O porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, felicitou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição na tarde de segunda-feira em Pequim, quando ainda era madrugada em Brasília, e Flávio Bolsonaro (PL) prometia pedir a anulação do segundo turno.
Guo usou a fórmula de que a China "nota" o resultado anunciado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Coube ao próprio Xi Jinping completar o gesto nesta terça-feira (27), quando o PL já havia reconhecido a derrota e Lula completava 81 anos.
Livres da cautela diplomática, os veículos estatais leram o resultado sobretudo como um revés para Washington. A agência Xinhua deu ao discurso de vitória do petista um título sobre a ajuda do povo para vencer a interferência estrangeira.
No Diário do Povo, o diretor-executivo do Centro de Estudos Brasileiros da Academia Chinesa de Ciências Sociais escreveu que a guinada da região à direita "foi contida por enquanto.
Ao mesmo tempo, ele reconheceu que bolsonaristas levaram a maioria dos governos estaduais e fizeram a maior bancada nas duas casas do Congresso.
É essa vantagem da direita fora do Planalto que está no centro de uma análise bem menos festiva, publicada no portal do grupo Phoenix, de Hong Kong, por Li Chen, pesquisador da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sudoeste e pós-doutorando na Universidade Federal de Santa Catarina.
Para ele, Lula começa o quarto mandato cercado e terá de entregar ministérios e verbas em troca de apoio, o que pode empurrá-lo para a direita.
O pesquisador cita reportagens sobre a atuação da Rockbridge Network, ligada ao vice-presidente americano, J. D. Vance, que teria financiado a candidatura do senador.
A influência externa, segundo Li, sobreviverá à derrota de domingo. A assessoria de Flávio afirmou que a campanha não recebeu nenhuma verba ou estrutura estrangeira, algo proibido pela legislação eleitoral.
O pesquisador aposta que os governadores de direita dependentes do agronegócio exportador e de investimento chinês devem manter a relação com Pequim aquecida mesmo com um Congresso hostil.
Caberia à China, diz ele, entender essa divisão interna e abrir canais com os novos políticos.
Por que importa: desde 2023, quase toda a aproximação entre China e Brasil passou pelo Planalto, da elevação da relação à "comunidade de futuro compartilhado" às visitas de Estado de 2024 e 2025.
Como Lula já disse que este será seu último mandato, Pequim tem quatro anos para formar interlocutores numa direita que cresce nos estados e no Congresso e hoje conversa mais com Washington.
Morada nas Montanhas Fuchun" (富春山居图), Huang Gongwang, um dos Quatro Mestres da dinastia Yuan. Queimada e partida em duas em 1650, a obra tem uma parte em Hangzhou e outra em Taipei e só foi exposta inteira de novo em 2011.
A Comissão Europeia aprovou na segunda (26) o plano apresentado pela Temu para corrigir violações à Lei de Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês), que regula as grandes plataformas online no bloco.
A varejista chinesa foi multada em 200 milhões de euros em maio por não impedir a venda de produtos ilegais.
O plano reúne cinco medidas, entre elas uma revisão das falhas no sistema de moderação de conteúdo. A Temu tem agora quatro meses para entregar uma avaliação de riscos intermediária à Comissão, que atua como órgão regulador do bloco.
Além da multa, a Temu e concorrentes como Shein e AliExpress pagam desde julho uma taxa de 3 euros por encomenda de baixo valor. Antes, pacotes de até 150 euros entravam na União Europeia sem imposto.
Por que importa: o modelo de pacotes pequenos enviados diretamente das fábricas chinesas ao consumidor foi desmantelado em vários países. Os EUA acabaram com a isenção para remessas de baixo valor em 2025, e a Europa agora soma o custo tributário à exigência regulatória.
Para a China, o comércio eletrônico transfronteiriço virou uma das saídas para o excesso de produção industrial, e cada porta que se fecha empurra esses vendedores para mercados emergentes como o Brasil, onde a pressão para endurecer as regras tende a crescer.
O Theatro São Pedro na Barra Funda recebe nos dias 31/01 e 01/11 o espetáculo "Mo Li Hua, entre poemas e paisagens". O concerto coloca canções tradicionais e folclóricas do Brasil e da China com instrumentação chinesa.
Curitiba recebe no mês que vem o espetáculo "Azaleia Oriental" no Teatro Positivo. O espetáculo traz à cidade a companhia Wucai Yunxia Xin Wenyi, da China, com música, dança, bordados e rituais ancestrais das montanhas de Liangshan.
Os shows acontecem nos dias 16, 17 e 18 de novembro. Outras informações aqui.
Em números
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