e a ideia de ficar fora dos assuntos da Europa perdeu sentido. Esse novo status, porém, não quer dizer que possam fazer o que bem entendem, mesmo na sua vizinhança.

É fato que os países da região estão sujeitos à predominância americana e que, na era Trump, gastam muita energia reagindo às ameaças do republicano.

Mas eles têm mais opções do que no século 19 e podem tomar suas decisões estratégicas levando em conta a complexa realidade atual —sendo a ascensão da China o fator mais relevante.

A Doutrina Monroe é uma peça de seu contexto histórico, reinterpretada ao longo dos anos de acordo com a evolução dos interesses dos EUA. Não é uma carta branca para direitos perpétuos.

Comentários

Participe da conversa. Comentários passam por moderação antes de aparecer.

Carregando comentários…

Leia também

Mais em Mundo
Mundo — imagem padrão
Mundo

Demonstração de força militar dos EUA perto do Brasil é adiada

A ação coincidiria com a publicação, pelo Departamento de Estado americano, de uma postagem na qual era exaltada a Doutrina Monroe, que desde o século 19 define a América Latina como zona de influência exclusiva de Washi

Em Mundo