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Corrida presidencial brasileira terá reflexos em toda a América Latina, avalia cientista político

A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais de 4 de outubro, a campanha entra na reta final marcada mais por denúncias e ataques entre

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Corrida presidencial brasileira terá reflexos em toda a América Latina, avalia cientista político

A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais de 4 de outubro, a campanha entra na reta final marcada mais por denúncias e ataques entre candidatos do que pela discussão de propostas de governo.

Em entrevista à RFI, o cientista político Gaspard Estrada, membro da unidade Sul Global da London School of Economics (LSE), avalia que o ambiente político brasileiro permanece profundamente polarizado e que uma parcela crescente do eleitorado demonstra sinais de esgotamento com a disputa.

Segundo Gaspard Estrada, as pesquisas de opinião apontam não apenas uma disputa apertada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o conservador Flávio Bolsonaro, mas também um forte desengajamento dos eleitores.

Para o especialista, a polarização observada no Brasil não é um fenômeno isolado. Ele lembra que eleições recentes em outros países da América do Sul também foram decididas por margens mínimas.

Estrada avalia que a sociedade brasileira está dividida entre dois campos políticos consolidados, mas observa que cresce o desejo de parte do eleitorado por uma alternativa às figuras que dominam a cena política nacional há anos.

Nesse contexto surge a candidatura de Augusto Cury, psiquiatra e escritor sem trajetória partidária tradicional. Para Gaspard Estrada, o fenômeno dos outsiders não é novidade na América Latina.

Ele cita exemplos como o ex-presidente peruano Alberto Fujimori e, mais recentemente, Javier Milei na Argentina.

Apesar disso, o cientista político vê limites para o sucesso desse tipo de candidatura no Brasil. “Um país tão grande e tão complexo como o Brasil tem um sistema político muito fragmentado.

É difícil, sem fazer alianças, conseguir governar um país deste tamanho”, afirma. Segundo ele, esse cenário reduz as chances de uma candidatura outsider alcançar um desempenho eleitoral expressivo.

Outro ponto destacado pelo cientista político é que embora indicadores econômicos apresentem resultados positivos para o governo Lula, como queda do desemprego, crescimento econômico e redução do desmatamento na Amazônia, boa parte da população não sente esses avanços no dia a dia.

Para o pesquisador, esse fator ajuda a entender por que Lula não consegue transformar indicadores favoráveis em uma vantagem mais confortável nas pesquisas eleitorais.

Estrada também considera que a campanha de Lula pode ter demorado a ampliar sua presença paga nas plataformas digitais. Segundo ele, embora a estratégia digital exista desde o início da disputa, o impulsionamento de conteúdo teria começado tardiamente.

Já o campo bolsonarista, observa, mantém sua tradicional capacidade de mobilização na internet. “O bolsonarismo sempre foi muito eficaz no uso das mídias sociais e, mais uma vez, está conseguindo pautar a agenda digital”, avalia.

Mesmo diante das denúncias envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro não parece ter sofrido perdas significativas de apoio eleitoral.

Para Estrada, isso ocorre porque uma parte do eleitorado identifica o sobrenome Bolsonaro com a ideia de mudança em relação ao atual governo.

Ao mesmo tempo, ele observa que o candidato conservador também enfrenta elevados índices de rejeição. “Existem muitos aspectos negativos associados ao sobrenome Bolsonaro, o que explica a taxa de rejeição elevada e o equilíbrio observado nas pesquisas.”.

Enquanto a campanha se aproxima do desfecho, Lula participa da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, onde discursa nesta terça-feira (22). Para Gaspard Estrada, a viagem oferece ao presidente a oportunidade de reforçar sua imagem internacional.

O especialista considera ainda que um eventual contato de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ser um dos pontos mais observados da viagem, especialmente diante da influência que a política americana exerce sobre o debate brasileiro.

Para Gaspard Estrada, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro não terá consequências apenas para o Brasil. O resultado também poderá influenciar os rumos da América Latina e o posicionamento internacional do país.

Por isso, conclui, o processo eleitoral brasileiro desperta atenção muito além das fronteiras nacionais. “Esta eleição está sendo acompanhada de perto pelas principais capitais do mundo.

É um tema que deveria interessar muito aos eleitores antes de decidirem seu voto”; conclui.

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